Estudo sobre Mídias Sociais na ABCiber

Primeiro trabalho do meu Mestrado em Comunicação na Contemporaneidade na Faculdade Cásper Líbero a ser apresentado em um simpósio acadêmico, o estudo Mídias Sociais no Segmento de Viagens tem como corpus de pesquisa a principal empresa holandesa de transporte aéreo. Como a companhia aérea KLM transformou suas redes digitais em ferramentas de vendas e fontes de receita foi selecionado pela Comissão Científica do X Simpósio Nacional da ABCiber, realizado na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Trata-se de um dos grupos pertencentes ao Eixo Temático 13, que congrega trabalhos sobre Arquiteturas digitais de interação, novos modelos de negócios e economia do compartilhamento. Em sua décima edição, o encontro anual da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura reúne na Universidade de São Paulo a elite dos pensadores do país nos temas em destaque neste ano: Conectividade, hibridação e ecologias das redes digitais. Clique aqui para acessar o resumo do artigo e a apresentação para a ABCiber da pesquisa sobre a KLM.

Peru em foco na Rádio Vozes

Como é chegar a Machu Picchu por trilhas incas longe dos turistas? A nova série de podcasts do Programa Repórter Viageiro, da Rádio Vozes, tem o Peru como tema e responde a esta pergunta. Em outubro, Daniel Nunes esteve pela quarta vez no país, desta vez para percorrer a Rota de Lares e Vale Sagrado, um caminho de 5 dias com hospedagem nos lodges da grife Mountain Lodges. Os boletins do Repórter Viageiro, que Daniel estreou a convite da radialista Patrícia Palumbo em agosto de 2016 contando os bastidores dos Jogos Olímpicos do Rio, já apresentaram várias partes do planeta. Os ouvintes da rádio digital on-demand seguiram as andanças de Daniel por Tailândia, Vietnã, Nova York, Portugal e Alemanha. Dessa vez, o Peru é destrinchado por meio de sons, experiências e depoimentos de outros viajantes que percorreram a rota – como os participantes do Projeto TerraMundi Creators. Quem quiser acompanhar os boletins pode baixar o app da rádio no celular ou acessar o site.

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Hoi An, no Vietnã, é um templo de charme e delicadeza

Era fim de tarde do meu primeiro dia no Vietnã e decidi fazer aquela caminhada inicial de exploração no entorno do meu hotel, o Anantara, que fica bem ao lado do Centro Histórico. Eu estava em Hoi An, uma cidade colonial tombada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco mas pouco visitada por brasileiros – que conhecem mais as metrópoles de Hanói e Ho Chi Min (a antiga Saigon) e a fantástica baía de Halong.

 

Ruas do Old Town de Hoi An à noite (crédito Daniel Nunes/Same Same)
Ruas do Old Town de Hoi An à noite (crédito Daniel Nunes/Same Same)

 

Assim que adentrei as ruas de paralelepípedos da Old Town, a Cidade Antiga, sempre fechadas ao trânsito motorizado, já me senti entrando em uma redoma de paz. Afinal, o enxame de motocicletas que buzinam o tempo todo no Vietnã tinha ficado para trás. Aos poucos me vi cercado por casarões e sobrados preservados de quando aquele era um importante porto do Sudeste Asiático, entre os séculos 15 e 19. Hoje ocupadas por cafés, restaurantes, galerias de arte e lojas, as construções incorporaram nas decorações internas e nas fachadas um costume oriental que se tornou o símbolo de Hoi An: as lanternas coloridas. Bastou a noite ameaçar chegar e as luzes foram sendo acesas uma a uma, enchendo meu caminho de cor e magia.

 

Lanternas coloridas à venda nas ruas de Hoi An (crédito Daniel Nunes/Same Same)
Lanternas coloridas à venda nas ruas de Hoi An (crédito Daniel Nunes/Same Same)

 

O encantamento de boas-vindas estava só começando e se prolongaria pelos meus cinco dias ali. A começar pela surpresa daquele primeiro entardecer – que não tinha acabado. Quis me perder entrando em uma viela e me deparei com uma cena inesquecível. Do alto da pequena ponte que conecta o bulevar na beira do Rio Thu Bon com o mercado noturno da ilhota vizinha de An Hoi, dezenas de pessoas soltavam na correnteza umas espécies de barquinhos coloridos de papel com velas acesas.

