Vida no deserto

Vítima do genocídio alemão há apenas 110 anos e do apartheid durante o domínio sul-africano, o país se reinventou e celebra as bodas de prata de sua liberdade praticando um turismo sustentável e seguro

Lugar onde não existe nada. Quem observa pela janela do avião a vastidão inabitada da Namíbia logo entende esse curioso significado do nome do país na língua dos nama, uma das 13 etnias locais. Parece que lá embaixo tem apenas deserto. O nada-sem-fim só é interrompido quando o avião se aproxima da pequena capital Windhoek, destino do voo da South African Airways vindo da cidade sul-africana de Johannesburgo – rota mais direta para quem viaja do Brasil. Naquele centro urbano quase sem prédios vivem 340 mil dos poucos 2,3 milhões de habitantes dessa nação que se renova: em 2015 celebra-se 25 anos de independência da Namíbia, que desde março é liderada por seu terceiro presidente, Hage Geingob.

 

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Basta pousar e caminhar pelo centro urbano para se surpreender com uma peculiaridade namibiana. Tanto as ruas como a população, 90% negra, adotam nomes alemães: Fritz, Wolfgang, Frida. A arquitetura germânica salta aos olhos e, nas igrejas, nota-se a dominância do cristianismo luterano. Embora o português Diogo Cão tenha chegado à região em 1484, ele desprezou aquela sucessão de desertos pouco atraente. Assim, o lugar preservou-se de invasores por exatos 400 anos. Até que a Alemanha chegou para colonizar a então chamada África do Sudoeste, em 1884, ficando até 1915, quando saiu em plena Primeira Guerra Mundial. Não por acaso, os alemães são os visitantes mais comuns atualmente – e a cerveja da Namíbia tenha qualidade e boa fama comparável à dos colonizadores.

 

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Cicatrizes históricas

A colonização europeia, como se sabe, foi bem violenta em países da África e da América. Na Namíbia, em especial, a ocupação alemã deixou feridas dolorosas. Ali aconteceu aquele que é considerado o primeiro genocídio do século 20, entre 1904 e 1908, quando o mundo ainda nem sonhava com os terrores de Adolf Hitler. Há documentos comprovando que o general alemão Lothar Von Trotha ordenou o extermínio de todos os herero que se recusassem a deixar o país. A Alemanha nunca admitiu a tragédia oficialmente. Mas o impacto nas duas etnias mais perseguidas foi devastador: restaram apenas 15 mil herero (dos 85 mil existentes na época) e 10 mil nama (dos 20 mil que teriam se rebelado no conflito). Parte desse episódio pouco difundido mundo afora pode ser conhecido no Independence Memorial Museum, inaugurado em 2014 na capital.

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Igualmente traumática é a outra mancha na história recente da Namíbia. A África do Sul, que tinha invadido o país durante a Primeira Guerra, instaurou em 1948 o mesmo regime racista do Apartheid que segregava brancos e negros – o que fez com que até hoje exista uma minoria branca no topo da cadeia sócio-econômica do país. O apartheid namibiano só caiu em 1990. Foi quando, depois de quase um século de sofrimento, a Namíbia conquistou a sua independência. Mas com uma vantagem: nesses 25 anos, ela não sucumbiu mais a grandes conflitos, como aconteceu com vários países da região após se tornarem livres.

 

Himba vendendo boneca na estrada
Himba vendendo boneca na estrada

 

Pelo contrário. Rica em minérios como diamante e urânio e habitada por tribos de cultura preservada, a Namíbia incluiu a conservação de seus recursos naturais na constituição e descobriu no turismo uma fonte econômica importante. “É um país único, que se diferencia de outras nações africanas por proporcionar muito mais que safáris fantásticos”, define Danilo Rondinelli, proprietário da operadora TerraMundi, que há seis anos leva brasileiros para lá. De fato, a partir de Windhoek, os viajantes costumam fazer safári no Etosha e depois seguem para visitar sítios arqueológicos, tribos superfotogênicas, um litoral peculiar e desertos com paisagens de outro planeta. “Depois de 2012, o número de visitantes que levamos para lá dobrou”, conta Danilo. São exploradores que evitam destinos de massa e curtem ir aonde pouco gente foi.”

 

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Etnia Damara em apresentação para visitantes

 

 

Dunas de Sossusvlei, Playground para fotógrafos

Se a Namíbia fosse um destino pop e tivesse de escolher uma imagem como seu cartão-postal, ela seria Sossusvlei. A cada amanhecer, um punhado de estrangeiros sonolentos mira todo tipo de lente fotográfica para este verdadeiro mar de dunas gigantes avermelhadas. As câmeras costumam registrar os momentos mais sublimes no trecho chamado Deadvlei, no centro de um desses areais. É onde troncos tortos projetam a sombra de seus galhos no chão esbranquiçado por sal e argila, em um contraste impactante com a duna ao fundo e o céu azul. Não por acaso Deadvlei, que nada mais é que o leito seco do Rio Tsauchab cujo fluxo foi interrompido pelas areias móveis, se tornou objeto de desejo de fotógrafos profissionais como Sebastião Salgado e J.R.Duran. “Passei seis dias fazendo um safári aéreo e jamais vou me esquecer da cena impressionante do deserto chegando até o mar”, conta Duran.

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Localizado a 300 quilômetros de Windhoek, Sossusvlei pertence ao Deserto de Namibe, que batiza o país e cobre seu interior de sul a norte. Com estimados 55 milhões de anos, ele é considerado um dos mais velhos e secos da Terra, além de dono das dunas mais altas do mundo, com cerca de 300 metros. Junto com a outra grande região desértica nacional, a do Kalahari, que avança aos limites de Botsuana e possui mais água e árvores, Sossusvlei contribui para que dois terços do país sejam dominados por áreas desérticas.

 

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Partindo da capital, chega-se a Sossusvlei tanto por ar – normalmente, voando nos teco-tecos que levam aos lodges – quanto por terra – de preferência, em veículos 4×4. Na Namíbia, dirige-se por horas sem ver viv’alma – e assim entende-se a baixa densidade demográfica de 2 habitantes por quilômetro quadrado em um território de 850 quilômetros quadrados, pouco maior que três estados de São Paulo. O contraste dos ventos quentes do interior com a brisa gelada do mar provoca neblina no vasto trecho onde o deserto encontra o litoral – e por vezes adia ou atrasa os voos pela região.

 

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Como no deserto quase nunca chove, hotéis como o Little Kulala (www.wilderness-safaris.com/camps/little-kulala) deixam a opção de o hóspede dormir em uma cama fora, ao ar livre, no terraço de cada chalé. Me rendi à experiência por duas noite e garanto: poucos prazeres são maiores do que abrir os olhos no meio da noite e se deparar com uma infinidade de estrelas forrando o céu. Para melhorar, um bom edredon protege do vento do deserto, e praticamente não há insetos no local. A imersão na natureza fica mais profunda quando, antes de dormir, o jantar acontece também no meio do nada namibiano: um caminho de tochas leva os hóspedes até as mesas e a fogueira central – onde os petiscos, as cervejas da Namíbia e os bons vinhos sul-africanos são servidos.

 

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Ao acordar, outra surpresa. Enquanto se toma café da manhã na sacada do restaurante do hotel, parece que o safári vem até você: dá para ver alguns orix e springboks, os antílopes mais comuns do pedaço, tomando água na poça d’água que fica poucos metros adiante. Os belos selvagens costumam posar para zooms potentes nos passeios de cada dia, como a aventura de pilotar quadriciclos, a caminhada em meio ao cânion Sesriem, os voos de balão e a subida nas dunas que levam ao Deadvlei – caso da famosa Big Daddy. Observar as pegadas dos animais na areia é uma das diversões durante o belo trekking de 1 hora em meio ao deserto de Sossusvlei. Só não é bom deixar-se levar pela beleza e parar demais no caminho. Quem perde as primeiras luzes em Deadvlei corre o risco de voltar sem boas fotos do lindo cartão-postal Namíbia.

 

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Heróis da resistência vivos em Damaraland

Os viajantes chegam a Damaraland atraídos por pinturas rupestres e florestas petrificadas, mas deixam o lugar encantados ainda mais pelo contato com as tradições do povos Damara e Himba

 

Funcionários recebem os visitantes cantando no Doro Nawas
Funcionários recebem os visitantes cantando no Doro Nawas

 

Sabe aqueles corais africanos supercontagiantes, com a voz estridente das mulheres contrastando com o tom grave dos homens – e todo mundo esbanjando alegria e molejo enquanto dança? É um desses que recebe os visitantes do lodge Doro Nawas (wilderness-safaris.com/camps/doro-nawas-camp), na região de Damaraland, no centro-norte do país. Não por acaso o staff do hotel ganhou um concurso nacional de cantores. Eles conseguem melhorar até o mal-estar de quem pousa enjoado dos voos nos aviões pequenos bem comuns no transporte interno pela Namíbia. A recepção amigável costuma ter ainda drinks e uma toalha úmida e gelada para amenizar o calor seco do deserto. Nada impressiona mais, porém, que a simpatia dos anfitriões do povo damara, que dá nome a região, assim como de outros nativos da área.

 

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O atrativo número 1 de quem inclui essa parada em sua exploração da Namíbia é arqueológico. Fica aí, a 430 quilômetros de Windhoek, o Patrimônio da Humanidade Twyfelfontein, uma sucessão de rochas muito bem preservadas em seu sítio original e onde estão 2500 pinturas e inscrições rupestres datadas da Idade da Pedra. As imagens retratam animais como rinocerontes, girafas e até um leão cujo rabo tem a forma de uma mão. “Como não havia metal para fazer as gravuras, nossos antepassados Bushman usavam rochas de quartzo como ferramentas”, conta a damara Sylvia Thanises, uma das 17 guias.

 

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Twyfelfontein, as pinturas que se transformaram em Patrimônio da Humanidade

 

Mais antigas que as obras de arte de Twyfelfontein são as florestas petrificadas vizinhas. Não se trata de um bosque em pé. Cerca de 50 troncos de árvores coníferas medindo até 34 metros de comprimento, e com mais de 200 milhões de anos, estão caídos no solo. Segundo os cientistas, elas foram trazidas em enxurradas e cobertas pelo deserto. “Protegidas” nesse ambiente de oxigênio zero, sem chuva e forradas por sedimentos de sílica, as madeiras foram “mineralizadas” e viraram fósseis. Pedra mesmo! Entre elas espalham-se várias Welwitschia mirabilis, planta nacional da Namíbia. Rasteira, ela tem só duas folhas que ultrapassam 8 metros de comprimento. “Elam resistem a cinco anos sem chuva”, explicou o guia Justus Sûxub. “E podem viver bem mais de um milênio.

 

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Enfim, os humanos.

É no caminho para esses verdadeiros museus ao ar livre que pode-se fazer outro contato com o povo. Seja qual for a etnia do guia, do motorista ou do anfitrião, ele costuma sempre se divertir ao mostrar diferenças culturais como os “cliques”, sons de estalos que fazem ao pronunciar várias das mais de 10 línguas tribais. É o caso dos 27 descendentes damara que trabalham no Museu Vivo dos Damara (lcfn.info/damara). Encravado entre rochas lindas e gigantes a 8 quilômetros do Parque de Twyfelfontein, o centro cultural permite conhecer moradas e danças tradicionais, além do artesanato feito de couro e rocha. “Queremos resgatar a cultura que se perdeu ao longo da colonização”, diz a anfitriã Maureen Hoes. A experiência seria mais autêntica se, ao final do expediente, não tivéssemos visto as mesmas pessoas que tinham se apresentado com poucas roupas e estilo “primitivo” passarem por nosso jipe vestindo mochila, tênis e calça jeans ao voltarem para suas vilas. Mas a visita vale a pena.

