Vida no deserto

Vítima do genocídio alemão há apenas 110 anos e do apartheid durante o domínio sul-africano, o país se reinventou e celebra as bodas de prata de sua liberdade praticando um turismo sustentável e seguro

Lugar onde não existe nada. Quem observa pela janela do avião a vastidão inabitada da Namíbia logo entende esse curioso significado do nome do país na língua dos nama, uma das 13 etnias locais. Parece que lá embaixo tem apenas deserto. O nada-sem-fim só é interrompido quando o avião se aproxima da pequena capital Windhoek, destino do voo da South African Airways vindo da cidade sul-africana de Johannesburgo – rota mais direta para quem viaja do Brasil. Naquele centro urbano quase sem prédios vivem 340 mil dos poucos 2,3 milhões de habitantes dessa nação que se renova: em 2015 celebra-se 25 anos de independência da Namíbia, que desde março é liderada por seu terceiro presidente, Hage Geingob.

 

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Basta pousar e caminhar pelo centro urbano para se surpreender com uma peculiaridade namibiana. Tanto as ruas como a população, 90% negra, adotam nomes alemães: Fritz, Wolfgang, Frida. A arquitetura germânica salta aos olhos e, nas igrejas, nota-se a dominância do cristianismo luterano. Embora o português Diogo Cão tenha chegado à região em 1484, ele desprezou aquela sucessão de desertos pouco atraente. Assim, o lugar preservou-se de invasores por exatos 400 anos. Até que a Alemanha chegou para colonizar a então chamada África do Sudoeste, em 1884, ficando até 1915, quando saiu em plena Primeira Guerra Mundial. Não por acaso, os alemães são os visitantes mais comuns atualmente – e a cerveja da Namíbia tenha qualidade e boa fama comparável à dos colonizadores.

 

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Cicatrizes históricas

A colonização europeia, como se sabe, foi bem violenta em países da África e da América. Na Namíbia, em especial, a ocupação alemã deixou feridas dolorosas. Ali aconteceu aquele que é considerado o primeiro genocídio do século 20, entre 1904 e 1908, quando o mundo ainda nem sonhava com os terrores de Adolf Hitler. Há documentos comprovando que o general alemão Lothar Von Trotha ordenou o extermínio de todos os herero que se recusassem a deixar o país. A Alemanha nunca admitiu a tragédia oficialmente. Mas o impacto nas duas etnias mais perseguidas foi devastador: restaram apenas 15 mil herero (dos 85 mil existentes na época) e 10 mil nama (dos 20 mil que teriam se rebelado no conflito). Parte desse episódio pouco difundido mundo afora pode ser conhecido no Independence Memorial Museum, inaugurado em 2014 na capital.

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Igualmente traumática é a outra mancha na história recente da Namíbia. A África do Sul, que tinha invadido o país durante a Primeira Guerra, instaurou em 1948 o mesmo regime racista do Apartheid que segregava brancos e negros – o que fez com que até hoje exista uma minoria branca no topo da cadeia sócio-econômica do país. O apartheid namibiano só caiu em 1990. Foi quando, depois de quase um século de sofrimento, a Namíbia conquistou a sua independência. Mas com uma vantagem: nesses 25 anos, ela não sucumbiu mais a grandes conflitos, como aconteceu com vários países da região após se tornarem livres.

 

Himba vendendo boneca na estrada
Himba vendendo boneca na estrada

 

Pelo contrário. Rica em minérios como diamante e urânio e habitada por tribos de cultura preservada, a Namíbia incluiu a conservação de seus recursos naturais na constituição e descobriu no turismo uma fonte econômica importante. “É um país único, que se diferencia de outras nações africanas por proporcionar muito mais que safáris fantásticos”, define Danilo Rondinelli, proprietário da operadora TerraMundi, que há seis anos leva brasileiros para lá. De fato, a partir de Windhoek, os viajantes costumam fazer safári no Etosha e depois seguem para visitar sítios arqueológicos, tribos superfotogênicas, um litoral peculiar e desertos com paisagens de outro planeta. “Depois de 2012, o número de visitantes que levamos para lá dobrou”, conta Danilo. São exploradores que evitam destinos de massa e curtem ir aonde pouco gente foi.”

 

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Etnia Damara em apresentação para visitantes

 

 

Dunas de Sossusvlei, Playground para fotógrafos

Se a Namíbia fosse um destino pop e tivesse de escolher uma imagem como seu cartão-postal, ela seria Sossusvlei. A cada amanhecer, um punhado de estrangeiros sonolentos mira todo tipo de lente fotográfica para este verdadeiro mar de dunas gigantes avermelhadas. As câmeras costumam registrar os momentos mais sublimes no trecho chamado Deadvlei, no centro de um desses areais. É onde troncos tortos projetam a sombra de seus galhos no chão esbranquiçado por sal e argila, em um contraste impactante com a duna ao fundo e o céu azul. Não por acaso Deadvlei, que nada mais é que o leito seco do Rio Tsauchab cujo fluxo foi interrompido pelas areias móveis, se tornou objeto de desejo de fotógrafos profissionais como Sebastião Salgado e J.R.Duran. “Passei seis dias fazendo um safári aéreo e jamais vou me esquecer da cena impressionante do deserto chegando até o mar”, conta Duran.