 

Ritual de acender velas em barquinhos de papel em forma de flor de lótus (crédito Divulgação Hotel Anantara Hoi An)
Velas em barcos de papel em forma de flor de lótus (crédito Divulgação Hotel Anantara)

 

Eu já tinha visto antes algumas fotos daqueles arranjos em forma de flor de lótus flutuando entre os barcos do cais, mas acreditava se tratar de um ritual raro. No dia seguinte, meu guia Nguyen Van Trieu me explicaria: os visitantes têm repetido diariamente a cerimônia de encaminhar desejos a Buda que antes só era feita pelos nativos em datas especiais. Sorte de quem está lá na lua cheia: dizem que o comércio desliga suas luzes para que apenas as velas dos rios sejam o destaque no cenário de sonhos de Hoi An.

 

Meu ótimo guia, Nguyen Trieu (crédito Daniel Nunes/Same Same)

 

Ninguém diz exatamente quando a tradição teve início. Sabe-se apenas que o comércio fluvial no estuário do Rio Thu Bon data do século 7, quando o império do povo Cham dominava a região. “Hoi An sobreviveu incrivelmente aos muitos conflitos que o Vietnã tem vivido, ao longo da história, com países como China, Japão, França e Estados Unidos”, me contaria o guia Trieu, durante a caminhada histórica pela fascinante Old Town.

 

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A Ponte Japonesa, que aniversaria em 2017

 

A parada principal do tour, a Ponte Japonesa, por sinal, comemora 400 anos em 2017. Restrita a pedestres e com um altar a Buda em seu anexo, a ponte um dia dividiu Hoi An em chineses para um lado, japoneses para outro. E até hoje serve de fundo para as pomposas fotos dos casais de noivos da região.

 

Noivos posando para fotos: um clássico local (crédito Daniel Nunes/Same Same)
Noivos posando para fotos: um clássico local (crédito Daniel Nunes/Same Same)

 

Desde que Hoi An abriu suas portas ao turismo, nos anos 1990, quando se libertou do embargo imposto pelos Estados Unidos ao país desde a Guerra do Vietnã, antigos inimigos passaram a conviver em harmonia no ambiente cosmopolita de Hoi An.

 

Templo chinês com incenso gigantes (crédito Daniel Nunes/Same Same)
Templo chinês com incenso gigantes (crédito Daniel Nunes/Same Same)

 

Os chineses costumam constatar sua influência cultural nos muitos templos budistas. Japoneses adoram circular e fotografar sentados em algo parecido com um carrinho de bebê para adultos, sempre empurrados pela bicicleta de um vietnamita. Já os franceses se orgulham por terem inspirado a boa mesa em Hoi An. E os americanos são os campeões das encomendas de roupas sob medida nas muitas alfaiatarias da cidade.

 

Detalhe do passeio no barco do Anantara Meu ótimo guia, Nguyen Trieu (crédito Daniel Nunes/Same Same)
Detalhe do passeio no barco do Anantara (crédito Daniel Nunes/Same Same)

 

Sete em cada dez habitantes vivem do turismo, conduzindo sempre de forma doce e sorridente os visitantes em passeios de barco (os noturnos são os mais charmosos), nas pedaladas até a praia no Mar do Sul da China (a 5 quilômetros dali, cruzando arrozais) e atendendo em lojas bacanas que vendem de pôsteres originais de inspiração socialista até réplicas dos lendários barcos que ancoraram no mítico porto de Hoi An.

 

Pedalada pelas ruas rumo à praia: supercool Meu ótimo guia, Nguyen Trieu (crédito Daniel Nunes/Same Same)
Pedalada pelas ruas rumo à praia: supercool  (crédito Daniel Nunes/Same Same)

 

Eu fiz e recomendo de tudo um pouco – os passeios, as roupas, a pedalada… E, é claro, o lindo ritual das velas no rio para perpetuar a tradição.

 

Minha vez de acender velas e soltar no rio (crédito Daniel Nunes/Same Same)
Minha vez de acender velas e soltar no rio (crédito Daniel Nunes/Same Same)

 

SANTUÁRIO DE MY SON: VALE A ESTICADA

Investi um dia da minha estada em Hoi An para uma bela esticada: a visita ao Santuário de My Son. Localizada a 1 hora de Hoi An, My Son consiste em várias ruínas arqueológicas da antiga capital política e espiritual do Império Champa, do povo Cham, que habitou essas montanhas entre os séculos 4 e 13. Com pequenas torres e culto a deuses hindus, elas fazem lembrar a arquitetura de Angkor, os fantásticos templos do vizinho Camboja, e se tornaram outro Patrimônio da Humanidade vietnamita.