 

 

Felizmente, em uma das esquinas da desabitada estrada de volta ao hotel, nos deparamos com duas mulheres e uma criança da fotogênica etnia himba. Dessa vez, não era pra-gringo-ver que as nativas usavam seios à mostra e saias feitas de couro de bode. Nômades, Vezapopare e Veriazako tinham viajado 200 quilômetros para vender colares e pequenas bonecas. As miniaturas reproduziam a estética das himba, que lambuzam o corpo com um barro avermelhado – o mesmo usado para decorar seus cabelos com uma espécie de dreadlock de rastafári.

 

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“Só voltamos para casa, em Opuwo, depois de vender tudo”, disse, na língua himba, Vezapopare. Ainda que o turismo esteja engatinhando na Namíbia, as himba já aprenderam que os turistas são carentes de souvenires do país. E que, caso queiram fotografá-las, devem desembolsar alguns dólares namibianos.

 

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Nômades de etnia himba: barro nos dreadlocks

 

Safári no Etosha: Cara-a-cara com o leão

Safáris são todos iguais? Na opinião dos especialistas, não é bem assim. Safáris de várias partes do mundo têm em comum a caçada fotográfica a animais ao ar livre, normalmente a bordo de jipões 4×4. Mas sempre mudam os bichos, o ambiente, os tipos de hospedagem, os outros atrativos do país. Nessa disputa, o do Parque Nacional de Etosha, criado em 1907 no Norte da Namíbia, quase fronteira com Angola, é tido como de elite. “Ele está entre meus 4 safáris top do planeta,” afirma Danilo Rondinelli, que já esteve em 20 parques de safári de 12 países africanos. “Há abundância de animais raros em paisagens espetaculares como o lago de sal Etosha Pan”, explica Rondinelli, dono da agência TerraMundi. Segundo ele, a viagem à Namíbia costuma ser combinada com esticadas a África do Sul, passagem obrigatória para os brasileiros, e Botsuana, o país vizinho que tem safáris diferentes desse, em regiões mais úmidas e verdes.

 

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Superameaçados de extinção, são facilmente avistadas no Etosha. A mais bem sucedida ação de preservação desses últimos, iniciativa da rede hoteleira Wilderness Safaris (www.wilderness-safaris.com), tem contribuído para evitar o desaparecimento dos cerca de 4.000 rinocerontes-negros sobreviventes em ambiente selvagem: alguns animais chegam a ser transportados em aviões para que procriem em áreas selvagens mais seguras. Até os temidos leões, escassos em outras partes do continente, dão as caras várias vezes aos visitantes do Etosha. “Existem uns 400 deles espalhados por essa área”, orgulhava-se Gabriel Zuma, guia do Ongava Tented Camp (www.wilderness-safaris.com/camps/ongava-tented-camp), enquanto o Land Rover do grupo chegava a 5 metros de uma família de leões com a cara ensanguentada após devorar uma zebra.

 

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Uma das experiências mais marcantes da visita à região foi justamente se hospedar em uma das oito barracas de lona desse acampamento de luxo na Reserva Privada de Ongava, que fica colada ao Parque de Etosha. E se um leão resolvesse rasgá-la? Para fazer lembrar que não estávamos em uma inofensiva réplica da Disney World, na calada da noite foi possível ouvir rugidos assustadores no entorno da tenda. E, pela manhã, tomei um susto ao sair e quase pisar em uma tal cobra zebra, que cospe o veneno em suas vítimas. Felizmente aquela era ruim de mira: me safei do cuspe da peçonhenta. Os dois episódios foram suficientes para eu entender o porquê de os hóspedes serem proibidos de circular da tenda para o restaurante ou a recepção sem um segurança armado ao lado. Todo cuidado é válido para curtir a vida animal realmente selvagem da região de Etosha.

 

Etosha Pan e a tempestade chegando
Etosha Pan e a tempestade chegando

 

Amyr Klink: da travessia do

Atlântico à road trip em família

A Namíbia foi o país escolhido pelo navegador Amyr Klink como ponto de partida do seu primeiro grande desafio como explorador: a travessia solitária do Oceano Atlântico a remo. Em 1984, então com 29 anos, ele zarpou com o barco I.A.T. do porto de Lüderitz, cidade vizinha à perigosa Costa dos Esqueletos, que tem esse nome em função dos ossos, tanto de humanos quanto de animais, espalhados pela praia. “A partir dali a corrente de Benguela se afasta da orla e deflete para dentro do Atlântico; é o lugar onde começam os ventos alísios que sopram fortes e regulares até o Nordeste do Brasil”, descreveu no livro Cem Dias Entre Céu e Mar, best seller com 340 mil cópias vendidas. A jornada deu certo: o barco superou ondas bravas e tempestades, chegando enfim à Bahia. Amyr realizaria outros feitos que o transformaram em um navegador respeitado, e a paixão pela Namíbia jamais cessou. “O país é seguro e econômico”, analisa. “Voltei duas vezes e tenho planos de retornar ainda esse ano.”

 

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Sua última viagem ao país foi em 2013, com a esposa e as três filhas, dessa vez para uma empreitada de 4 semanas que incluía também a África do Sul. “Voamos para Windhoek, alugamos um 4×4 e cruzamos o país por terra sentido litoral”, recorda Amyr. “As meninas se divertiram especialmente com os animais”, conta. O interior desértico do país tem os bichos terrestres típicos dos safáris, enquanto o litoral das cidades de Lüderitz, Walvis Bay e Swakopmond é morada de espécies de focas, pinguins, flamingos e pelicanos. “Foi na costa que matei as saudades dos amigos que fiz e dos ótimos frutos do mar”.

 

Placa em homenagem ao navegador brasileiro
Placa em homenagem ao navegador brasileiro (foto MARINA KLINK)

 

Estes centros urbanos litorâneos preservam a arquitetura europeia e ventos fortes que transformaram a região em um oásis para praticantes de esportes à vela como kitesurfe e windsurfe. Já a Costa dos Esqueletos, que sobe até a fronteira com Angola, tem um clima de mistério no ar, causado pela neblina frequente e pelos cascos de navios naufragados que restaram na praia. Um ambiente sombrio paira também sobre Elizabeth Bay, 25 quilômetros ao sul de Lüderitz, um longevo centro de exploração de diamantes que ganhou fama de povoado-fantasma. E até o refúgio natural de Shark Island, balneário de Lüderitz, guarda a memória de quando o local era campo de prisioneiros das etnias perseguidas pelos colonizadores alemães.

 

Família Klink viajando de carro pela Namíbia (foto MARINA KLINK)
Família Klink viajando de carro pela Namíbia (foto MARINA KLINK)

 

Aos poucos, os namibianos vão aprendendo a valorizar sua história de resistência. Na praça de Lüderitz onde foi instalada a Klink Plake, placa em homenagem ao marinheiro brasileiro, já não existe a estátua vizinha em referência ao fundador da cidade, o alemão Adolf Lüderitz – escultura que Amyr viu em sua histórica partida a remo em 1984. “Decidiram trocá-la pela de Cornelius Frederiks, um dos heróis rebeldes que lutaram contra a ocupação alemã”, relata Amyr. Outro ponto interessante de visita para brasileiros que queiram seguir os passos de Capitão Klink é a Lüderitz Safaris & Tours. Agência e loja de souvenirs, a empresa é comandada por Marion Schelkle, que junto com seu ex-marido Gunther deram abrigo ao brasileiro antes da partida heroica do I.A.T. Vale a pena passar ali para, quem sabe, ouvir as histórias da preparação de Amyr antes de encarar sua grande saga pelo Atlântico Sul. Foi o que fizeram os Klink ao visitar Lüderitz, de carro, há dois anos. De lá eles dirigiram até a Cidade do Cabo, onde concluíram os quase 5.000 quilômetros rodados e pegaram o voo de volta ao Brasil.

 

Orix, um dos mais belos animais da região
Orix, um dos mais belos animais da região

 

 

Pílulas de curiosidades:

  • Já ouviu falar dos círculos das fadas da Namíbia? Em Damaraland, uma infinidade de círculos parece ter sido desenhada no campo de gramíneas baixas. Ali, no entanto, não cresce mato algum. Há quem diga que são obras de cupins – mas o povo himba chama de “pegadas dos deuses”.

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  • O jeito mais espetacular – e exclusivo – de ver as dunas gigantes coladas ao mar, os círculos das fadas e os barcos naufragados da Costa do Esqueleto é de cima. Por 4 a 6 dias – e 15 mil dólares – pode-se explorar o melhor da Namíbia em aviões particulares para 2 a 8 pessoas.

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. O fotógrafo e jornalista Haroldo Castro (viajologia.com.br) costuma conduzir grupos de brasileiros em um safári fotográfico pelo melhor da Namíbia. No roteiro estão o Parque Nacional de Etosha, a tribo himba e as dunas avermelhadas de Sossusvlei, onde fica o Parque Namib-Naukluft.

 

Para entender a Namíbia

Visto: Não é preciso visto prévio para entrar no país.

Melhor época: na seca, de junho a outubro, fica mais fácil avistar os animais, todos concentrados no entorno da água.

Moeda: dólar namibiano, o nad. 1 real equivale a cerca de 3,74 nads. 1 dólar americano compra 12 nads.

Língua: Cerca de 20 línguas são usadas no país, mas o inglês é a oficial – embora boa parte dos namibianos fale alemão e africâner (a língua de origem holandesa presente também na África do Sul).

Quem leva: A agência de viagens TERRAMUNDI produz roteiros personalizados e em grupo para a Namíbia (www.terramundi.com.br).

Onde ficar: Uma das pioneiras do continente, a rede de lodges e acampamentos de luxo Wilderness Safaris (www.wilderness-safaris.com) tem unidades em toda a Namíbia.

 

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O REPÓRTER SE HOSPEDOU NA NAMÍBIA A CONVITE DA WILDERNESS SAFARIS (www.wilderness-safaris.com)

Todas as fotos são de autoria de Daniel Nunes Gonçalves/SAMESAMEPHOTO

Cultura maori é uma boa surpresa da Nova Zelândia

Nariz com nariz. Não estranhe se você pousar na Nova Zelândia e se deparar com gente se cumprimentando assim.

 

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Este é o hongi, tradicional saudação dos maori, primeiros habitantes da ilha. Eles acreditam que o homem, Deus e a natureza são uma coisa só, e sentir a respiração do outro é uma forma de comungar o sopro sagrado da vida. Depois de ter sido rechaçada em meados do século 20, a cultura maori está em voga. Não só entre seus descendentes de sangue, muitos com lindas tatuagens tribais pelo corpo – às vezes, até no rosto dos homens e no queixo das mulheres, como reza o costume secular.

 

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O resgate do orgulho maori tem contagiado também os brancos cujos antepassados são os europeus, em especial os britânicos, que colonizaram o país. A língua maori voltou a ser ensinada nas escolas, pelo menos duas grandes exposições sobre sua arte estão rodando o mundo – uma delas chega ao Brasil em outubro – e até sua dança cerimonial, a haka, ganha mais e mais adeptos desde que passou a ser popularizada pelo poderoso time de rúgbi local, o All Blacks.

 

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Jovem, o último país a ser povoado no planeta tem o respeito à natureza e o fascínio pela aventura no DNA. Ali nasceu Sir Edmund Hillary, primeiro homem a escalar o Everest, em 1953. As paisagens do país sediaram o primeiro bungee jump do planeta, em 1988. E a fascinante diversidade natural neozelandesa seduziu o mundo, nos últimos 15 anos, com as trilogias de O Senhor dos Anéis e O Hobbit. A terra sagrada dos maori respira vida.

 

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Entrada pela ilha Norte
(ou Ao Norte, o mar)

É na ilha Norte, a mesma onde chegaram os primeiros desbravadores polinésios no século 13, que desembarcam os viajantes do século 21 dispostos a explorar a enorme variedade de ecossistemas desse pequeno território da Oceania.