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Localizado a 300 quilômetros de Windhoek, Sossusvlei pertence ao Deserto de Namibe, que batiza o país e cobre seu interior de sul a norte. Com estimados 55 milhões de anos, ele é considerado um dos mais velhos e secos da Terra, além de dono das dunas mais altas do mundo, com cerca de 300 metros. Junto com a outra grande região desértica nacional, a do Kalahari, que avança aos limites de Botsuana e possui mais água e árvores, Sossusvlei contribui para que dois terços do país sejam dominados por áreas desérticas.

 

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Partindo da capital, chega-se a Sossusvlei tanto por ar – normalmente, voando nos teco-tecos que levam aos lodges – quanto por terra – de preferência, em veículos 4×4. Na Namíbia, dirige-se por horas sem ver viv’alma – e assim entende-se a baixa densidade demográfica de 2 habitantes por quilômetro quadrado em um território de 850 quilômetros quadrados, pouco maior que três estados de São Paulo. O contraste dos ventos quentes do interior com a brisa gelada do mar provoca neblina no vasto trecho onde o deserto encontra o litoral – e por vezes adia ou atrasa os voos pela região.

 

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Como no deserto quase nunca chove, hotéis como o Little Kulala (www.wilderness-safaris.com/camps/little-kulala) deixam a opção de o hóspede dormir em uma cama fora, ao ar livre, no terraço de cada chalé. Me rendi à experiência por duas noite e garanto: poucos prazeres são maiores do que abrir os olhos no meio da noite e se deparar com uma infinidade de estrelas forrando o céu. Para melhorar, um bom edredon protege do vento do deserto, e praticamente não há insetos no local. A imersão na natureza fica mais profunda quando, antes de dormir, o jantar acontece também no meio do nada namibiano: um caminho de tochas leva os hóspedes até as mesas e a fogueira central – onde os petiscos, as cervejas da Namíbia e os bons vinhos sul-africanos são servidos.

 

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Ao acordar, outra surpresa. Enquanto se toma café da manhã na sacada do restaurante do hotel, parece que o safári vem até você: dá para ver alguns orix e springboks, os antílopes mais comuns do pedaço, tomando água na poça d’água que fica poucos metros adiante. Os belos selvagens costumam posar para zooms potentes nos passeios de cada dia, como a aventura de pilotar quadriciclos, a caminhada em meio ao cânion Sesriem, os voos de balão e a subida nas dunas que levam ao Deadvlei – caso da famosa Big Daddy. Observar as pegadas dos animais na areia é uma das diversões durante o belo trekking de 1 hora em meio ao deserto de Sossusvlei. Só não é bom deixar-se levar pela beleza e parar demais no caminho. Quem perde as primeiras luzes em Deadvlei corre o risco de voltar sem boas fotos do lindo cartão-postal Namíbia.

 

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Heróis da resistência vivos em Damaraland

Os viajantes chegam a Damaraland atraídos por pinturas rupestres e florestas petrificadas, mas deixam o lugar encantados ainda mais pelo contato com as tradições do povos Damara e Himba

 

Funcionários recebem os visitantes cantando no Doro Nawas
Funcionários recebem os visitantes cantando no Doro Nawas

 

Sabe aqueles corais africanos supercontagiantes, com a voz estridente das mulheres contrastando com o tom grave dos homens – e todo mundo esbanjando alegria e molejo enquanto dança? É um desses que recebe os visitantes do lodge Doro Nawas (wilderness-safaris.com/camps/doro-nawas-camp), na região de Damaraland, no centro-norte do país. Não por acaso o staff do hotel ganhou um concurso nacional de cantores. Eles conseguem melhorar até o mal-estar de quem pousa enjoado dos voos nos aviões pequenos bem comuns no transporte interno pela Namíbia. A recepção amigável costuma ter ainda drinks e uma toalha úmida e gelada para amenizar o calor seco do deserto. Nada impressiona mais, porém, que a simpatia dos anfitriões do povo damara, que dá nome a região, assim como de outros nativos da área.

 

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O atrativo número 1 de quem inclui essa parada em sua exploração da Namíbia é arqueológico. Fica aí, a 430 quilômetros de Windhoek, o Patrimônio da Humanidade Twyfelfontein, uma sucessão de rochas muito bem preservadas em seu sítio original e onde estão 2500 pinturas e inscrições rupestres datadas da Idade da Pedra. As imagens retratam animais como rinocerontes, girafas e até um leão cujo rabo tem a forma de uma mão. “Como não havia metal para fazer as gravuras, nossos antepassados Bushman usavam rochas de quartzo como ferramentas”, conta a damara Sylvia Thanises, uma das 17 guias.