 

Santuário de My Son, relíquia a 1 hora de Hoi An Meu ótimo guia, Nguyen Trieu (crédito Daniel Nunes/Same Same)
Santuário de My Son, relíquia a 1 hora de Hoi An (crédito Daniel Nunes/Same Same)

 

Serviço:

Durma bem

Dúvida crucial na hora de reservar seu hotel: é melhor ficar na cidade ou na praia? Eu optei pelo Anantara Hoi An, coladinho no Centro Histórico, que fica à beira-rio e está a poucos passos das principais atrações de Hoi An.  E amei. Quem preferir o sossego e a brisa à beira-mar pode conferir a nova faceta do The Nam Hai, que em dezembro passou a integrar a seleção dos hotéis da rede Four Seasons.

Hotel Anantara Hoi An: meu abrigo à beira-rio (crédito Daniel Nunes/Same Same)

 

Coma bem

O The Morning Glory (106 Nguyen Thai Hoc St) é um clássico: amplo, mistura especialidades vietnamitas (como o cao lau, uma sopa de noodles com carne de porco) com pratos internacionais. Menor e escondido, o NU Eatary (10A Nguyen Thi Minh Khai St) comporta no máximo 20 pessoas e serve só delícias locais em ambiente caseiro.

Nu Eatary: fui duas vezes de tanto que gostei (crédito Daniel Nunes/Same Same)
Nu Eatary: fui duas vezes de tanto que gostei (crédito Daniel Nunes/Same Same)

 

Para uma experiência ímpar, tome um chá em silêncio no Reaching Out e seja servido pelo simpático staff só de moças surdas-mudas.

Reaching Out, o chá das surdas mudas: experiência inesquecível
Reaching Out, o chá das surdas mudas: experiência inesquecível

 

Viaje bem

Não existem voos diretos entre Brasil e Vietnã. A rota mais corriqueira é via Bangkok, na Tailândia, servida por várias companhias aéreas brasileiras. Da capital tailandesa, sim, voa-se, sem escalas em voos de 1h40, à Danang, cidade a 30 quilômetros de Hoi An. A viagem pelo Vietnã pode ser incrementada se incluir Hanoi, Halong Bay e Ho Chi Min.

Comércio local: tudo cheio de graça (crédito Daniel Nunes/Same Same)
Comércio local de roupas: tudo cheio de graça (crédito Daniel Nunes/Same Same)

 

Código de ética Same Same: o jornalista Daniel Nunes viajou ao Vietnã por sua conta e pagou suas despesas em Hoi An de transporte, alimentação e passeios. A hospedagem no hotel Anantara Hoi An foi uma cortesia.

Oficina de jornalismo de viagem na Cásper

Técnicas de reportagem e de texto para quem escreve sobre viagem: este será o foco principal do primeiro curso livre que darei na Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, em junho. Idealizado para atender tanto a alunos de jornalismo quanto a blogueiros e outros viajantes que curtem escrever, a oficina criativa vai ser uma oportunidade também pra compartilhar macetes da desafiadora experiência de trabalhar direto da estrada. A proposta é apresentar uma visão realista dessa carreira que muita gente vê como o ofício dos sonhos. Como vender uma pauta de viagem? De que forma descrever bem uma cachoeira, um hotel, uma experiência inspiradora? O convite para dar aula partiu do diretor Carlos Costa, que comandava a redação da Revista Quatro Rodas quando eu era um repórter iniciante, nos anos 1990. Vai ser legal compartilhar um pouco do que sei e de trocar ideias com outros amantes das viagens e da escrita. As aulas acontecem entre os dias 27 de junho, uma segunda-feira, e 30, quinta, sempre das 19h às 23h, ali no número 900 da Avenida Paulista. O curso custa R$360 e as inscrições podem ser feitas por aqui.