 

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Bay of Islands, vista durante sobrevoo pelas ilhas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Auckland, maior cidade do país, tem 1,5 milhão de habitantes e traduz bem a faceta contemporânea tanto da porção Norte quanto da ilha Sul. Ao mesmo tempo em que seu centro cosmopolita à beira-mar esbanja soluções urbanas criativas e sustentáveis, pode-se ver ali as seculares danças maori apresentadas no Auckland Museum (o mesmo que guarda o diário de bordo de Sir Hillary no Everest).

 

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O espetáculo cultural se mostra mais completo para quem dirige por 3 horas ao extremo da ilha Norte e visita o Waitangi Treaty Grounds. Localizado onde a sucessão de ilhas de Bay of Islands leva ao delírio mergulhadores e amantes de praias de sonho, Waitangi é o principal sítio histórico da nação. Em 1840, 540 líderes maori assinaram ali o primeiro acordo com os colonizadores ingleses – e que lhes garantia, entre outras coisas, a posse da terra.

 

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Essa e outras histórias são contadas por meio de música, de canto e da haka – a dança maori – diante de uma casa cerimonial. Também em exposição está uma waka, canoa de guerra com 35 metros e que precisa de 76 remadores para entrar na água. Os maori sempre guiaram sua navegação pelas estrelas, e há apenas dois anos empreenderam uma expedição, a Waka Tapu, navegando sem instrumentos da Nova Zelândia à Ilha de Páscoa.

aucklandmuseum.com
waitangi.org.nz
wakatapu.com

 

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Performance Maori em Waitangi

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Coração cultural
(ou No centro, o fogo)

Seja de barco ou de helicóptero, dá um frio na barriga se aproximar da fumaceira expelida do vulcão da White Island, embranquecendo o céu sobre o azul do Pacífico.

 

 

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Bolhas de lama cinza-chumbo fervem no chão, o cheiro ruim impera, o enxofre amarelo colore o chão laranja à beira da cratera de águas verdes.

 

Vulcão borbulhante White Island

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O mais ativo dos cerca de 60 vulcões do país pode ser acessado a partir de Rotorua, cidade 3 horas de carro ao sul de Auckland.

 

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Famosa por seus spas com poços de águas termais, Rotorua é lar de boa parte dos quase 600 mil maoris do país, que correspondem a 15% da população.

 

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Gêiseres no Te Puia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A cidade fica no vale geotermal de Whakarewarewa, bem em cima do chamado Anel de Fogo do Pacífico, e sempre impressionou por seus gêiseres. O famoso Pohutu, que jorra a 30 metros de altura 20 vezes por dia, é a estrela do Centro Cultural Te Puia, espécie de QG maori onde funciona sua escola de escultura em madeira e tecelagem, além de uma bela loja de artesanato.

 

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Os maori demonstraram uma imensa capacidade de adaptação nesses 700 anos e nunca pararam no tempo. O canibalismo e o poligamia viraram coisa do passado. “Temos representantes no parlamento, canal de tv, estações de rádio”, diz Karl Johnstone, diretor do Maori Arts and Crafts Institute (MACI).

 

Casa maori

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Não somos uma cultura ancestral, mas sim um legado vivo”. Antenados nas tendências, sabem explorar seu potencial turístico. Quem visita o Te Puia degusta a comida típica (frango, legumes) cozida em caixas de alumínio dentro daqueles caldeirões naturais ferventes. Uma experiência gastronômica sem igual.

tepuia.com

 

 

Chef Te Puia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nas profundezas do Sul
(ou Ao Sul, o abismo – ou a floresta)

Já teve vontade de sair voando? Basta chegar à beira dos precipícios espetaculares de fiordes como o famoso Milford Sound, cartão-postal da Nova Zelândia, para entender por quê o bungee jump só poderia mesmo ter nascido no templo natural dos maori.

 

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Dona também de paisagens encantadoras como os glaciares de Franz Josef e Fox e as trilhas à beira-mar do Parque Nacional Abel Tasman, a ilha Sul tem vocação para esportes de natureza.

 

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Cachoeira em Milford Sound

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Se os primeiros saltos de abismos começaram na ponte Kawarau, com 43 metros de profundidade, hoje as distâncias se multiplicaram: dá para saltar de 47 e de 134 metros, se lançar em pêndulos, fazer skydive.

 

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Adrenalina no passeio de jet boat

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desde 1965, adrenalina é palavra de ordem também no passeio de jetboat. “Aceleramos a 85 quilômetros por hora entre cânions de 40 metros de altura”, explica Wayne Paton, que em 2014 fez gritar de emoção naquelas águas azuis até o jovem casal real britânico, o Príncipe William e a Kate Middleton.

 

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Parada em topo de montanha nevada durante sobrevoo na região de Milford Sound

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A charmosa Queenstown, cercada por montanhas nevadas e que descansa à beira do lago azul Wakatipu, é a base para explorar desde os fiordes (de barco, de helicóptero ou em caminhadas de vários dias) até locações de O Senhor dos Anéis e O Hobbit.

 

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Beira-lago na charmosa Queenstown

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao final de cada dia de atividade ao ar livre, amantes da natureza de todo canto do mundo transformam os 120 bares e restaurantes da pacata Queenstown em um pico de agito. E não se surpreenda se, no caminho da balada, você se deparar, como eu, com um grupo de neozelandeses gritando e simulando a haka na rua. É apenas o orgulho maori de ter nascido em uma terra tão especial.

bungy.co.nz
shotoverjet.com
milford-sound.co.nz

 

Garimpeiro Nova Zelândia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INFO: newzeland.com; tourismnewzealand.com

FOTOS: Todas as fotos desse post foram produzidas por Daniel Nunes/@samesamephoto

 

Eagle's Nest Hotel
Vista da sacada de um único apartamento do Eagle’s Nets, em Bay of Islands

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ONDE DORMIR:

Auckland: hilton.com
Bay of Islands: eaglesnest.co.nz
Rotorua: solitairelodge.com
Queenstown: matakaurilodge.com

Matakauri Hotel Nova Zelandia
Vista interna do hotel Matakauri

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

OUTRAS CURIOSIDADES:

Rúgbi ao vivo
A haka foi celebrizada internacionalmente graças às apresentações feitas mundo afora pela seleção neozelandesa de rúgbi, apelidada oficialmente de All Blacks. Se tiver oportunidade, assista ao vivo a uma partida do esporte número 1 do país. Em 17 de julho eles enfrentam a Argentina em Christchurch, e em 15 de agosto acontece o jogo contra a Austrália em Auckland.
allblacks.com

 

Paisagem vista a partir das sacadas do quartos do Matakauri
Paisagem vista a partir das sacadas do quartos do Matakauri

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Arte maori no Brasil
O Brasil também viu ao vivo a exposição Tuku Iho – Legado Vivo, que já difundiu a arte maori na China e na Malásia, e que em 2015 está excursionando pela América Latina. Mais de oitenta peças esculpidas em materiais como madeira, bronze e pedra fizeram sucesso em Santiago, em Buenos Aires e no Rio de Janeiro.

Telas na República Checa
Depois de atrair 145 mil pessoas à Nationalgalerie, em Berlim, por cinco meses de 2015, a série de 44 retratos do povo maori pintados na virada do século 19 para o 20 pelo artista checo Gottfried Lindauer (1839–1926) chegou ao berço do artista. A exibição estará no West Bohemian Museum, em Pilsen, a cerca de 90 quilômetros de Praga, até 20 de setembro.
plzen2015.cz/en/

 

Helicóptero Nova Zelândia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Do alto é (ainda) mais bonito
A natureza neozelandesa dá um show quando vista de cima, em sobrevoos de helicóptero. Na Ilha Norte, a Salt Air sobrevoa as ilhas de Bay of Islands e pousa em uma rocha no meio do mar. A VolcanicAir leva desde Rotorua até o vulcão de White Island. E poucas cenas são tão lindas na vida quanto a que se vê no voo da Over the Top desde Queenstown até os fiordes de Milford Sound.
saltair.co.nz
volcanicair.co.nz
flynz.co.nz

Onde está o kiwi?
Engana-se quem pensa que os neozelandeses ganharam o apelido de “kiwis” por cultivarem a fruta homônima. Quem também tem esse nome é um pássaro bicudo que não voa e tem hábitos noturnos. Dificilmente alguém vê um deles fora de cativeiro (há alguns no Te Puia, o parque maori de Rotorua). A ilha Stewart, no extremo sul, é o melhor lugar pra encontrá-los soltos na natureza.

 

White Island em quadro
Ruínas em White Island

Minha Nova Zelândia na revista da TAM

Já ouviu falar dos maori? Os primeiros habitantes da Nova Zelândia e sua relação com a natureza esplendorosa desse jovem país da Oceania são os destaques da reportagem que assino na revista TAM Nas Nuvens de julho de 2015, que acaba de chegar a todos os aviões da companhia aérea. Com 9 páginas, a matéria Orgulho Maori apresenta os lugares mais especiais que visitei ao longo de 10 dias de novembro de 2014 a convite do Tourism New Zealand. Antes vista como parte de um passado ancestral, a cultura maori – como os cumprimentos feitos com o toque dos narizes e o hábito de marcar o corpo com tatuagens tribais – vive uma retomada no país. Um exemplo desse vigor está na exposição Legado Vivo, que exibirá esculturas, fotos e danças como a haka no Rio de Janeiro e em São Paulo no próximo mês de outubro. Leiam mais na TAM Nas Nuvens de julho.

O prazer de ser bem ciceroneado na África do Sul

Abri o laptop aqui no voo de volta da South African Airways de Johannesburgo para o Brasil para rabiscar alguns highlights afetivos da marcante semana que acabo de viver na África do Sul e confirmei uma impressão corriqueira das minhas viagens: as pessoas são fundamentais para que se possa ter uma experiência de viagem positiva.

 

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O incrível entardecer no topo da Table Mountain, cartão-postal por excelência da Cidade do Cabo (foto samesamephoto)

 

 

Eu vi o famoso por do sol do alto da Table Mountain da Cidade de Cabo, tomei umas e outras na frente da casa do Mandela em Johannesburgo, pedalei entre os vinhedos da Região das Winelands. Mas quando eu dou uma rebobinada para decupar que emoção ficou mais gravada no hd interno, me vêm à mente primeiro as gargalhadas com nativos, e só depois os lugares bonitos da terra de Mandela.

 

Pedalada entre os vinhedos do Babylonstoren, em Franschhoek (foto samesamephoto)
Pedalada entre os vinhedos do Babylonstoren, em Franschhoek (foto samesamephoto)

 

Que essa constatação não apequene minha impressão do país. A velejada na baía de Cape Town ventilou minha mente e arejou meu coração, assim como os grafites e o frescor da arquitetura do revitalizado bairro de Maboneng, em Joburg, me inspiraram a voltar para São Paulo com vontade de agir para que o Minhocão que me avizinha se torne um dia uma experiência igualmente transformadora de realidades – não só imobiliárias, mas especialmente sociais.

 

Estufa de plantas onde é servido o café da manhã no hotel-vinícola Babylonstoren
Estufa de plantas onde é servido o café da manhã no hotel-vinícola Babylonstoren (foto samesamephoto)

 

Daria para incluir na listinha de embelezar os olhos as estradas litorâneas que conectam a Cidade do Cabo ao extremo sul do continente, a estufa de plantas onde tomei café da manhã no hotel-vinícola Babylonstoren, entre Stellenbosch e Franschhoek, e até a impecabilidade na apresentação de cada prato do menu-degustação no The Pot Luck Club, o restaurante bacanudo do chef número 1 da Cidade do Cabo, Luke Dale-Roberts – a casa fica entre as lojas de design do bairro de Woodstock – outro exemplo cidadão de como salvar bairros abandonados.

 

 

Vista a partir da entrada do The Pot Luck, em Woodstock, na Cidade do Cabo: com a Table Mountain ao fundo
Vista a partir da entrada do The Pot Luck, em Woodstock, na Cidade do Cabo: com a Table Mountain ao fundo (foto samesamephoto)

 

Mas se alguém me perguntar quais foram as experiências mais marcantes que vivi, elas serão sempre lembradas com um anfitrião buena gente à frente – e bem distante das atrações turísticas. A começar da sunset party WaxOn, na Maboneng johannesburguiana, para onde fomos levados praticamente direto do aeroporto por minha amiga Meruschka Govender.