 

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Twyfelfontein, as pinturas que se transformaram em Patrimônio da Humanidade

 

Mais antigas que as obras de arte de Twyfelfontein são as florestas petrificadas vizinhas. Não se trata de um bosque em pé. Cerca de 50 troncos de árvores coníferas medindo até 34 metros de comprimento, e com mais de 200 milhões de anos, estão caídos no solo. Segundo os cientistas, elas foram trazidas em enxurradas e cobertas pelo deserto. “Protegidas” nesse ambiente de oxigênio zero, sem chuva e forradas por sedimentos de sílica, as madeiras foram “mineralizadas” e viraram fósseis. Pedra mesmo! Entre elas espalham-se várias Welwitschia mirabilis, planta nacional da Namíbia. Rasteira, ela tem só duas folhas que ultrapassam 8 metros de comprimento. “Elam resistem a cinco anos sem chuva”, explicou o guia Justus Sûxub. “E podem viver bem mais de um milênio.

 

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Enfim, os humanos.

É no caminho para esses verdadeiros museus ao ar livre que pode-se fazer outro contato com o povo. Seja qual for a etnia do guia, do motorista ou do anfitrião, ele costuma sempre se divertir ao mostrar diferenças culturais como os “cliques”, sons de estalos que fazem ao pronunciar várias das mais de 10 línguas tribais. É o caso dos 27 descendentes damara que trabalham no Museu Vivo dos Damara (lcfn.info/damara). Encravado entre rochas lindas e gigantes a 8 quilômetros do Parque de Twyfelfontein, o centro cultural permite conhecer moradas e danças tradicionais, além do artesanato feito de couro e rocha. “Queremos resgatar a cultura que se perdeu ao longo da colonização”, diz a anfitriã Maureen Hoes. A experiência seria mais autêntica se, ao final do expediente, não tivéssemos visto as mesmas pessoas que tinham se apresentado com poucas roupas e estilo “primitivo” passarem por nosso jipe vestindo mochila, tênis e calça jeans ao voltarem para suas vilas. Mas a visita vale a pena.

 

 

Felizmente, em uma das esquinas da desabitada estrada de volta ao hotel, nos deparamos com duas mulheres e uma criança da fotogênica etnia himba. Dessa vez, não era pra-gringo-ver que as nativas usavam seios à mostra e saias feitas de couro de bode. Nômades, Vezapopare e Veriazako tinham viajado 200 quilômetros para vender colares e pequenas bonecas. As miniaturas reproduziam a estética das himba, que lambuzam o corpo com um barro avermelhado – o mesmo usado para decorar seus cabelos com uma espécie de dreadlock de rastafári.

 

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“Só voltamos para casa, em Opuwo, depois de vender tudo”, disse, na língua himba, Vezapopare. Ainda que o turismo esteja engatinhando na Namíbia, as himba já aprenderam que os turistas são carentes de souvenires do país. E que, caso queiram fotografá-las, devem desembolsar alguns dólares namibianos.

 

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Nômades de etnia himba: barro nos dreadlocks

 

Safári no Etosha: Cara-a-cara com o leão

Safáris são todos iguais? Na opinião dos especialistas, não é bem assim. Safáris de várias partes do mundo têm em comum a caçada fotográfica a animais ao ar livre, normalmente a bordo de jipões 4×4. Mas sempre mudam os bichos, o ambiente, os tipos de hospedagem, os outros atrativos do país. Nessa disputa, o do Parque Nacional de Etosha, criado em 1907 no Norte da Namíbia, quase fronteira com Angola, é tido como de elite. “Ele está entre meus 4 safáris top do planeta,” afirma Danilo Rondinelli, que já esteve em 20 parques de safári de 12 países africanos. “Há abundância de animais raros em paisagens espetaculares como o lago de sal Etosha Pan”, explica Rondinelli, dono da agência TerraMundi. Segundo ele, a viagem à Namíbia costuma ser combinada com esticadas a África do Sul, passagem obrigatória para os brasileiros, e Botsuana, o país vizinho que tem safáris diferentes desse, em regiões mais úmidas e verdes.

 

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Superameaçados de extinção, são facilmente avistadas no Etosha. A mais bem sucedida ação de preservação desses últimos, iniciativa da rede hoteleira Wilderness Safaris (www.wilderness-safaris.com), tem contribuído para evitar o desaparecimento dos cerca de 4.000 rinocerontes-negros sobreviventes em ambiente selvagem: alguns animais chegam a ser transportados em aviões para que procriem em áreas selvagens mais seguras. Até os temidos leões, escassos em outras partes do continente, dão as caras várias vezes aos visitantes do Etosha. “Existem uns 400 deles espalhados por essa área”, orgulhava-se Gabriel Zuma, guia do Ongava Tented Camp (www.wilderness-safaris.com/camps/ongava-tented-camp), enquanto o Land Rover do grupo chegava a 5 metros de uma família de leões com a cara ensanguentada após devorar uma zebra.

