Peru em foco na Rádio Vozes

Como é chegar a Machu Picchu por trilhas incas longe dos turistas? A nova série de podcasts do Programa Repórter Viageiro, da Rádio Vozes, tem o Peru como tema e responde a esta pergunta. Em outubro, Daniel Nunes esteve pela quarta vez no país, desta vez para percorrer a Rota de Lares e Vale Sagrado, um caminho de 5 dias com hospedagem nos lodges da grife Mountain Lodges. Os boletins do Repórter Viageiro, que Daniel estreou a convite da radialista Patrícia Palumbo em agosto de 2016 contando os bastidores dos Jogos Olímpicos do Rio, já apresentaram várias partes do planeta. Os ouvintes da rádio digital on-demand seguiram as andanças de Daniel por Tailândia, Vietnã, Nova York, Portugal e Alemanha. Dessa vez, o Peru é destrinchado por meio de sons, experiências e depoimentos de outros viajantes que percorreram a rota – como os participantes do Projeto TerraMundi Creators. Quem quiser acompanhar os boletins pode baixar o app da rádio no celular ou acessar o site.

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O império contra-ataca

Vinte e oito retratos de mulheres e homens comuns vestindo trajes andinos tradicionais fizeram sucesso entre limenhos e estrangeiros, de abril a setembro, que visitaram a MATE, galeria que o fotógrafo Mario Testino abriu em Lima há um ano e meio. Numa alusão provocativa aos ensaios de alta costura que costuma produzir para publicações como Vanity Fair e Vogue, o peruano radicado em Londres batizou a mostra de “Alta Moda”. “Voltei às raízes para explorar a herança do meu país e mostrar ao mundo a riqueza de nossa cultura”, afirmou, satisfeito pelo sucesso da exposição tê-la feito migrar para Nova York, onde vai decorar as salas do Instituto Espanhol Rainha Sofia até 29 de março. A missão de Testino parece estar sendo cumprida: o mesmo requinte da vestimenta dos camponeses de origem inca que ele fotografou na cidade colonial de Cusco ao longo de cinco anos pode ser notado no artesanato e na gastronomia do país, o que tem consagrado o Peru como o destino latino favorito de viajantes em busca de experiências legítimas.

 

Plaza de Armas (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)
Plaza de Armas (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)

 

Localizada a 1 hora de voo de Lima, Cusco tem aquele charme de cidades coloniais como Cartagena e Ouro Preto. Sua Plaza de Armas rodeada por sobrados avarandados típicos da arquitetura espanhola foi clicada por 2 milhões de turistas que ali chegaram em 2012 – mais que o dobro de oito anos atrás. Trajes típicos tais e quais aqueles registrados por Mario Testino continuam sendo orgulhosamente vestidos pela população. No entorno da cidade, que foi a capital do império inca, o mais importante da América do Sul entre 1438 e 1533, o chamado Vale Sagrado exibe uma série riquíssima de sítios arqueológicos, entre os quais se destaca o mais famoso do continente, Machu Picchu. Mesmo sem shopping-centers, parques temáticos ou atrativos artificiais,  Cusco vê sua infra-estrutura de turismo ganhar cada vez mais novos hotéis, restaurantes e museus. Com uma peculiaridade: a maioria dos investimentos foca no turismo de primeira linha.

 

Hotel Monastério (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)
Hotel Monastério (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)

 

É na hotelaria que essa vocação para atender o viajante exigente fica mais evidente. Em 2013,  o Palácio del Inka, que surgiu nos anos 1980 sob a bandeira Libertador como o primeiro cinco-estrelas da cidade, entrou para a rede Luxury Collection Hotel depois de uma reforma de 15 milhões de dólares. Com quadros originais da famosa Escuela Cusqueña nas paredes, tetos pintados à mão e muros incas originais em sua estrutura, ele pertence ao seleto grupo de seis hotéis top que se destacam entre as 94 hospedarias de Cusco. “A elitização do turismo no Peru começou há apenas 10 anos e aconteceu ao mesmo tempo em que as pessoas passaram a valorizar os destinos mais autênticos”, explica Patricio Zucconi Astete, veterano do turismo local. Ele gerencia atualmente o Miraflores Park, de Lima, unidade da rede de luxo Orient-Express, que detém na região de Cusco nada menos que 4 unidades para hospedagem de alto nível.

 

Ceviche típico (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)
Ceviche típico (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)

 

No primeiro semestre de 2013, uma comitiva de 60 hóspedes da TV Globo escolheu o mais pomposo deles, o Monastério, um antigo mosteiro do século 17, para abrigar o elenco e a equipe de apoio da novela Amor à Vida. Nos jantares, Paolla Oliveira e seus colegas puderam assistir às apresentações de ópera que tinham no elenco Angela Merina, respeitada como melhor soprano do Peru. Mais moderno, o vizinho Palácio Nazarenas conta com habitações com chão do banheiro aquecido e oxigênio para amenizar o desconforto da altitude – Cusco está 3400 metros acima do nível do mar, 2500 metros mais alta que São Paulo. Único hotel que desfruta do privilégio de ficar a 20 passos da entrada de Machu Picchu, o Sanctuary Lodge costuma ter uma taxa de ocupação invejável, com média anual de 80 por cento (o que significa que mesmo na temporada das chuvas, de novembro a março, o movimento continua intenso). Mas é na viagem de trem de luxo entre Cusco e Machu Picchu que está o créme de la crème da grife: a jornada dá direito a jantar, vinhos e espumantes, aulas de pisco sour e música ao vivo no trem Hiram Bingham ­– batizado em homenagem ao americano que, em 1911, descobriu Machu Picchu.