 

Festa WaxOn, em Maboneng, Johannesburgo: no fim de tarde do sábado, à beira da piscina e ao lado do Museu de Design Africano
Festa WaxOn, em Maboneng, Johannesburgo: no fim de tarde do sábado, à beira da piscina e ao lado do Museu de Design Africano

 

Travelblogger-fera que eu tinha conhecido exatamente um ano antes na expedição por Kerala, na Índia, Meruschka é apaixonada por sua cidade natal. E no dia seguinte, o domingo, fez questão de conectar – a mim e aos meus sete companheiros de viagem – aos músicos do BCUC, uma baita banda do Soweto, assim como ao fotógrafo Monde Nyovane e ao designer Pule Magopa, que acabaram sendo nossos guias informais pelo bairro-símbolo da luta anti-racial durante os anos tenebrosos do Apartheid.

 

Da dir. para a esq., Tiago Múcio, eu, Meruschka Govender e Victor Affaro, na festa WaxOn, em Maboneng, Johannesburgo
Da dir. para a esq., Tiago Múcio, eu, Meruschka Govender e Victor Affaro, na festa WaxOn, em Maboneng, Johannesburgo: ter as conexões certas ajuda a saber o que rola de melhor na cidade

 

Meruschka, danada como esse nome difícil de soletrar, foi a terrível responsável pelas duas noites em que praticamente troquei a cama pela pista de dança. Para minha sorte, a do meu segundo sábado em Joburg foi justamente no aniversário dela, muito bem comemorado no festival Drum Beats em pleno modernoso Teatro do Soweto. E, claro, com mais uma pá de amigos baladeiros. Pronto: jazia ali a minha imagem clichê do Soweto pobre, violento, feio.

 

Drum Beats, no Soweto Theatre
Drum Beats, no Soweto Theatre: três palcos, bandas de black music da boa e o fim da imagem-clichê de um bairro feio, pobre e violento (foto samesamephot0)

 

Com o Jabu, o taxista que tinha me levado para o Soweto, a conversa foi uma divertidíssima filosofada a dois. Por que diacho um branco chegou a achar que é melhor que um preto ou um ‘verde’ (como brincou Jabu)?. E para que judeus e muçulmanos seguem se matando se nem eles sabem ao certo se o Deus que reivindicam existe mesmo? Rimos pensando ser provável que, caso exista, dê-lhes uma bela sova quando forem fazer o acerto de contas no hora do juízo final.

 

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Tiago Múcio, Manoel Mendes, eu e Patrícia Palumbo no V&A Waterfront, da Cidade do Cabo: observando focas e ouvindo histórias do lobo do mar

 

Outra frase – e mais boas risadas – foram disparadas pelo Manoel Mendes, um marinheiro angolano radicado no V&A Waterfront, quando defendia que navegar é tão preciso quanto viver a vida intensamente. “Temos que pensar fora da caixinha agora, afinal vamos ter muito tempo depois dentro da outra caixinha debaixo da terra”, disse o lobo do mar, que insistiu para que velejássemos por aquelas águas – o que rendeu imagens lindas da Table Mountain vista a partir do mar. Sósia do Hemingway e idealizador da Fundação Izivunguvungu, que transforma menores de rua em marujos e construtores de barco, Mané é o sujeito que preparou o veleiro Picolé, que o brasileiro Beto Pandiani usou para cruzar o Atlântico desde a Cidade do Cabo até Ilhabela em 2013.

 

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Velejando pela Cidade do Cabo entre bons amigos: de barco dá para visitar a Robben Island, onde Nelson Mandela ficou preso por quase duas décadas (foto samesamephoto)

 

Os anfitriões bons de papo foram muitos. No restaurante The Tasting Room, que fica no hotel Le Quartier Français da Região dos Vinhos, a chef Margot Janse contou sobre como deixou a Holanda para seguir um amor na África do Sul – mas deixou o príncipe de lado e acabou apaixonada mesmo foi pelo país. Os garçons do seu salão nem pareciam estar numa casa estrelada: deixaram o carão de lado e trocavam ideias com a gente numa boa. Meu preferido foi o Bradley Isaacs, que passou a noite tirando onda do atendente que dizíamos ser a cara do jogador de futebol Robinho.

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Bradley Isaacs, simpático garçom do restaurante The Tasting Room, do hotel Le Quartier Français, em Franschhoek (foto samesamephoto)

 

No entorno de outras mesas, teve ainda o jantar com a encantadora Elmine Nel, na charcuteria da Babylonstoren, e o papo com o chocolatier Anthony Gird, da doçaria Honest, já na Cidade do Cabo. Já no Nobu do hotel One&Only da Cidade do Cabo, os onipresentes vinhos sul-africanos deram lugar a boas rodadas de saquê em uma longa mesa para doze. Aos meus colegas de viagem que já eram bons de história – gente do quilate de Baba Vacaro, Helena Mattar (do site Noz Moscada), Mercedes Tristão, Patrícia Palumbo, Ronaldo Fraga, Tiago Múcio e Victor Affaro – se juntaram quatro nativos. O Miguel Brunido, agente de viagens da Triumph Travel, já tinha virado brother e até nos levado para andar descalços à beira-mar em Camps Bay. Aí veio o blogueiro de moda Malibongwe Tyilo, ressaltando o jeito estiloso de os homens sul-africanos se vestirem (mais diferentão que o das mulheres). E as colegas de trabalho do Creative Cape Town Caroline Jordan e Didintle Ntsie, compartilhando como fazem para atrair empreendedores criativos aos bairros em vias de renovação. Só não lembro do que rimos tanto. Deve ser efeito do saquê.

 

Os oito viajantes da expedição urbana TERRAMUNDI Creators e quatro convidados da Cidade do Cabo: jantar divertido e foto tirada na porta do banheiro!
Os oito viajantes da expedição urbana TERRAMUNDI Creators e quatro convidados da Cidade do Cabo: jantar divertido e foto tirada na porta do banheiro!

 

Inesquecíveis foram as duas horas de roda de djembê que toquei na rua, depois de uma boa conversa com o Mestre Manan Ide. Assim como os tambores que fazem, vendem na loja Touareg Trading e ensinam a tocar, Manan e seus irmãos Aziz e Ibrahim são três nativos de Gana que enchem de vibração a Long Street nas tardes de sábado. E curioso é como fiquei sabendo desse programaço – logo eu, que tive aulas de djembê em São Paulo por quase um ano tempos atrás.

 

Roda de djembê em uma travessa da Long Street, superdica do Eduardo Shimahara e na companhia dos amigos Raul Cilento e Bruna Faria, recém-mudados para a a cidade (foto samesamephoto)
Roda de djembê em uma travessa da Long Street, superdica do Eduardo Shimahara e na companhia dos amigos Raul Cilento e Bruna Faria, recém-mudados para a a cidade (foto samesamephoto)

 

Quem deu a dica foi um amigo de SP, o Raul Cilento, que se mudou com a namorada Bruna Faria para Cape Town e embarcou, casualmente, no mesmo voo que eu. O Raul, por sua vez, tinha lido em um blog o post do Eduardo Shimahara, outro apaixonado pela cidade que escolheu para viver – e um engajado atuante na questão da sustentabilidade. O ciclo se completou quando tocamos, os quatro juntos – entre outros da minha turma de viagem – os tambores de Manan e seus irmãos.

 

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Azis e Manan Ide, os irmão de Gana que fazem uma roda aberta ao ar livre de tocadores de djembê nos sábados à tarde na Cidade do Cabo (foto samesamephoto)

 

Mas a conversa que melhor traduziu a impressionante transformação recente vivida pela África do Sul foi com o Mithey. DJ figuraça que usa aqueles “oclões” de mosca, ele vende LPs na Mabu Vynil, nas bandas da descolada Kloof Street (que por sua vez fica em Gardens, uma espécie de bairro dos Jardins da Cidade do Cabo). A portinha é simplesmente a loja de um fã que descobriu o fabuloso destino de seu ídolo, o músico Sixto Rodriguez – tema do documentário Searching for the Sugar Man. Mithey tem motivos dolorosos para pregar que vivamos o “One Love” e acreditar que só a música salva. Ele não esquece de quando era criança, sentado nos ombros do pai, e via o velho apelando para a violência na luta contra o apartheid. “Para eu não me assustar com os tiros, ouvia música com fones de ouvido no último volume.” Porrada a conversa com o Mithey. E o cara é um doce de pessoa, acredite. Pela sua história de superação me ajudou a voltar com a melhor das impressões de um país vivo, pulsante, em plena transformação positiva – e com alguns dos melhores anfitriões que já conheci.

 

DJ Mithey, que trabalha na loja de CDs Mabu Vynil, que ficou famosa pelo filme Searchinfg for the Sugar Man, sobre o cantor Rodriguez
DJ Mithey, que trabalha na loja de CDs Mabu Vinyl,  famosa pelo filme Searchinfg for the Sugar Man, sobre o cantor Rodriguez (foto samesamephoto)

 

Código de ética Same Same:

O jornalista Daniel Nunes Gonçalves viajou para a África do Sul a convite da operadora de viagens TERRAMUNDI e do Projeto TERRAMUNDI Creators, que busca conceber roteiros criativos a partir de experiências de interação com moradores antenados. E voltou mais inspirado do que nunca.

Ouro Preto emoldurada

Ela está bem distante das idílicas praias brasileiras e espalha-se em um labirinto de ladeiras estreitas forradas por pedras irregulares onde é difícil caminhar.

 

Entardecer em Ouro Preto. Foto de ADRIANO FAGUNDES (www.adrianofagundes.com)
Entardecer em Ouro Preto. Foto de ADRIANO FAGUNDES (www.adrianofagundes.com)

 

Ainda assim, a Ouro Preto onde o artista plástico Carlos Bacher tem vivido os últimos 43 anos (de seus 74) é um convite a caminhadas lentas e sem destino, observando as casas coloniais coloridas, o grafismo dos telhados vermelhos, “os sóis e os crepúsculos por trás das montanhas” ­– como define o pintor, um dos muitos com ateliês abertos a visitação. “Este relevo acidentado era o lugar ideal para ‘não’ se fazer uma cidade”, brinca Bacher, “mas a sequência de altos e baixos da paisagem criou uma dinâmica deliciosa ao olhar.”

Como acontece com quase todo mundo que observa Ouro Preto pela primeira vez, do alto da Praça Tiradentes, Carlos Bracher se apaixonou pelo lugar. Tanto que resolveu deixar para trás sua Juiz de Fora natal, que ficava perto do lindo litoral do Rio de Janeiro, para montar uma casa-estúdio em um casarão centenário entre ruas sinuosas. “Quando abro a janela da sacada dos fundos, vejo um quadro pronto, com as torres das igrejas despontando diante do horizonte verde”, conta o artista, que tem uma retrospectiva de 80 trabalhos de seus 53 anos de carreira rodando o Brasil até o fim de junho (em fevereiro a mostra está em São Paulo, em março segue para o Rio). Quando abre a porta da frente de casa, Bracher vê mais inspiração: “logo ali adiante está a fachada espetacular da Igreja do Carmo, concebida pelo mestre Aleijadinho”, descreve.