 

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Uma das experiências mais marcantes da visita à região foi justamente se hospedar em uma das oito barracas de lona desse acampamento de luxo na Reserva Privada de Ongava, que fica colada ao Parque de Etosha. E se um leão resolvesse rasgá-la? Para fazer lembrar que não estávamos em uma inofensiva réplica da Disney World, na calada da noite foi possível ouvir rugidos assustadores no entorno da tenda. E, pela manhã, tomei um susto ao sair e quase pisar em uma tal cobra zebra, que cospe o veneno em suas vítimas. Felizmente aquela era ruim de mira: me safei do cuspe da peçonhenta. Os dois episódios foram suficientes para eu entender o porquê de os hóspedes serem proibidos de circular da tenda para o restaurante ou a recepção sem um segurança armado ao lado. Todo cuidado é válido para curtir a vida animal realmente selvagem da região de Etosha.

 

Etosha Pan e a tempestade chegando
Etosha Pan e a tempestade chegando

 

Amyr Klink: da travessia do

Atlântico à road trip em família

A Namíbia foi o país escolhido pelo navegador Amyr Klink como ponto de partida do seu primeiro grande desafio como explorador: a travessia solitária do Oceano Atlântico a remo. Em 1984, então com 29 anos, ele zarpou com o barco I.A.T. do porto de Lüderitz, cidade vizinha à perigosa Costa dos Esqueletos, que tem esse nome em função dos ossos, tanto de humanos quanto de animais, espalhados pela praia. “A partir dali a corrente de Benguela se afasta da orla e deflete para dentro do Atlântico; é o lugar onde começam os ventos alísios que sopram fortes e regulares até o Nordeste do Brasil”, descreveu no livro Cem Dias Entre Céu e Mar, best seller com 340 mil cópias vendidas. A jornada deu certo: o barco superou ondas bravas e tempestades, chegando enfim à Bahia. Amyr realizaria outros feitos que o transformaram em um navegador respeitado, e a paixão pela Namíbia jamais cessou. “O país é seguro e econômico”, analisa. “Voltei duas vezes e tenho planos de retornar ainda esse ano.”

 

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Sua última viagem ao país foi em 2013, com a esposa e as três filhas, dessa vez para uma empreitada de 4 semanas que incluía também a África do Sul. “Voamos para Windhoek, alugamos um 4×4 e cruzamos o país por terra sentido litoral”, recorda Amyr. “As meninas se divertiram especialmente com os animais”, conta. O interior desértico do país tem os bichos terrestres típicos dos safáris, enquanto o litoral das cidades de Lüderitz, Walvis Bay e Swakopmond é morada de espécies de focas, pinguins, flamingos e pelicanos. “Foi na costa que matei as saudades dos amigos que fiz e dos ótimos frutos do mar”.

 

Placa em homenagem ao navegador brasileiro
Placa em homenagem ao navegador brasileiro (foto MARINA KLINK)

 

Estes centros urbanos litorâneos preservam a arquitetura europeia e ventos fortes que transformaram a região em um oásis para praticantes de esportes à vela como kitesurfe e windsurfe. Já a Costa dos Esqueletos, que sobe até a fronteira com Angola, tem um clima de mistério no ar, causado pela neblina frequente e pelos cascos de navios naufragados que restaram na praia. Um ambiente sombrio paira também sobre Elizabeth Bay, 25 quilômetros ao sul de Lüderitz, um longevo centro de exploração de diamantes que ganhou fama de povoado-fantasma. E até o refúgio natural de Shark Island, balneário de Lüderitz, guarda a memória de quando o local era campo de prisioneiros das etnias perseguidas pelos colonizadores alemães.

 

Família Klink viajando de carro pela Namíbia (foto MARINA KLINK)
Família Klink viajando de carro pela Namíbia (foto MARINA KLINK)

 

Aos poucos, os namibianos vão aprendendo a valorizar sua história de resistência. Na praça de Lüderitz onde foi instalada a Klink Plake, placa em homenagem ao marinheiro brasileiro, já não existe a estátua vizinha em referência ao fundador da cidade, o alemão Adolf Lüderitz – escultura que Amyr viu em sua histórica partida a remo em 1984. “Decidiram trocá-la pela de Cornelius Frederiks, um dos heróis rebeldes que lutaram contra a ocupação alemã”, relata Amyr. Outro ponto interessante de visita para brasileiros que queiram seguir os passos de Capitão Klink é a Lüderitz Safaris & Tours. Agência e loja de souvenirs, a empresa é comandada por Marion Schelkle, que junto com seu ex-marido Gunther deram abrigo ao brasileiro antes da partida heroica do I.A.T. Vale a pena passar ali para, quem sabe, ouvir as histórias da preparação de Amyr antes de encarar sua grande saga pelo Atlântico Sul. Foi o que fizeram os Klink ao visitar Lüderitz, de carro, há dois anos. De lá eles dirigiram até a Cidade do Cabo, onde concluíram os quase 5.000 quilômetros rodados e pegaram o voo de volta ao Brasil.