Em um workshop de fotos de viagem

No último mês tive o privilégio de participar de um workshop de fotografia de viagem bem legal. Aconteceu no Madalena Centro de Estudos da Imagem, e teve como mestre o Haroldo Castro, um dos mais rodados viajantes que conheço. Jornalista e fotógrafo talentoso e experiente, o Haroldo misturou esse background profissional com a paixão pela estrada e criou a Viajologia, uma agência que organiza jornadas para destinos exóticos como a Etiópia e Mongólia. Foi o Haroldo, por sinal, quem forneceu algumas imagens para minha reportagem sobre Etiópia no Estadão. No curso da Vila Madalena, ele orientou a mim e a outros amantes da foto a registrar, com olhar de estrangeiro, a Feira da Liberdade. O resultado foi publicado em dois posts da coluna dele na Revista Época – um sobre o lado oriental e outro sobre a porção ocidental da feira. Confira as fotos.

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Próxima palestra será na USP

E não é que deu certo a palestra que fiz sobre jornalismo de viagem no último sábado, dia 27? Foi minha primeira vez falando em público sobre o meu ofício, eu estava bem ansioso até subir ao palco, mas depois relaxei e fiz até o público dar risada. Minha falação por duas horas encerrou a semana O Viajante, de palestras comemorando os 15 anos da editora do Zizo Asnis, autor dos Guias Criativos dos Viajantes Independentes na América do Sul e na Europa. Contei como virei um contador de histórias de viagem profissional e como começar nessa carreira. Lembrei de episódios curiosos e dei dicas de texto, de ética e de relacionamento com o trade. Mostrei fotos de quatro viagens que fiz no último ano: Egito, Etiópia, Índia e Islândia. E de como um travel writer experiente tem de se adaptar às novas tecnologias para virar um travel blogger iniciante. A boa notícia é que fui convidado para falar também para alunos da USP. Em breve divulgo a data pelo facebook.com/samesamenews. Continuar lendo Próxima palestra será na USP

Estadão publica reportagem da Etiópia

Acabou o mistério: pra quem não estava entendendo o meu sumiço nos últimos dias, hoje veio a resposta. Nesta terça-feira, dia 15, foi publicado no Caderno Viagem, do Estadão, minha matéria sobre a Etiópia (ao qual me dediquei desde que voltei ao Brasil). São 5 páginas contando um pouco de como foram meus 5 dias no país. Parei ali na volta da viagem à Índia para o #KeralaBlogExpress e tive a sorte de acompanhar alguns rituais quase tão lindos quanto os que eles fazem nos próximos dias, durante a Páscoa da Igreja Cristã ortodoxa. Acompanhem a matéria do Estadão e voltem aqui para conhecer relatos dos bastidores nos próximos dias. Continuar lendo Estadão publica reportagem da Etiópia

Na Índia ninguém diz bom dia, por favor e obrigado

Em cada um dos, sei lá, vinte e tantos hotéis que nós, os 27 travelwriters do #KeralaBlogExpress, visitamos em 17 dias, fomos recebidos como marajás. Lindas indianas vestidas com sáris reluzentes vinham até o ônibus colocar colares de flores cheirosas nos nossos pescoços e pintar nossas testas – ou nossos “terceiros olhos” – com um pingo de pasta de cores vistosas como vermelho e amarelo (como é comum em vários templos hindus). Em meio ao aroma de incenso, toalhinhas umedecidas e refrigeradas chegavam na bandeja seguinte, em uma simpática iniciativa para amenizar o bafo quente da vida real sem ar-condicionado do mês de março no Sul da Índia. Continuar lendo Na Índia ninguém diz bom dia, por favor e obrigado

Dessa vez, Índia me recebe em paz

A vida é feita de imprevistos, e a gente tem certeza disso quando viaja e tem de se adaptar a uma dose intensa de experiências de vida.

 

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Tive mais um exemplo disso hoje, ao desembarcar depois de 30 horas de viagem para o #KeralaBlogExpress e não ter ninguém me esperando no aeroporto. Foi um atraso rápido, talvez de 15 minutos, mas que durou uma eternidade para mim que fui o último a restar no saguão de desembarque do simplório aeroporto de Trivandrum (abreviatura carinhosa para o isoletrável nome da capital de #Kerala, Thiruvananthapuram). Não havia sinal de wi-fi para que eu pudesse checar se tinha recebido algum e-mail com explicação sobre o que estava acontecendo. Meu celular naturalmente não funcionava no extremo sul da Índia. E o cheio-de-good-karma adolescente que atendia na portinha de informações turísticas e se disponibilizou a ligar do seu próprio celular para meus anfitriões do @KeralaTourism recebia mensagem de que aquele número não existia (sem contar que o amigo não tinha nem um computador pra eu poder pedir pra checar meu gmail).