 

Artista Carlos Bracher, que adotou Ouro Preto como cidade e está com exposição no CCBB (foto ADRIANO FAGUNDES, www.adrianofagundes.com)
Artista Carlos Bracher, que adotou Ouro Preto como cidade  (foto ADRIANO FAGUNDES, www.adrianofagundes.com)

 

ETERNA VILA RICA

Localizada a 1h30 do aeroporto de Belo Horizonte, capital do estado brasileiro de Minas Gerais, Ouro Preto guarda o maior patrimônio arquitetônico do barroco no país e se destaca no clássico circuito das Cidades Históricas, que preserva uma parte importante da história do Brasil. Muito antes de hotéis de luxo, restaurantes estrelados e galerias de arte como a do premiado Carlos Bracher encherem de charme essas ruelas repletas de praças, jardins e fontes, 30 mil garimpeiros lotaram o pequeno povoado de Vila Rica, no fim dos anos 1600, em busca de pedras escuras supervaliosas. Era o ouro negro que ajudaria a fazer a fortuna dos colonizadores portugueses e daria origem ao nome Ouro Preto – como o lugar passou a ser chamado a partir de 1823.

Embora até hoje várias minas de ouro abertas no subsolo durante os séculos 17 e 18 possam ser visitadas, a extração do minério virou coisa do passado. A Ouro Preto do século 21 esbanja outras riquezas. A primeira cidade brasileira a ganhar o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO parece uma exposição de arte ao ar livre. O casario do Centro Histórico está bem preservado, como se nota no Teatro Municipal, de 1770, considerado o mais antigo em funcionamento no país. Os museus apresentam desde preciosidades da mineralogia – como na Casa dos Contos, de 1784, onde o ouro era pesado e fundido – até estátuas religiosas impecáveis – como os mais de 160 oratórios a santos do Museu do Oratório e as vestes com fios de ouro do Museu de Arte Sacra.

 

Obras do Mestre Aleijadinho, o grande mestre das artes nas Cidades Históricas de Minas Gerais (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com.br)
Obras do Mestre Aleijadinho, o grande mestre das artes nas Cidades Históricas de Minas Gerais (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)

 

Além disso, inúmeros artistas ainda produzem ali trabalhos originais: Paulo Valadares e Milton Passos pintam paisagens a óleo, enquanto os irmãos Bié e Veveu esculpem em pedra-sabão. Da mesma forma que as artes plásticas coloniais do Brasil nasceram da exploração do ouro e incorporaram influências externas, os artistas atuais reciclam as inspirações do barroco e do rococó em criações contemporâneas. É o caso do próprio Carlos Bracher, que em 2014 pintou 85 quadros para celebrar os 200 anos da morte de Aleijadinho.

Nascido com o nome Antônio Francisco Lisboa, o escultor, entalhador e arquiteto Aleijadinho é considerado por muitos estudiosos o maior expoente do barroco americano e o grande nome do rococó nacional. Seu apelido surgiu da doença degenerativa que teria sacrificado seus pés e mãos: dizem que o cinzel com que esculpia suas obras precisava ser amarrado em seus pulsos. Isso não impediu que ele deixasse, entre centenas de obras, relíquias como a igreja São Francisco de Assis, de 1810. Em 2009, essa obra-prima foi eleita uma das sete maravilhas de origem portuguesa no planeta. Parte de suas criações pode ser conhecida no Museu Aleijadinho, que funciona dentro da igreja.

 

Interior da igreja Matriz (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com.br)
Interior da igreja Matriz (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)

 

ARTE POR TODA PARTE

Ainda que as igrejas forradas de ouro (a Matriz de Nossa Senhora do Pilar guarda 400 quilos em suas paredes) e museus bem organizados evidenciem a riqueza histórica de Ouro Preto, a colorida cidade das montanhas de Minas está longe de ser um lugarejo parado no tempo. “A cidade tem um perfil bastante jovem porque, dos 75 mil habitantes do município, 12 mil são estudantes da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)”, conta Willian Adeodato, diretor do Visitors Bureau local. Quem desembarcar ali em fevereiro, quando o Carnaval leva às ruas toda a alegria do povo brasileiro, não vai reconhecer as ruas tranquilas onde o pintor Carlos Bracher gosta de passear em paz. As dezenas de repúblicas habitadas pelos estudantes se transformam em hostels, as pessoas saem às ruas vestidas com fantasias divertidas e grupos musicais desfilam pelas ladeiras. “Este é um dos eventos que pode lotar os 1600 leitos de nossos 50 hotéis”, conta Adeodato. Meio milhão de turistas visita a cidade a cada ano.

O calendário anual é intenso: na Semana Santa, o chão das ruas é forrado por flores e serragem colorida; a Mostra de Cinema instala um telão ao ar livre na Praça Tiradentes em junho; em julho, o Festival de Inverno tem apresentações de música, teatro e circo; amantes da literatura se reúnem em setembro para o Fórum das Letras; e dezembro é o tempo do evento Tudo é Jazz, agitando com música de qualidade boa parte dos 57 bares e restaurantes.

É nas mesas de Ouro Preto, por sinal, que outras criações artísticas evidenciam o encontro da tradição “mineira” com a contemporaneidade: nos bares – aqui chamados de “botecos” – e restaurantes pode-se degustar a famosa comida de Minas Gerais, uma das mais respeitadas do Brasil. A culinária regional parte da mistura de arroz, feijão e couve para apresentar preparos com carne de porco (o torresmo e as linguiças são deliciosos), boi (a carne seca é tentadora) e frango (a galinha de cabidela vem temperada no próprio sangue). Mandioca e angu de fubá de milho também estão sempre presentes – aperitivos irresistíveis são o bolinho de mandioca e o pastel (salgado) de angu. Outra iguaria de todas as horas é o pão-de-queijo, que tem em Minas as receitas originais que foram difundidas por todo o país. O queijo também pode ser comido na sobremesa, acompanhado de doce de goiaba (sobremesa conhecida como Romeu e Julieta). Antes, durante ou depois das refeições, essas receitas costumam ser acompanhadas da cachaça, a famosa aguardente brasileira (muito usada para fazer caipirinha), que tem em Minas Gerais um de seus berços mais respeitados. Mas é bom bebericá-la com cuidado: pode ser difícil caminhar depois pelas ladeiras tortuosas de Ouro Preto.

 

Folclore regional nas ruas de Ouro Preto (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)
Folclore regional nas ruas de Ouro Preto (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)

 

HOTÉIS

 

SOLAR DO ROSÁRIO

Rua Getúlio Vargas, 270

www.hotelsolardorosario.com

$$$

 

POUSADA DO MONDEGO

Largo de Coimbra, 38

www.mondego.com.br

$$

 

POUSADA DOS MENINOS

Rua do Aleijadinho, 89

www.pousadadosmeninos.com.br

$$

 

 

RESTAURANTES

 

SENHORA DO ROSÁRIO

Hotel Solar do Rosário

www.hotelsolardorosario.com

 

BENÉ DA FLAUTA

Rua S. Francisco de Assis, 32

www.benedaflauta.com.br

 

CHAFARIZ

Rua São José, 167

 

 

BARES E CAFÉS

 

CAFÉ CULTURAL DE OURO PRETO

Rua Cláudio Manoel, 15

www.cafeculturalop.com.br

 

CHOPP REAL

Rua Barão de Camargos, 8

 

ESCADABAIXO

Rua Conde de Bobadela, 122

www.escadabaixo.com.br

 

 

ATRAÇÕES

 

Ateliê Carlos Bracher

Rua Coronel Alves, 56

 

Casa dos Contos

Rua São José, 12

 

Museu Aleijadinho (Igreja São Francisco de Assis)

Largo de Coimbra, s/n

 

Museu de Arte Sacra (Matriz de N. S. do Pilar)

Praça Monsenhor Castilho Barbosa, s/n

 

Museu do Oratório (Igreja do Carmo)

Rua Brigadeiro Musqueira, s/n

 

As montanhas, os casarões e as ladeiras charmosas de Ouro Preto (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)
As montanhas, os casarões e as ladeiras charmosas de Ouro Preto (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)

REPORTAGEM PUBLICADA ORIGINALMENTE NA REVISTA IN, DA LAN, EM FEVEREIRO DE 2015

Mercados de Natal esquentam inverno europeu

Vinho quente, barracas de comida típica, música ao vivo, a praça toda decorada. O cenário festivo das barraquinhas montadas diante da igreja bem poderia ser de uma festa de São João no Brasil. Mas estamos do lado de lá do Atlântico e em outra época do ano.

 

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Mercado Gendamermarkt, o principal de Berlim (fotos Daniel Nunes Gonçalves/samesamephoto)

 

É inverno no Hemisfério Norte e praças como a Gendarmenmarkt, de Berlim, e a Rathausplatz, de Viena, fervem de gente curtindo alguns dos mais vibrantes mercados de Natal da Europa. Espalhados da Alemanha à Áustria e da Dinamarca à República Tcheca, esses festivais são o principal programa social para driblar o frio no continente, de meados de novembro até a virada do ano.

No início de dezembro, quando a reportagem visitou os principais eventos natalinos de Berlim e Viena, a temperatura beirava o zero grau. Vestido no estilo cebola – com várias camadas de roupas – fui conferir os bons motivos para sair do clima quentinho dos museus e restaurantes para enfrentar a “friaca” dos mercados ao ar livre.

 

Bolinhas de natal Viena Belvedere DSC05734

 

Em vez de fogueira, aquecedores elétricos

Primeira boa surpresa: além do calor humano das multidões e dos drinques quentes, várias feiras natalinas amenizam o frio externo com aquecedores elétricos dispostos no entorno de algumas barracas. Não existem fogueiras como as que ficam cercadas por nossas bandeirinhas juninas.

Com árvores de Natal gigantescas, luzinhas de Natal que arrancam lágrimas da vovó e presépios com anjos bem mais presentes que o Papai Noel na decoração, os mercados natalinos europeus diferenciam-se conforme os costumes de cada cidade anfitriã.

 

Uma das barracas do mercado diante do Palácio Schonbrunn, Viena (foto Daniel Nunes Gonçalves/samesamephoto)
Uma das barracas do mercado diante do Palácio Schonbrunn, Viena (foto Daniel Nunes Gonçalves/samesamephoto)

 

Os mais tradicionais estão na Alemanha. Desde 1434 o mercado de Dresden agita a cidade, que hoje se orgulha de compartilhar um panetone de quatro toneladas. Nuremberg, Munique e Stuttgart são outros que disputam quem tem o melhor mercado natalino do país.

No Tivoli Garden de Copenhagen, na Dinamarca, o espetáculo de quilômetros de árvores iluminadas impressiona. Bruxelas, na Bélgica, destaca, entre as 240 bancas de seu principal mercado, as que vendem chocolate, donuts e waffles de qualidade.

Praga, na República Tcheca, capricha no artesanato de brinquedos e joias, além de doces e peixes deliciosos. Tão respeitado quanto os eventos de Viena, o festival natalino da também austríaca Salzburg é menor, tem ares medievais e se orgulha de seus desfiles de rua e presépios impecáveis.

 

Orquestra e coral se apresentam em Berlin (foto Daniel Nunes Gonçalves/samesamephoto)
Orquestra e coral se apresentam no Gendamermarkt, em Berlin (foto Daniel Nunes Gonçalves/samesamephoto)

 

NATAL EM VIENA
De sanfona-zabumba-triângulo aos violinos

Templo da música clássica, Viena recebe seus visitantes com orquestra ou valsa desde quando o avião da Austrian Airlines pousa até a hora dos shows nos mercados natalinos – normalmente depois das 16h, quando já é noite nessa época do ano.

No “arraiá” da terra de Mozart e Strauss, a clássica Danúbio Azul é tão tocada quanto Asa Branca é nas nossas festas juninas. Mas, em vez do trio de forró com sanfona, zabumba e triângulo, o que se vê são violinistas, corais infantis e belas orquestras ao ar livre.

 

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Árvore de corações iluminados do Mercado Wiener Adventzauber, em Rathausplatz, Viena (fotos Daniel Nunes Gonçalves/samesamephoto)

 

O melhor jeito de explorar Viena e seus mercados é pegar um bonde na Ringstrasse, via circular que concentra seus edifícios imperiais e que completa 150 anos em 2015. Ela é também ponto de partida para as residências de Mozart, Strauss e algumas das 67 casas onde o alemão Beethoven teria vivido antes de ali morrer (dizem que ele era sempre expulso em função do barulho que fazia ao ensaiar).