 

Orix, um dos mais belos animais da região
Orix, um dos mais belos animais da região

 

 

Pílulas de curiosidades:

  • Já ouviu falar dos círculos das fadas da Namíbia? Em Damaraland, uma infinidade de círculos parece ter sido desenhada no campo de gramíneas baixas. Ali, no entanto, não cresce mato algum. Há quem diga que são obras de cupins – mas o povo himba chama de “pegadas dos deuses”.

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  • O jeito mais espetacular – e exclusivo – de ver as dunas gigantes coladas ao mar, os círculos das fadas e os barcos naufragados da Costa do Esqueleto é de cima. Por 4 a 6 dias – e 15 mil dólares – pode-se explorar o melhor da Namíbia em aviões particulares para 2 a 8 pessoas.

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. O fotógrafo e jornalista Haroldo Castro (viajologia.com.br) costuma conduzir grupos de brasileiros em um safári fotográfico pelo melhor da Namíbia. No roteiro estão o Parque Nacional de Etosha, a tribo himba e as dunas avermelhadas de Sossusvlei, onde fica o Parque Namib-Naukluft.

 

Para entender a Namíbia

Visto: Não é preciso visto prévio para entrar no país.

Melhor época: na seca, de junho a outubro, fica mais fácil avistar os animais, todos concentrados no entorno da água.

Moeda: dólar namibiano, o nad. 1 real equivale a cerca de 3,74 nads. 1 dólar americano compra 12 nads.

Língua: Cerca de 20 línguas são usadas no país, mas o inglês é a oficial – embora boa parte dos namibianos fale alemão e africâner (a língua de origem holandesa presente também na África do Sul).

Quem leva: A agência de viagens TERRAMUNDI produz roteiros personalizados e em grupo para a Namíbia (www.terramundi.com.br).

Onde ficar: Uma das pioneiras do continente, a rede de lodges e acampamentos de luxo Wilderness Safaris (www.wilderness-safaris.com) tem unidades em toda a Namíbia.

 

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O REPÓRTER SE HOSPEDOU NA NAMÍBIA A CONVITE DA WILDERNESS SAFARIS (www.wilderness-safaris.com)

Todas as fotos são de autoria de Daniel Nunes Gonçalves/SAMESAMEPHOTO

Cara a cara com a Tanzânia selvagem

Eram 19h30, início de uma noite seca de junho. As savanas amareladas do Parque Nacional Serengeti, maior reserva natural da Tanzânia, davam lugar ao breu entre rugidos e uivos misteriosos. Os veículos de safári já tinham levado os visitantes de volta para os únicos quatro hotéis do parque e os funcionários que haviam terminado o expediente se trancavam em suas casas, nas isoladas vilas de empregados construídas a 1 quilômetro de cada hotel. Foi quando, despretensiosamente, o camareiro Leonce Marmo, 30 anos, quebrou a regra que proíbe qualquer caminhada naquela área inóspita. Cansado do confinamento causado pela ameaça real dos animais selvagens, Marmo foi visitar o alojamento dos motoristas de safári. ”Fica muito perto, a poucas centenas de metros da vila“, conta o guia Allawi Ally, 45 anos, que é quem narra o episódio. Quando o camareiro voltava para casa, aconteceu a tragédia: uma elefanta surgiu no caminho e, assustada diante da ameaça ao filhote que protegia, atacou o homem. Furou a barriga de Marmo com uma de suas presas, quebrou a perna direita dele ao atirá-lo ao chão e sumiu na escuridão. Internado em estado grave até hoje, Marmo sentiu um pouco do gosto cru da morte. Não como vítima de um crime ou de um acidente repentino do mundo civilizado, mas de um ciclo natural pela sobrevivência, no qual o homem é tão bicho quanto a hiena que devora uma gazela ou a zebra que foge do leão faminto. Nos rincões deste país do mais selvagem continente do planeta, o dia-a-dia se mostra assim, frio, visceral. Cruel.

Masai vestida com roupa típica (foto de Gilvan Barreto, www.gilvanbarreto.com)

 

O dia seguinte se passou pacato como todos os outros na região entre o norte da Tanzânia e o sul do Quênia, principal destino dos safáris na África. Por volta das 6 horas da manhã, quando o sol dourou as acácias, os visitantes surgiram pontilhando a savana. Protegidos por jipes robustos, eles chegaram com câmeras e binóculos para praticar o suave exercício de tiro ao alvo que pouco tem a ver com esta realidade selvagem. No Serengeti e nas reservas vizinhas de Ngorongoro, Lago Manyara e Tarangire, homens e mulheres de roupa cáqui e chapéu de Indiana Jones desfrutam o dia como voyeurs, de prazer quase sádico, vendo outras formas de vida lutar, dormir, copular e matar em busca de alimento.