 

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Quando eu já sondava o preço do táxi para me levar pelos 38 km até o #Estuary IslandResort em Poova… Hare Krishna Hare Hare! Aparecem Reji e Sooraj, meus anjos da guarda hindus, com meu nome completinho escrito num ipad. Não sei quem ficou mais feliz: eu, zureta de cansaço; o Reji, motorista que estava fazendo aquele bate-e-volta pela 27a vez; ou o Sooraj, um imberbe funcionário do departamento de mídias sociais da agência #Starck, que desenvolveu para o cliente #KeralaTourism esta campanha ousada para divulgar o turismo da região mundo afora. Os dois anfitriões pegaram um baita trânsito em meio ao mar de tuc-tucs que não param de buzinar um segundo, coitados, e achavam que tinham me perdido. Justo eu, o último dos 27 blogueiros (sim, vieram dois a mais que os 25 anunciados, ainda não entendi o porquê) a desembarcar, e logo no primeiro dia dessa espécie de press trip de 17 dias com travelwriters de 14 países subindo o estado de Kerala de Sul (Trivandrum) a Norte (Kochi).

 

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Os imprevistos haviam começado cedo dessa vez. Quando, ainda em São Paulo, cheguei ao aeroporto de Guarulhos crente que estava ali duas horas antes do embarque, não havia viv’alma no check-in. Nada. Nem passageiros, tampouco funcionários da Ethiopian Airlines. Como o voo estava programado para partir 1h15 do domingo, dia 9, já achei que tinha repetido o vacilo de chegar na madrugada errada. Mas não. Eu tinha adquirido o bilhete, graças a uma cortesia incrível da Ethiopian Airlines, antes do fim do horário de verão. Ou seja: o voo partiria às 24h15, e os funcionários já estavam quase todos cuidando do embarque dos 99 passageiros – cabem 270 nos gigantescos Dreamliner Boeing 787-8 que fazem as rotas Guarulhos-Lome/Togo(7h) – Togo-Addis Abaaba/Etiópia (+5h)  e também Addis-Mumbai/Índia (+5h). A boa notícia, depois que uma atendente se materializou de repente e eu fui o último a embarcar, todo esbaforido, é que eu teria três assentos para me esparramar desmaiado na classe econômica. Eu não disse que a vida é feita de imprevistos?

 

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Mas eu contava da chegada (e isso aqui é um blog, e não um livro). Ao chegar ao hotel #EstuaryIslandResort e me deparar com a piscina de frente para um gramado com redes,  sentir a brisa do estuário e mirar a praia linda adiante, tive uma certeza: eu não iria almoçar em 15 minutos, sem tomar banho depois daquela maratona, só pra encontrar meus 26 coleguinhas no programa do primeiro dia. Assumi minhas limitações físicas e psicológicas para atitude tão guerreira e fui liberado, sem pressão contrária alguma de Reji e Sooraj, para descansar. Hare Hama, Hare Hare!

 

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A ordem foi: banho demorado em um dos 88 quartos do hotel + almoço (um sensacional ensopado de camarões ao leite de coco com arroz, no restaurante do hotel #EstuaryIslandResort à beira do estuário) + travessia de barquinho pra um banho de mar entre pescadores artesanais (me chamaram pra ajudar o barco pro mar, foi beeem roots) + 1h40 da inesquecível-enlouquecedora-relaxantíssima massagem ayurvedica neste que é o berço da medicina tradicional indiana. Foram os 140 reais mais bem pagos dessa minha encarnação, Brahma que não me deixe mentir. Além da massagem (que inclui um esfrega-esfrega na cabeça que ressuscita até uns neurônios que o stress do jornalismo tinha assassinado) e da pressão de uma espécie de bucha com ervas quentes em cada DNA da minhas células, fiz meu debut no sirodhara, aquele método em que um filete de óleo quente é derramado parece-que-por-horas no terceiro olho da sua testa. Se eu pudesse, levava o Soodish, o massagista, pra fazer isso em SP todos os dias da minha vida. Hare Om, Hare Om, Hare Om.