Nos passos de Freud e Klimt
A tradição dessas festas pré-natalinas em Viena existe desde os anos 1600. É tão popular quanto os bailes de gala do inverno e hoje se repete em mais de 20 lugares da cidade. Um bom jeito de escolher em qual delas investir é seguindo o rastro dos nativos famosos.

 

Café Landtman, que era frequentado por Freud, Viena (foto Daniel Nunes Gonçalves, samesamephoto)
Café Landtman, que era frequentado por Freud, Viena (foto Daniel Nunes Gonçalves, samesamephoto)

 

Com 150 barracas e árvores decoradas com corações, violinos ou presentes gigantes, o mercado Wiener Adventzauber, em Rathausplatz, é o principal (e mais cênico) deles. Acontece diante da prefeitura e do Café Landtmann, fundado em 1873 e que era frequentado por Sigmund Freud, o pai da psicanálise. Cafés, por sinal, são uma deliciosa tradição da cidade.

Quem quiser ver o espetacular quadro O Beijo, de Gustav Klimt, pode aproveitar para curtir também o mercado montado diante do imponente edifício barroco do Museu Belvedere, que abriga a obra. Menor, com 50 estandes, ele tem até carrossel e trenzinho para as crianças.

 

Cartaz de divulgação do Quadro O Beijo, de Klimt, principal atração do Museu Belvedere
Cartaz de divulgação do Quadro O Beijo, de Klimt, principal atração do Museu Belvedere

 

Ouvindo Mozart no lar da rainha Sissi
O suntuoso Palácio de Schönbrunn é uma parada turística quase obrigatória. E o mercadoWeihnachtsmarkt, diante dele, vende os mais caprichados objetos de decoração natalina, chás e especiarias. Seus shows ao ar livre, comidas e bebidas são de primeira linha.

A visita pode ser casada com um espetáculo de música clássica dentro do espaço onde funcionava a estufa de plantas da residência de verão imperial. Pode-se ainda circular por alguns dos 1441 cômodos da casa do imperador Franz Joseph e da famosa imperatriz Silvia, a Sissi – personagem eternizada pela atriz Romy Schneider em três filmes na década de 1950.

Outra experiência única – e que não precisa acontecer só em tempos de Natal – é pernoitar em um apartamento de luxo do palácio. Administrado pela rede hoteleira Austria Trend, a suíte reproduz as habitações luxuosas da imperatriz Sissi. A diária custa a partir de 699 euros.

 

Palácio Schonbrunn e a suíte onde dormia a rainha Sissi, em Viena (foto Daniel Nunes Gonçalves/samesamephoto)
Palácio Schonbrunn e a suíte onde dormia a rainha Sissi, em Viena (foto Daniel Nunes Gonçalves/samesamephoto)

 

MERCADOS DE BERLIM

Cosmopolitismo e DJ na praça

Berlim não tem a mesma tradição natalina que as cidades alemãs de Dresden e Nuremberg, mas se diferencia pelo ambiente cosmopolita de seus mercados, que têm até DJ. As barracas de vinho quente e ponche, comidas típicas e artigos de Natal estão sempre movimentadas.
Nas cerca de 80 feiras natalinas da capital, as pessoas interagem de forma despojada e brasileiros costumam ser bem recebidos.

 

Gendamermarkt, o mercado mais requintado de Berlin (foto Daniel Nunes Gonçalves/samesamephoto)
Gendamermarkt, o mercado mais requintado de Berlin (foto Daniel Nunes Gonçalves/samesamephoto)

 

Celebrando 25 Natais sem o muro
Vários mercados de Natal se avizinham de pontos que recontam a história da Guerra Fria e das guerras mundiais. O mais bonito e repleto de barracas de qualidade, na linda praça Gendarmenmarkt – diante da opera house Konzerthaus, fica no Mitte, bairro onde prédios abandonados do antigo lado leste da cidade viraram points de artistas e boêmios.

Ao lado da grande antena de Alexanderplatz, que já foi o centro da Berlim Oriental, o mercado Rotes Rathaus tem decoração inspirada em casas do século 19 e conta com uma pista de patinação no gelo diante de uma linda e colorida roda-gigante de 50m de altura.

 

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Roda gigante diante do mercado Rotes Rathaus, em Berlin (foto Daniel Nunes Gonçalves/samesamephoto)

 

Patinadores vão curtir também o Winterwelt, o mercado de Potsdamer Platz, onde até 25 anos atrás passava parte do grande Muro de Berlim, que dividia a cidade. Vizinho à sede do Berlinale, festival de cinema local, o mercado do bairro é demarcado por um enorme tobogã de neve, onde dá para descer deslizando em um pneu, feito criança.

Ponche, salsichão, chucrute e torta de maçã
Esqueça a paçoca, a pamonha ou o hot dog. Tanto em Berlim quanto em Viena, a comilança nas barracas natalinas capricha nas castanhas assadas, nas tortas de maçã, em cheirosos biscoitos na forma de bonecos de neve, e, claro, nos variados tipos de salsichão, o wurst.

Em Berlim, a salsicha de cada esquina é o curry wurst, servido com molho de tomate e curry. Já na Áustria, a versão mais pedida é a käzekrainer, molhadinha e recheada com queijo. Nos dois casos, elas podem vir com pão ou fatiadas no prato. O acompanhamento costuma ser feito com batatas ou chucrute – além de saborosas mostardas e catchups, às vezes caseiros.

 

Curry wurst, o salsichão preferido dos berlinenses (foto Daniel Nunes Gonçalves/samesamephoto)
Curry wurst, o salsichão preferido dos berlinenses (foto Daniel Nunes Gonçalves/samesamephoto)

 

Vinho quente (o glühwein) e cerveja são servidos por todo lado, assim como criativos sabores de ponches quentes, como os de maçã, frutas vermelhas, laranja e coco. Nos mercados de Natal requintados – como o Gendarmenmarkt, o número 1 de Berlim, restaurantes renomados como o Lutter und Wegner montam filiais itinerantes. É a oportunidade de comer pratos como o wienerschnitzel, a milanesa de porco.

Em Viena, algumas barracas especiais preparam o famoso goulash, parecido com nossa carne de panela. Para sobremesa, o bolo de chocolate sachertorte, doce amado pelos vienenses antes, durante e depois do Natal.

 

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Mais informações:

VIENA
www.viena.info
Mercado Wiener Adventzauber: www.christkindlmarkt.at
Mercado em Schönbrunn: www.weihnachtsmarkt.co.at
Museu Belvedere: www.belvedere.at
Café Landtmann: www.landtmann.at
Palácio Schönbrunn: www.schoenbrunn.at
Suíte da Imperatriz Sissi: www.thesuite.at

BERLIM
www.visitBerlin.de
Mercado Gendarmenmarkt: www.gendarmenmarktberlin.de
Mercado Winterwelt: www.winterwelt-berlin.de
Restaurante Lutter & Wegner: www.l-w-berlin.de

 

CÓDIGO DE ÉTICA SAME SAME:

O jornalista Daniel Nunes Gonçalves viajou a convite dos órgãos oficiais de turismo de Berlim e Viena. Esta reportagem foi publicada originalmente no UOL.

Num vulcão ativo na Nova Zelândia

Essa eu preciso compartilhar no calor da emoção. Tive sexta-feira, 14 de novembro, uma das experiências mais espetaculares nesses 10 dias de viagem-surpresa à Nova Zelândia: cheguei à boca da cratera do Whakaari, vulcão mais ativo do país, em White Island. Vai ser difícil, mas vou tentar descrever em palavras.

 

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Foi assim: estava em Rotorua, no centro da ilha norte do país, conhecida como a capital da fascinante cultura maori. Isolada no Pacífico a meia hora de vôo desde o heliponto onde embarquei, no Solitaire Lodge (o hotel que me hospedeu, integrante da rede Small Luxury Hotels of the World), a “Ilha Branca” foi assim batizada pelo navegador britânico James Cook, em 1769.

 

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O nome surgiu por causa da fumaça branca que não para de ser jogada dessa montanha verde, cheia de pássaros brancos nas rochas à beira do azulão do Pacífico. Para quem já tinha se sentido privilegiado por ter sobrevoado o vulcão Bardarbunga, da Islândia, em setembro, ter a chance de sobrevoar um vulcão de novo já tinha soado como sorte demais pra uma pessoa só. E não é que a experiência foi ainda mais fascinante?

Calma, Islândia, te amo e pra sempre vou te amar.

Mas na Nova Zelândia o acesso ao vulcão foi de helicóptero (e não de teco-teco, que tem limitações de manobras, como lá no Atlântico Norte). E, além de ver apenas do alto a vida brotando fumegante, eu pude pousar e caminhar na cratera. É ou não é pra se apaixonar?

 

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Aprendi com os maori da Nova Zelândia que a poligamia não tem nada de errado, e por isso assumo a Nova Zelândia como um novo amor – sem desmerecer os anteriores. Com motivos: em White Island, basta o helicóptero pousar para que a pessoa comece a andar em um solo por vezes fofo e que mistura cores como o amarelo do enxofre (dizem que derrete solas de tênis e prejudica lentes de câmeras), o cinza das pedras pomo, o preto da areia vulcânica da praia e um degradê do laranja ao branco que passa, acreditem, pelo verde de dentro da cratera.

 

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Sim, diferente do Bardarbunga islandês, que cuspia sua lava vermelha nas alturas do glaciar branco sem fim, o primo kiwi borbulhava uma mistura de água verde da chuva, lama cinza e solo pedregoso em meio a muita fumaça mal-cheirosa. Tivemos de usar máscaras para amenizar o desconforto do odor de enxofre – além de capacete para a eventualidade de o Sr. Whakaari cuspir alguma pedregulho na gente com a raiva que os maori dançam sua temida haka (quem já viu a performance do time de rugby neozelandês All Blacks sabe do que estou falando).

 

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Segundo o Jason, piloto da Volcanic Air e nosso guia, o magma está debaixo daquele lago assustador e só vai ser jorrado pra fora em uma eventual erupção. Enquanto isso não acontece, o Whakaari fica ali, dando show, e com fama de ser talvez o mais acessível vulcão ativo do planeta.

 

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Ficamos ali uma horinha, tocando em lindos pedaços de pedra amarela brilhante, deslumbrados com a beleza surreal do planeta, vendo os restos da mineradora que tentou extrair enxofre dali em 1914, há exatos 100 anos. E, pela segunda vez em dois meses, me comovi com a vida na Terra nascendo quente e visceral justamente ali, bem debaixo dos meus pés.

 

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Código de ética Same Same: viajei a convite do Turismo da Nova Zelândia.

Tanto as passagens aéreas quantos os hotéis, passeios e restaurantes foram patrocinados por eles.

A grande festa da Amazônia

De um lado, o boi branco Garantido, atual campeão, com um histórico de 29 títulos e uma massa vermelha em polvorosa nas arquibancadas. No campo oposto, o touro negro Caprichoso, dono de 20 troféus de primeiro colocado e impulsionado pelos gritos das pessoas da torcida azul. Poucas rivalidades são levadas tão a sério, nas competições do Brasil, quanto o enfrentamento dos dois times culturais da cidade de Parintins, a segunda mais populosa do estado do Amazonas, com 110 mil habitantes. Herdeiros de uma tradição que completou 100 anos em 2013, eles passam o ano se preparando para o duelo de todo último fim de semana de junho, que atrai ao menos 70.000 forasteiros à cidade. Nessa disputa para ver qual apresenta a performance de maior excelência, quem mais se extasia é o público, que assiste a um espetáculo de folclore sem igual no país.