Com a simpatia e a informalidade naturais dos tanzanianos, os 100 funcionários do Hotel Seronera disfarçaram o susto causado pelo acidente com Leonce Marmo. Pudera. Eles se acostumaram aos perigos daquele fim de mundo onde foram morar em busca de trabalho e dinheiro, uma vila de 400 parentes de funcionários do hotel distante 300 quilômetros de Arusha, a cidade grande mais próxima. Nos outros três hotéis do Serengeti, a realidade é a mesma: enquanto os turistas se divertem com o safári, o povo teme os animais. Três anos atrás, um funcionário do vizinho Sopa Lodge foi atacado por um búfalo, deixando a mesma sensação de que a vida humana é frágil demais neste território, onde um leão ataca outro da mesma espécie apenas porque teve seu espaço invadido.

Considerado patrimônio da humanidade e reserva da biosfera, o Serengeti nasceu em 1951 como o primeiro parque nacional da Tanzânia e foi primordial para fazer com que o turismo se tornasse a principal fonte de renda do país. Ameaçando a tradição dos parques do Quênia e da África do Sul, mais estruturados, o Serengeti atraiu 115000 visitantes no ano passado, o dobro de uma década atrás. O número cresce porque o safári em seu imenso altiplano de 15000 quilômetros quadrados é menos turístico e porque brilha como palco da migração de mais de 1 milhão de gnus, um dos maiores espetáculos do mundo selvagem. Todos os anos os gnus deixam as planícies do Serengeti nos meses de seca, junho e julho, e galopam em fila indiana rumo ao bom pasto e às reservas de água do Quênia, mais de 1000 quilômetros ao norte.

De lá eles só saem entre outubro e novembro. Com as fêmeas prenhas, os gnus voltam para o Serengeti em busca das chuvas que tornam verdinha a savana e à espera do tempo da reprodução, em fevereiro, quando chegam a nascer 8000 gnuzinhos por dia. Curiosamente, 200000 zebras acompanham os gnus caminhando lentamente em uma fila paralela, enquanto 400000 antílopes pastam, soltos, próximos às duas filas. Com um poder de visão aguçado, as zebras fogem rapidamente sempre que avistam um predador. Os gnus, que enxergam mal, as seguem e muitas vezes conseguem se safar. Ruminante estranho, meio boi, meio cavalo, o gnu retribui mostrando às amigas listradas os melhores lugares para pastar e beber água. ”Eles sentem o cheiro da chuva a 200 quilômetros de distância“, diz o guia Allawi Ally, que repetiu mais de cinqüenta vezes, nos últimos doze anos, o roteiro de Arusha ao Serengeti.

Arusha, 500 000 habitantes, é o centro geográfico do continente africano e ponto de partida para visitar o Serengeti e as outras reservas do norte da Tanzânia, inclusive o Parque Nacional Kilimanjaro, que abriga a maior montanha da África. Chamado de ”Kili“, este vulcão de 5895 metros de altura, que não pertence a nenhuma cordilheira, exibe um cume central sempre nevado em meio à extensa planície árida da Tanzânia, 3 graus ao sul da Linha do Equador e na fronteira com o Quênia. Das 10500 pessoas que fazem trekking aqui anualmente, só 40% sobem algum dos três picos.

Na rota de Arusha ao Serengeti, por estradas de terra e sem acostamento, os jipes podem ir a dois pequenos parques nacionais. O Tarangire, a 75 quilômetros de Arusha, famoso por sua grande população de elefantes, e o Lago Manyara, a 115 quilômetros da mesma cidade, repleto de aves e de baobás (a árvore do livro O Pequeno Príncipe) de 300 anos. Aqui, abismos de 200 metros anunciam o famoso Vale do Rift, fenda de 6 500 quilômetros que corta a África – preenchido, neste trecho, pelo lago azul que dá nome ao parque.

Arca de Noé. Como um tapete amarelo sem fim, a savana enche a paisagem com suas árvores baixas e esparsas até que surge Ngorongoro, cratera de um vulcão extinto habitada por 20000 bichos e considerada uma das maiores preciosidades ecológicas do mundo. Com 264 quilômetros quadrados, esse buraco circular de nome sonoro só pode ser bem visualizado do alto da crista da serra formada por sua boca, distante 16 quilômetros da borda oposta. Parte de um complexo de nove vulcões que vêm se transformando há 4 milhões de anos, o Ngorongoro tinha a altura do Kilimanjaro e, ao entrar em erupção, seu interior foi afundado. O tempo se encarregou de transformar seu fosso de 600 metros de profundidade num saudável pasto cheio de bichos, onde caberia a cidade pernambucana do Recife e onde a cadeia alimentar se sucede harmoniosamente.

Uma estradinha estreita desce até o fundo do Ngorongoro e outra sobe, permitindo que até 200 veículos de safári circulem ao redor do lago interno nos dias de alta temporada. Curioso é que, com exceção dos elefantes, que sobem até a crista para copular, nenhum outro bicho sai de dentro dessa espécie de arca de Noé contemporânea. Embaixo, o resultado da caçada animal de todos os dias é a série de esqueletos e carniças rodeados por marabus, espécie de urubu com jeitão de tuiuiú. Apesar da proibição da caça na região, o vulcão é ameaçado por caçadores até hoje – principalmente os somalis, loucos por presas de marfim dos elefantes e chifres de rinoceronte. A proteção vem dos guardas, que trabalham até de noite na área de conservação criada aqui, e da lei, que impediu que os 40000 masais da região continuassem levando seu gado para pastar na cratera.