 

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Quando eu saio da massagem, levitando a um palmo do gramado, sou avisado de que vai começar a apresentação de Kathakali, uma tradição Keraliana que existe desde o século 2 e que assumiu sua forma de espetáculo de dança, teatro e percussão “recentemente” (para os padrões indianos), no século 17. Eu já tinha visto, à tarde, o Bijulal, o Hairi e o Prasda se maquiando, juro, por umas três horas. Mas quando eles chegaram todos paramentados, me deu vontade de indicá-los também ao Oscar de melhor figurino. Por 1h15 eles contaram, à beira do estuário, duas lendas retiradas do sagrado Mahabharatha, com direito a simulação de luta e de morte, sempre ao som-alterador-de-consciente de dois tambores e daqueles pratinhos estridentes indianos.

 

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Só no final disso tudo, quando fui para o jantar, é que finalmente conheci, ainda que rapidamente, alguns dos outros viajantes do grupo, que tinham passado o dia pra –lá-e-pra-cá visitando a região. Talvez eu tenha deixado de conhecer coisas legais – disseram que o pôr-do-sol em Kovalam Beach foi sensacional. Mas garanto que não havia forma mais prazerosa de as divindades indianas me receberem de novo na Índia, dez anos depois da primeira viagem, do que do jeito que fui bem tratado em Kerala. Namasté!

 

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Código de Ética SS:

Viajei a convite do Kerala Tourism após ficar em 23o lugar entre os bloggers de viagem mais votados do mundo (entre 600 inscritos) no concurso Kerala Blog Express. Os destinos, hotéis e restaurantes ofereceram seus serviços de graça.

Esta viagem não teria acontecido sem o patrocínio da Ethiopian Airlines (www.ethiopianairlines.com), recém-chegada ao Brasil, e que bancou as passagens aéreas entre São Paulo e Mumbai, via Addis Ababa, na Etiópia.

Tudo pronto para viajar a Kerala

Bem, na verdade não está tudo tão pronto assim. Falta eu finalizar alguns trabalhos para poder viajar tranquilo. Mas a mala já está quase pronta, as passagens impressas, o visto de jornalista confirmado. A partir de segunda-feira, dia 10 de março, me junto a outros 26 viajantes que chegam de várias partes do planeta para começar uma expedição de 17 dias pelo Sul da Índia. O #keralablogexpress parte de Trivandrum, no Sul, e termina em Kochi, ao Norte, passando por lugares como Kovalam e Kumarakon.

Fort Kochi (foto Kerala Tourism)
Fort Kochi (foto Kerala Tourism)

O roteiro organizado pelo #Kerala Tourism já está detalhado no site deles, o www.keralablogexpress.com, mas minha saga começa bem antes. Graças a mais uma parceria de sucesso com a Ethiopian Airlines (que tem passagens de ida e volta para a Índia por cerca de 1.000 dólares!), meu voo parte de Guarulhos para Addis Ababa, capital do país africano, e de lá eu sigo em voo direto para Mumbai. Por fim, pego outro voo regional para Trivandrum.

Kovalam (foto Kerala Tourism)
Kovalam (foto Kerala Tourism)

A primeira dobradinha que fiz com a Ethiopian, em dezembro, foi fundamental para eu ter tido o prazer de publicar seis páginas no Caderno Viagem, do Estadão, sobre o Egito, na terça, 25 de fevereiro. Dessa vez, na volta de Índia, retornarei à Etiópia com 5 noites para produzir matérias sobre o país.

Apesar de uma comunicação inicialmente meio truncada com os organizadores, a viagem à Índia começou a ficar mais clara depois do anúncio oficial dos ganhadores via twitter. Depois disso, os expedicionários já fizeram várias conexões bacanas. Do Brasil, por exemplo, seremos três representantes. Eu, pelo Same Same, o Oscar Augusto Risch Neto, que mora na Nova Zelândia e toca com o namorado Maurício o excelente www.MauOscar.com, e a Gaía Passarelli, do suculento www.gaiapassarelli.com, também louca por música e ex-VJ da MTV. Os dois já estão chegando por lá.

Kumarakon (foto Kerala Tourism)
Kumarakon (foto Kerala Tourism)

Tem muito mais gente bacana. Acompanhem no link. E não deixem de frequentar o Same Same durante todo o mês de março. Para não perderem nada, sigam também os posts curtos no Twitter @samesameblog (compartilhem!) e as fotos pelo Instagram samesamephoto. Namasté!