 

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Em 2014, a edição 49 da maior festa da Amazônia deve ter suas dimensões de alegria multiplicadas. No mesmo fim de semana de 27 a 29 de junho, o Brasil vai estar acompanhando quatro jogos das oitavas de final da Copa do Mundo de futebol. Ou seja: se acontecer o mesmo que em 2013, quando o centenário do boi-bumbá amazônico coincidiu com os jogos da Copa das Confederações, uma multidão de apaixonados vai ter motivos de sobra para vibrar. Enquanto dentro no Bumbódromo de Parintins repete-se a guerra folclórica dos bois, as disputas dos jogos da Copa vão dominar o lado externo, tanto diante dos telões em frente à arena quanto em cada uma das tevês voltadas para a rua nos bares à beira-rio e nas casas pintadas de vermelho ou azul – e, em 2014, também verde-e-amarelo. Quando é dado o pontapé inicial na primeira performance de um dos bois, na noite de sexta-feira, diante das 16,5 mil pessoas que lotam a plateia, uma rajada de fogos de artifício faz os dançarinos em campo se arrepiarem.

 

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Conforme a tradição existente desde 1913, quando as primeiras brincadeiras de boi-bumbá começaram a acontecer nas ruas de Parintins, começa então a contação teatral e musical de várias lendas da Amazônia. Uma delas se repete todo ano: era uma vez um fazendeiro que presenteou sua filha com um boi; o bicho ficou aos cuidados do vaqueiro Pai Francisco, que o matou para satisfazer o desejo de sua esposa grávida, Mãe Catirina; para não ser punido pelo patrão, que ficou furioso, o vaqueiro conseguiu ressuscitar o boi com a ajuda de um pajé. A exuberância com que são apresentados esses e tantos outros personagens de destaque, aqui chamados de itens, inclui carros alegóricos gigantescos, fantasias com penas artificiais coloridas e performances musicais das mais contagiantes.

 

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Ainda que seja frequentemente associada ao Carnaval, a festa dos bois de Parintins é bem distinta daquela da Marquês de Sapucaí carioca ou do Sambódromo paulistano. Aqui, são só dois rivais se enfrentando em uma arena – totalmente modernizada no ano passado – cada um com 2h30 de performance a cada uma das três noites seguidas. Desde que a brincadeira de ressuscitar o boi do patrão virou uma festa grande, em 1965, surgiu um protocolo que aumenta o desafio de cada um dos lados da batalha: enquanto uma agremiação se apresenta, a outra tem de ficar quietinha no seu semi-círculo, sob a pena de perder pontos caso faça barulho. Até a luz sobre a arquibancada rival é reduzida para aumentar os holofotes sobre quem se apresenta. Dá para imaginar a tensão de ficar vendo, em silêncio e na escuridão, quão espetacular é o time adversário?

 

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Profissionalizada graças ao televisionamento e ao patrocínio de grandes marcas (que até mudam as cores de seus logotipos para as cores vermelha e azul só nos dias de festa), a ópera da floresta virou produto for-export. Não apenas por atrair muitos estrangeiros. Técnicos responsáveis pelos carros alegóricos hi-tec de Parintins passaram a ser contratados para trabalhar nos milionários carnavais de Rio e São Paulo. Durante o fim de semana do grande musical a céu aberto, os números todos de Parintins sobem às alturas. Acredita-se que 15 mil empregos temporários sejam criados. Só os tricicleiros, que levam as pessoas em bicicletas com passageiros para cima e para baixo, somam mais de 1300 durante o evento.

 

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Se num clássico de bola no pé a força do povo na arquibancada pode empurrar os 11 jogadores para a vitória, não acontece diferente no Bumbódromo. Os 1000 integrantes de cada boi (entre eles, 400 músicos) precisam da atuação de sua galera (como são chamadas as torcidas em Parintins): o público se destaca como um dos 22 itens avaliados pelos seis juízes. Dois animadores de torcida orientam a multidão a repetir seus passos de dança, o levantamento de pompons, placas e qualquer outro adereço-surpresa. Os outros itens avaliados referem-se a personagens típicos como a índia Cunhã-Poranga e o Amo de Boi (tão importantes quanto, por exemplo, a rainha da bateria ou o mestre sala de uma escola de samba). Nenhum item, no entanto, tem performance mais valiosa que a estrela da festa, o boi. Chegue ele flutuando em um balão ou suspenso por um guindaste, terá sua entrada triunfal acompanhada por urros emocionados.

 

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Com pouco mais de meia dúzia de hospedarias e uma lista tímida de restaurantes e bares para atender a tantos forasteiros, a ilha Tupinabarana, onde fica Parintins, se vê invadida por mais de trezentos barcos. Como não há estradas na região e os voos costumam ficar lotados (reserve logo, pois muita gente faz bate-e-volta a partir de Manaus), a maioria dos espectadores encara cerca de 18 horas de transporte fluvial pelo Rio Amazonas. Às vezes eles dormem em redes, seguindo o autêntico jeito amazônico de viajar. O clima, tanto nas embarcações quanto nas casas alugadas para grupos de amigos, é de festa. Especialmente quando, na segunda-feira seguinte, sai o resultado. Ainda que cada boi tenha arrancado gritos, como os de gol, nos três dias de performance, o barulho da galera que lota a arquibancada na segunda-feira para ouvir o resultado só pode ser comparado a um outro: o da conquista de um título de Copa do Mundo.

 

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Minha primeira aurora boreal

Estávamos terminando o jantar, por volta das 22h de uma quarta-feira de setembro, quando um grupo de hóspedes invadiu o restaurante do hotel aos gritos: “Northern lights! Northern lights!”. As mesas se esvaziaram tão rápido que parecia até incêndio: em segundos, tínhamos corrido todos para o lado de fora em busca das “luzes do norte”, como são chamadas em inglês as auroras boreais. E lá estavam elas! Minha primeira aurora boreal era verde e branca, linda, fascinante, e não se intimidou com a concorrência da lua cheia. Sob suspiros e urros dos espectadores – como os que a gente dá quando vê estrela cadente –, luzes sublimes pareciam dançar de um ponto a outro do céu, se metamorfoseando às vezes em forma de círculo, de espinha de peixe, de pentes, de asas. Devem ter ficado ali dando o show por uns 15 minutos – o suficiente para emocionar a todos.

 

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Ainda que todo viajante amante da natureza sonhe ter essa experiência ao menos uma vida, eu tinha viajado à Islândia sem essa esperança. Setembro marca apenas o inicio da temporada, que vai se intensificando à medida que as temperaturas caem e as noites ficam mais longas, e termina em meados de abril, quando se aproxima o verão. Explicando de um jeito simplificado, o fenômeno visual só pode ser visto à noite nas regiões polares quando partículas expelidas pelo sol atingem o perímetro da alta atmosfera da Terra, canalizadas pelo campo magnético do planeta. Pela internet ou aplicativos de celular, os islandeses tentam saber da probabilidade de as auroras ocorrerem. Mas a visualização sempre depende das condições climáticas do lugar onde está o espectador.

 

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É difícil planejar uma “caçada” às auroras. No dia seguinte, por exemplo, o céu fechou e só vimos nuvens cinzas espessas. A sorte bateu de novo à nossa porta dois dias depois, quando aconteceu uma tempestade solar justamente quando estávamos em outro ponto da ilha, também distante do Centro, em uma casa de campo alugada. Novamente durante a hora do jantar, o guia saiu na varanda e gritou que as auroras tinham voltado. Mais abraços, daqueles felizes de réveillon. Dessa vez, no entanto, as cores estavam diferentes e a dança durou o dobro do tempo. Agora as luzes verdes e brancas tinham ganhado também tons de azul e roxo. Fotografá-las, no entanto, não foi tão fácil. Nem toda lente capta a cor. Sem tripé a foto treme. E a imagem fica melhor quando existe o contorno de uma pessoa, uma casa ou uma árvore com as luzes ao fundo. Ter visto a aurora por duas noites – em apenas sete que passei na ilha –  justifica a fama da Islândia como um dos melhores pontos de observação no planeta. Ela está localizada à beira do Círculo Polar Ártico, onde ficam outros lugares bons para ver auroras, como Noruega, Suécia, Finlândia e Groenlândia, além de partes do Alasca e da Rússia. Ainda que exista também a aurora austral, esta é menos famosa porque são poucas as pessoas próximas das calotas de gelo da Antártica onde elas ocorrem – basicamente pesquisadores e turistas de cruzeiros.

 

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Na Islândia, há agências que vendem pacotes com esse foco. Para garantir que os viajantes não percam o fenômeno, alguns hotéis do interior da ilha acordam seus hóspedes no meio da noite. “Na hora do check-in, o turista anota o número do seu quarto em uma folha caso queira ser despertado para ver as luzes”, explica Fridrik Pálsson, o proprietário do Hotel Rangá (www.hotelranga.is), onde vi minha primeira aurora. Localizado a 100 quilômetros da capital Reykjavík, o Rangá se tornou um dos principais destinos dos caçadores de auroras na Islândia. “Ela nos garante uma boa taxa de ocupação de 84% no ano”, conta ele, que deixa um monitor exibindo filmagens de auroras anteriores permanentemente no hall de entrada, ao lado de um urso polar empalhado (que veio da Groenlândia). “Só quem não gosta da aurora é nosso chef de cozinha, que sempre vê os clientes desaparecerem subitamente quando a aurora aparece bem na hora do jantar”, brinca.

 

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Todos os caminhos levam à Roma

 

Ainda que o clichê repita, há milênios, que todos os caminhos levam a Roma, não é raro que muitos viajantes que chegam ao museu urbano a céu aberto mais espetacular do planeta fiquem sem saber que rumo tomar diante de tantas rotas possíveis.

 

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A da Roma original, que abriga o Coliseu e viveu a saga dos imperadores que viraram mitos? Ou a via da Roma cristã, do Vaticano e suas igrejas majestosas? Talvez a Roma das artes, da Renascença e do Barroco, embelezada por Da Vinci, Michelangelo, Rafael e Bernini? Vá por nós: comece do princípio. Em pleno centro da vibrante capital italiana do século 21, resquícios vivos preservados nos subterrâneos ou acima da superfície remontam à fundação da Roma Antiga, em 753 a.C., e recontam sua história até a queda do Império Romano do Ocidente, em 476 d.C. Em quatro dias, pode-se voltar no tempo e viajar por aqueles 12 séculos revolucionários quando Roma comandava o mundo com seus gladiadores ferozes, obras faraônicas, batalhas gloriosas e imperadores megalômanos.

 

Fórum e Palatino
Fórum e Palatino

 

No berço dos filhos da loba

Nessa viagem ao passado, decolemos primeiro para o Monte Palatino, uma das sete colinas da região e local onde acredita-se que Roma teria sido fundada, em 753 a.C., por um sujeito de nome Rômulo. A lenda contada pelos guias que atuam nas ruínas do Palatino, coração turístico da cidade (que fica diante do Coliseu), diz que Rômulo e seu irmão gêmeo Remo teriam sido criados por uma loba. Os guias esclarecem, porém, que a palavra loba também era usada para definir prostituta. Seja animal ou pouco nobre a origem da mãe, a história original seria manchada de qualquer forma pelo fato de Rômulo ter matado Remo. Passaram-se sete séculos entre a liderança de Rômulo, os reinados etruscos e a ascensão de Roma no tempo de Júlio César – o ditador que fez a passagem da república para o império e morreu esfaqueado por senadores em 44 a.C.. Dos primórdios da fundação, no século 8 a.C., o Palatino guarda muros originais, a cabana onde Remo e Rômulo cresceram, e, no pé do morro, a gruta onde os gêmeos teriam sido aleitados pela misteriosa loba. Entre o Palatino e o Monte Aventino está outro resquício pré-imperial: o Circus Maximus, iniciado no século 7 a.C., era uma arena onde 250 mil espectadores assistiam a corridas de bigas, uma das muitas influências dos gregos, que ditavam moda e cultura na época.

