Cusco e outro teste da navalha

Fazer a barba em lugares tradicionais é uma das minhas manias de viagem mais divertidas. Depois de quase pegar tétano com uma navalha usada na Índia e sofrer pra explicar que queria uma costeleta curta em Mianmar, entre outras aventuras perigosas, a experiência que vivi há poucos meses no Peru foi fichinha.

Eu havia acabado de pegar a credencial de imprensa para cobrir a Festa do Sol, que aconteceria no dia seguinte, e Cusco estava abarrotada. Achei que seria bacana aproveitar as boas vibrações do solstício de inverno no Hemisfério Sul para dar um tapa no visual. A placa do lugar ostentava o pomposo nome “Piero’s II Peluqueria Unisex & Barber Shop”, e lá dentro a poltrona vinho era confortável. Ficava num ambiente bem limpinho, sem aquele mar de cabelos pelo chão – tanto que o Adriano Fagundes, meu amigo fotógrafo, também encarou aparar as madeixas.

O único porém era que o Belisário Bettencourt, o barbeiro que a sorte me reservou, não estava a fim de conversa.

Continuar lendo Cusco e outro teste da navalha