Quase tão exóticos e selvagens quanto os animais, os masais são os moradores mais comuns do gigantesco corredor ecológico de 25000 quilômetros quadrados que liga sete reservas da região, do Serengeti, na Tanzânia, ao Parque de Masai Mara, no sul do Quênia, numa extensão equivalente ao Estado de Sergipe. Negros esguios vestidos com batas vermelhas para espantar os leões, os masais vivem migrando em busca de bom pasto para seu gado. ”Nosso povo nasceu no Egito há 700 anos“, explica Mbirias Oleketto, 42 anos, um masai que fala inglês, usa relógio e atua como relações-públicas da aldeia Seneto Manyata, a mais próxima da borda do Ngorongoro – e, por isso mesmo, a mais turística. Eles vendem artesanato de miçanga colorida e cobram absurdos 50 dólares de cada um dos quinze carros que se aproximam por dia, enquanto cantam e saltam com as pernas estendidas a até 1 metro do chão – uma tradição mantida apenas para gringo ver.

Vacas valiosas. Na vida real, estes nômades adeptos da poligamia só cantam em casamentos, quando oferecem vacas ao futuro sogro em troca da mão da noiva. É na compra do gado, por sinal, que eles gastam o dinheiro que ganham. Mbirias Oleketto pagou três vacas por cada uma de suas duas mulheres. Elas vivem separadas em duas das 25 choupanas construídas com esterco de vaca grudado em armações de madeira.

A disposição das casas, escuras e cheias de moscas, é sempre a mesma, circular e com um cercado para o gado. Os hábitos selvagens não param por aí: os masais bebem o sangue da caça misturado com leite, além de os meninos das aldeias mais tradicionais precisarem matar um leão para entrar na vida adulta. Detalhe: eles não têm doenças. “As ervas resolvem nossos problemas”, diz Oleketto, um negro forte que parece ter adquirido todos os anticorpos necessários para viver sem banho por dias.

A bravura dos masais e dos tanzanianos que vivem neste lugar foi herdada dos mais antigos ancestrais. Foram achadas no sítio arqueológico de Olduvai Gorge, 30 quilômetros antes do Serengeti, ossadas de dinossauros e os restos do Australopithecus afarensis, que viveu há 3,6 milhões de anos, considerado até dezembro último o primeiro hominídeo bípede do mundo (ver seção Volta ao Mundo), como se vê no pequeno museu que funciona no local.

Basta passar sob a placa que separa a reserva de Ngorongoro da do Serengeti para que búfalos, avestruzes e girafas surjam ao lado da pista. Todas as manhãs, eles deixam seus esconderijos noturnos em busca de água e alimento. Carnívoros como hienas e guepardos são observados enquanto rondam as vítimas que virarão o banquete do dia. Nos passeios diários no Serengeti, que percorrem em média 150 quilômetros, não se passam cinco minutos sem avistar um animal, principalmente nos arredores do Rio Seronera, oásis da bicharada. O último censo do parque, no início do ano, apontou a existência de 530 espécies de pássaros e 28 de animais terrestres, entre eles as cinco mais admiradas, que fazem parte dos “big five”: búfalo, leão, elefante, rinoceronte e leopardo. Só para se ter uma idéia, foram contados 21500 búfalos terrestres, 1600 elefantes e 6200 girafas. “Os mais ameaçados de extinção são o cachorro-do-mato e o rinoceronte, raríssimos”, diz Pius John, chefe dos guardas florestais.

Bicho via rádio. Os guias se orgulham de sua habilidade para ver, de longe e sem binóculo, qual bicho está vindo e o sexo. Pequenas curiosidades sobre cada animal vão sendo contadas à medida que eles se aproximam, ignorando a presença do carro. As girafas se alimentam de plantas cheias de espinhos e não machucam a língua – longa o suficiente para dar uma volta na cabeça humana. Os macacos babuínos adoram reunir-se no alto das árvores para assistir ao incrível pôr-do-sol africano. O crocodilo-do-nilo, maior carnívoro do Serengeti, pode viver até um ano (dos seus 100 de vida!) sem comer. Quando chove, quase todos se protegem, os felinos em especial. Em seguida, é melhor procurá-los nos kopjes, montes de pedras com 4,5 bilhões de anos que acumulam água e alimento e que quebram a monotonia da planície. A única alternativa de passeio, além da observação de animais, é a visita aos kopjes com inscrições masais do século passado.