 

Fórum de Augusto com projeção multidimensional
Fórum de Augusto com projeção multidimensional

Onde fervia o umbigo do mundo

Entre o Palatino e o Monte Capitolino, hoje sede dos Museus Capitolinos, espalha-se uma sequência de relíquias arquitetônicas: o Fórum Romano, centro nervoso onde pulsavam a vida política, comercial e religiosa de Roma. Pela Via Sacra, sua artéria principal, desfilaram Júlio César e uma série de imperadores. A começar por Augusto (66 a.C. – 14 d.C.), herdeiro adotivo de César e que ficou 44 anos no trono. Tanto a casa onde Augusto viveu quanto a de Lívia, sua terceira esposa, ainda podem ser conhecidas no Palatino – embora os afrescos da de Lívia tenham ido para o imperdível museu Palazzo Massimo Alle Terme. Para comemorar os 2.000 anos do primeiro imperador, um espetáculo multimídia tem contado sua trajetória e reproduzido virtualmente prédios antigos todas as noites, até 18 de setembro, no Fórum de Augusto. Além dessa, outras construções do líder estão espalhadas pela cidade: o Ara Pacis, imenso altar esculpido em mármore em 9 a.C.; as ruínas do belo Teatro Di Marcello, de 11 a.C.; e o Panteão, de 27 a.C., um impressionante templo politeísta que viria a ser transformado em igreja cristã. Foi na gestão de Augusto que nasceu um líder chamado de Jesus Cristo, cujos seguidores foram duramente perseguidos pelo imperadores seguintes, como o polêmico Nero (37 d.C. – 68 d.C). Ainda que tenham atribuído a ele o famoso incêndio que destruiu Roma em 64 d.C., estudos recentes questionam o fato. Nero teria, ainda, mandado matar cristãos sob a acusação de iniciarem o fogo. Enlouquecido, matou a mãe e se suicidou.

 

Coliseu visto de cima (e agora com subterrâneo aberto a visitação)
Coliseu visto de cima (e agora com subterrâneo aberto a visitação)

 

Os guardiões dos subterrâneos

Cartão-postal romano por excelência, o Coliseu foi assim batizado em referência ao Colosso di Nerone, estátua de bronze colossal com mais de 30 metros de altura que Nero mandou fazer para si. Ela fazia parte da Domus Aurea, a gigantesca casa dourada do imperador (cujo interior está fechado para restauração). Na tentativa de apagar os vestígios da megalomania do predecessor, o imperador Vespasiano (9 d.C. – 79 d.C.) decidiu construir ali um anfiteatro para 50 mil pessoas. Esse cenário de espetáculos, sacrifícios de animais e batalhas de gladiadores só foi inaugurado em 80 d.C. por Tito (39 d.C.– 81 d.C.), seu filho e sucessor (o Arco de Tito, no fórum, é em sua homenagem). Durante cem dias e cem noites, 5.000 animais foram mortos. Parada favorita dos turistas, o Coliseu ficou mais emocionante desde que foi aberto para visitas guiadas, em 2010, o Hypogeum, ala subterrânea da arena onde lutadores e bichos esperavam seu sacrifício. Ele se soma a outras experiências fantásticas que os exploradores da Roma Antiga podem ter a 15 metros – ou mais – de profundidade. Perto do Coliseu, dá para descer ao templo pagão no subsolo da Basilica di San Clemente ou andar pelos corredores da Case Romane del Celio, com quartos dos séculos 2 a 4 d.C. sob a Basilica Santi Giovanni i Paolo. Mas nenhum tour às profundezas da cidade à beira das águas do Rio Tibre surpreende mais que o do Palazzo Valentini. Aberto em 2010, o passeio multimídia pré-agendado, de 1h30, acontece sobre um chão de vidro que protege mansões com mosaicos e afrescos milenares.

 

Teatro Marcelo
Teatro Marcelo

Relíquias do auge do Império

Comandante do Império Romano em seu apogeu, o imperador Trajano (53 d.C. – 117 d.C.) bateu o recorde de atrações do Coliseu: um de seus eventos durou 117 dias e envolveu 9 mil gladiadores e 10 mil animais. A grandeza de Trajano, porém, ia além. Foi ele quem conquistou o Oriente e expandiu os limites máximos do império, que em sua gestão avançava da atual Inglaterra à Síria, dos Países Baixos ao Norte da África. Também contratou o melhor arquiteto da época para modernizar a cidade. Três de suas construções resistem: o Fórum de Trajano, inaugurado em 113 d.C.; a Coluna de Trajano, com esculturas em mármore que sobem a 30 metros de altura (e onde suas cinzas foram levadas); e o Mercado de Trajano, enorme estrutura semi-circular de tijolos que abrigava lojas e tabernas, sede do Museu dos Fóruns Imperiais. Coube a Adriano (76 d.C. – 138 d.C.), seu sobrinho adotado e sucessor, a tarefa de viajar para erguer muralhas isolando o império contra ataques de bárbaros – como eram chamados todos os que viviam fora dos limites de Roma. Hoje, os vestígios de Adriano na capital estão no desenho do Panteão, reconstruído depois de sucumbir a um incêndio e a um raio; no Castelo Santo Ângelo, onde antes ficava seu mausoléu e que agora oferece uma linda vista do por-do-sol da cidade); e na Ponte Santo Ângelo, erguida em 136 para cruzar o Rio Tibre. Mas é em Tívoli, a 30 quilômetros do Centro, que repousa sua maior obra: a grandiosa mansão de Villa Adriana – que até novembro exibe uma exposição especial sobre o imperador.

 

Destaque do acervo do Palazzo Massimo
Destaque do acervo do Palazzo Massimo

Termas, pedaladas e catacumbas

É preciso se afastar do Centro para descobrir outras maravilhas do período imperial. Perto da estação de trem Roma Termini ficam as reminiscências das Termas de Diocleciano, inauguradas em 306 d.C. Os maiores banhos públicos da Roma Antiga tinham capacidade para 3.000 pessoas. Hoje transformadas em parte do Museu Nacional Romano, elas foram batizadas em homenagem ao Imperador Diocleciano (245 d.C. – 311 d.C.). Foi ele quem dividira o gigantesco Império Romano, em 285 d.C., nas partes ocidental e oriental. No lado oposto da Roma do século 21 ficam ruínas de banhos ainda mais preservadas, as Termas do Imperador Caracalla (188 d.C – 217 d.C), erguidas em 216 d.C. Elas estão no caminho para a Via Appia Antica, lendária estrada que abriga as catacumbas de São Calixto e de São Sebastião, corredores subterrâneos com milhares de tumbas. Um dos passeios mais agradáveis da Roma contemporânea é de bicicleta pela charmosa Via Appia Antica: chega-se ali em meia hora de pedalada desde o Arco de Constantino, de 315 d.C., em frente ao Coliseu. O Imperador Constantino (272 d.C. – 337 d.C.), por sinal, encerra nossa jornada pela história. Famoso por ter liberado, em 313 d.C., o culto ao cristianismo, ele se instalou na capital do Império Romano do Oriente, em Bizâncio (que viria a se chamar Constantinopla e depois Istambul). Enquanto o Império do Ocidente, sediado em Roma, sucumbia às invasões bárbaras em 476 d.C., o oriental – ou Bizantino – sobreviveria por mais mil anos, até 1453. Mas esse é um capítulo de outra história.

 

Bike para catacumbas DSC00442

 

Pílulas

Artista-referência do Barroco, Gian Lorenzo Bernini esculpiu a Fontana di Trevi, inativa para restauro até 2015, e a Fontana del Tritone, localizada diante do clássico hotel Bernini Bristol – cenário do filme e do livro O Código Da Vinci.

 

Além do belo mirante, o Monte Aventino esconde um segredo fascinante de ser descoberto à noite: a incrível vista que se tem da cúpula da Basílica de São Pedro, no Vaticano, a partir do buraco da fechadura do Priorato dei Cavalieri di Malta.

 

Ficam no entorno do Panteão duas paradas saborosas: a famosa Gelateria Giolitti, com longas filas para tomar o pastoso sorvete italiano, e a pequena Enoteca il Goccetto, onde os romanos degustam bons vinhos e petiscos.

 

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Água potável é um bem público gratuito de Roma há séculos. Cerca de 2.500 dessas torneiras conectadas a fontes naturais, as nasones, estão espalhadas pela cidade. Não esqueça de carregar sua garrafinha para enchê-las durante o passeio.

 

Assim como o castelo, fica do lá de lá do Rio Tibre (ou Tevere, em italiano) o bairro Trastevere, centro da vida noturna romana. Para uma boa comida romana sem foco em turistas, faça como Michele Obama e siga ao Ristorante San Michele.

 

Quem optar por fazer o tour guiado em português nas Catacumbas de São Calixto vai conhecer o paulista Antonio Pajola. Há 8 anos em Roma, o simpático padre salesiano orienta os visitantes entre as tumbas do quarto andar subterrâneo.

 

Ruas de Roma
Ruas de Roma

Serviço:

ROMA

 

PARA FICAR

HOTEL BERNINI BRISTOL

Piazza Barberini, 23; berninibristol.com

 

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PARA COMER

ENOTECA IL GOCCETTO

Via dei Banchi Vecchi, 14; ilgoccetto.com

 

GELATERIA GIOLITTI

Via Uffici del Vicario, 40; giolitti.it

 

RISTORANTE SAN MICHELE

Lungotevere Ripa, 7; ristorantesanmichele.com

 

PARA VISITAR

ARA PACIS

Lungotevere in Augusta; arapacis.it

 

Subterrâneos da Basílica San Clemente
Subterrâneos da Basílica San Clemente

BASILICA DI SAN CLEMENTE

Via Labicana, 95; basilicasanclemente.com

 

CASE ROMANE DI CELIO

Clivo di Scauro; caseromane.it

 

CASTELO SANTO ÂNGELO

Lungotevere Castello, 50; castelsantangelo.com

 

Forte Santo Ângelo, que abriga o Memorial do Imperador Adriano
Forte Santo Ângelo, que abriga o Memorial do Imperador Adriano

 

CATACUMBAS DE SÃO CALIXTO

Via Appia Antica, 110/126; catacombe.roma.it

 

CATACUMBAS DE SÃO SEBASTIÃO

Via Appia Antica, 116; catacombe.org

 

COLISEU

Piazza del Colosseo, 1; turismoroma.it

 

FÓRUM DE AUGUSTO

Via Alessandrina Tratto; viaggionelforodiaugusto.it

 

FÓRUM DE TRAJANO

Via dei Fori Imperiali

 

FÓRUM ROMANO

Via della Salaria Vecchia, 5/6; archeoroma.beniculturali.it

 

Vista geral do Fórum Romano
Vista geral do Fórum Romano

 

MERCADO DE TRAJANO

Via IV Novembre, 94; mercatiditraiano.it

 

PALATINO

Via di San Gregorio, 30; coopculture.it

 

PALAZZO MASSIMO ALLE TERME

largo di Villa Peretti, 1; archeoroma.beniculturali.it

 

PANTEÃO

Piazza della Rotonda; www.turismoroma.it

 

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Vista interna do Panteão

 

PRIORATO DEI CAVALIERI DI MALTA

Piazza dei Cavalieri di Malta; ordinedimaltaitalia.org

 

TEATRO DI MARCELLO

Via del Teatro di Marcello; turismoroma.it

 

MUSEUS CAPITOLINOS

Piazza del Campidoglio, 1; museicapitolini.org

 

PALAZZO VALENTINI

Via IV Novembre, 119/A; palazzovalentini.it

 

TERMAS DE CARACALLA

Viale delle Terme di Caracalla; archeorm.arti.beniculturali.it

 

TERMAS DE DIOCLECIANO

Viale Enrico De Nicola, 79; archeoroma.beniculturali.it

AGRADECIMENTOS: Danilo Morales e Pasion Italiana (pasionitaliana.com)

 

Termas de Diocleciano vistas de fora
Termas de Diocleciano vistas de fora

 

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Código de ética Same Same:

Esta reportagem foi publicada originalmente na Revista TAM Nas Nuvens, edição de setembro de 2014.

As passagens e todas as despesas foram pagas pela TAM.

O Hotel Bernini Bristol ofereceu duas diárias grátis.