A preferência dos viajantes, no entanto, é ver de perto todos os animais possíveis. Se faltar algum, basta pedir que o guia entre em contato por rádio com os outros carros para saber em que ponto daquela imensidão há, por exemplo, uma família de leopardos dando sopa, como se esperassem para ser fotografados. Melhor retrato da África natural, o Serengeti é, de fato, uma espécie de zoológico sem grades. Um lugar onde a caçada dos bichos carnívoros, o perigo da subida ao Kilimanjaro, os hábitos animalescos da tribo masai e até a agressão de um elefante a um homem são apenas acontecimentos corriqueiros da Tanzânia selvagem.

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País de paz

Diferentemente de grande parte das 53 nações africanas, a Tanzânia não vive problemas como guerra civil, miséria, epidemias ou conflitos raciais e religiosos. Pelo contrário, o governo atua como mediador e abriga refugiados de nações vizinhas como Burundi e Ruanda. Influenciada pelo domínio de árabes, portugueses, alemães e ingleses no passado, a população de 32 milhões de habitantes se divide em três grupos religiosos do mesmo tamanho: cristãos, muçulmanos e adeptos de crenças tradicionais africanas. O principal responsável pela paz e pela adoção da língua suaíle entre as 120 tribos de negros nativos foi o presidente Julius Nyerere, falecido em 1998, tão reverenciado em sua pátria como Nelson Mandela na África do Sul e tão revolucionário quanto Fidel Castro foi em Cuba. Em 1961, quando era presidente, Nyerere conquistou a independência de Tanganica, nome do país enquanto era colônia do Reino Unido e não havia anexado a Ilha de Zanzibar. Foi quem implantou o socialismo africano, criando comunidades rurais e melhorando a educação e a saúde – apesar do regime de partido único. Suportado por países como China e União Soviética, o socialismo durou até a década de 80. Nyerere governou por 25 anos, até 1986, mas permaneceu como o político mais importante da Tanzânia até 1990.

 

Rota mais curta

É mais fácil chegar a Arusha a partir de Nairóbi, capital do Quênia, 277 quilômetros ao norte, que de Dar es Salaam, maior metrópole e antiga capital da Tanzânia, 700 quilômetros ao sul. A atual capital é Dodoma.

 

PARA QUANDO VOCÊ FOR

Chegar lá

A South African Airways (tel. 0800 118383) oferece dois vôos semanais (por 1700 dólares) ligando São Paulo a Joannesburgo, na África do Sul, com extensões para a Tanzânia e o Quênia. O visto é obtido lá e custa 20 dólares em cada um dos três países. De Nairóbi até Arusha viajam-se três horas de ônibus.

Hotéis caros

Tanto os dez lodges, hotéis de safári com diárias de 200 dólares (como o Lake Manyara Lodge, foto abaixo), quanto os trinta campings de luxo espalhados por Serengeti, Ngorongoro (na foto à esq., a entrada do parque) e Lago Manyara têm preços salgados. Nos dez campings públicos, que ficam nos arredores do parque, como em Mto Wa Mbu, pagam-se 20 dólares por dia, mas é preciso contratar os serviços de safári.

Vá em julho

Prefira viajar em junho e julho, quando não chove e os gnus estão migrando para o Quênia. As chuvas curtas, de outubro a dezembro, e as chuvas fortes, entre fevereiro e maio, assustam os animais. Prefira a seca para subir o Kilimanjaro. Se precisar de um guia, procure Silvano Hamisse (siladv@yahoo.com).

Dinheiro vivo

Com girafas desenhadas nas notas (à dir.), a moeda local é o xeling tanzaniano. Um dólar americano vale 800 xelings. Você vai precisar de 9600 xelings, ou 24 reais, para comprar o lanche mais barato nos lodges.

Aula de suaíle

Embora quase todos entendam inglês, você conquistará amigos se aprender um pouco de suaíle, língua meio árabe, meio africana, oficial do país:

Jambo = olá, tudo bem?

Salama = bem

Tafadhali = por favor

Samahani = desculpe-me

Asante = obrigado

Karibu = bem-vindo

Sem economia

Agências como a Highland (tel. 0800 558667), a Mundus (tel. 0_ _11/289-9786) e a GPS (tel.0_ _11/3088-1311) oferecem pacotes: quinze dias na Tanzânia não custam menos de 4300 dólares. Quem for por conta pagará cerca de 300 dólares por dia de safári em agências como a Leopard Tours (www.leopard-tours.com), que tem 120 jipes. Cada dia de escalada ao Kilimanjaro custa 100 dólares.

Cuide do corpo

A vacina contra a febre amarela deve ser tomada com oito dias de antecedência. Não ingira as pastilhas contra a malária, agressivas ao organismo. Beba apenas água mineral e evite os sucos e as saladas.

Dica do autor

”Em todo canto alguém vai lhe pedir um trocado. Leve canetas para presentear as crianças: é o agrado que faz com que se sintam mais valorizados. E tenha sempre à mão uma nota de 1000 xelings (pouco mais de 1 dólar), para dar de gorjeta aos carregadores de bagagem e às pessoas que você pretende fotografar.“

Daniel Nunes Gonçalves