 

Trem de luxo do Orient-Express (Foto Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)
Trem de luxo do Orient-Express (Foto Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)

 

Vem das relíquias encontradas pela equipe de Bingham, por sinal, outra das boas novidades de Cusco: o museu Machu Picchu Casa Concha. Inaugurado em 2011, ele conta com 366 peças arqueológicas incas que estiveram por um século no Museu de História Natural de Peabody, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. E soma-se a outros museus de boa curadoria da cidade, entre eles o de Arte Precolombino, que pertence ao grupo do Museo Larco, de Lima, dono da mais fina coleção de objetos de cerâmica, ouro e prata do Peru antigo. Suas peças inspiram o trabalho da designer de jóias  Maria Elena Guevara, proprietária da Inka Treasure, rede com nada menos que 9 joalherias em Cusco. “O Peru é o segundo maior exportador de prata do mundo, só perde para o México”, explica. “Temos o privilégio de trabalhar com a prata de melhor qualidade, além de pedras raras do país, como as de crisocola, a turquesa peruana”, conta a empresária, que já atendeu clientes como Bill Gates, Dalai Lama e Antônio Fagundes. Uma estátua de um guerreiro mochica que brilha em uma de suas vitrines e levou 3 meses para ser esculpida não sai por menos de 8.500 dólares.

 

Maria Elena, da Inka Treasure, e a estátua mais cara da loja (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)
Maria Elena, da Inka Treasure, e a estátua mais cara da loja (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)

 

Por preços menos salgados que os de São Paulo ou Rio de Janeiro, os bons restaurantes de Cusco são exemplos da gastronomia mais respeitada da América Latina na atualidade. Embora já seja sócio do Chicha, considerado o melhor restaurante da cidade, o embaixador da culinária peruana Gastón Acurio se prepara para abrir uma segunda casa em breve. Ele é o dono do Astrid & Gastón, de Lima, que em setembro renovou seus louros como o número 1 entre os 50 melhores da América Latina segundo os críticos da revista inglesa Restaurant. Hoje é difícil jantar sem reserva no Chicha, que tem esse nome em homenagem a uma bebida de origem inca, normalmente feita de milho fermentado. Uma vez à mesa, os comensais degustam receitas desenvolvidas com técnicas andinas e asiáticas. Os ceviches abrem o paladar para clássicos como o anticucho – ou espetinho ­– de coração de vaca e o lomo saltado, filé de carne frito no estilo chinês.

 

Chicha, restaurante de Gaston Acurio (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)
Chicha, restaurante de Gaston Acurio (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)

 

Mas é no vestuário que os turistas – 126 mil deles vindos do Brasil, segundo dados de 2012 da PromPeru, órgão governamental que promove o turismo do país – investem seus soles com maior custo-benefício. É claro que os gorros, suéteres e cachecóis coloridos, como aqueles clicados por Mario Testino, podem ser encontrados em cada esquina com tecidos e preços populares. Quem visita lojas locais renomadas como a Sol Alpaca e a Golden Alpaca, no entanto, descobre que vale a pena pagar mais pelos raríssimos tecidos de vicunha ou de baby alpaca – esses feitos da lã dos filhotes de alguns dos bichos mais avistados nessas alturas dos Andes. “Um gorro de qualidade não vai custar menos que uns 50 reais, mas vale a pena”, atesta a advogada Thalita Rosa, que viajou com o namorado, o engenheiro Mateus Carmona, em junho. “Contratamos um motorista exclusivo para explorar os arredores, comemos muito bem e ficamos fascinados com a riqueza das tradições do Peru”, conta Thalita, que voltou de viagem com outra recordação mais que especial. Foi nas alturas do Wayna Picchu, a maior montanha diante de Machu Picchu, que Matheus lhe surpreendeu com um par de alianças e um pedido de casamento. E deixou a experiência de conhecer o Peru ainda mais inesquecível.

 

Foto Adriano Fagundes (www.adrianofagundes.com)
Foto Adriano Fagundes (www.adrianofagundes.com)

 

Para ver a reportagem como publicada na Veja Luxo, inclusive com fotos de Mario Testino, baixe o PDF.

 

SERVIÇO:

CHICHA: www.chicha.com.pe

GOLDEN ALPACA: Plaza de Armas, 151, tel. +51 84 25-1724

INKA TREASURE: www.incatreasure.com.br

MACHU PICCHU: www.machupicchu.gob.pe

MATE (LIMA): www.mate.pe

MIRAFLORES PARK HOTEL (LIMA): www.miraflorespark.com

MONASTÉRIO: www.monasteriohotel.com

MUSEU DE ARTE PRECOLOMBINO: www.map.museolarco.org

MUSEU MACHU PICCHU CASA CONCHA: www.cuscoperu.com

PALÁCIO DEL INKA: www.starwoodhotels.com

PALÁCIO NAZARENAS: www.palacionazarenas.com

SANCTUARY LODGE: www.sanctuarylodgehotel.com

SOL ALPACA: www.solalpaca.com

TREM HIRAM BINGHAM: www.orient-express.com

Orgulho inca

 

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Primeiro o rei inca reverencia o sol. “Fonte quente e princípio da vida, te saudamos na sua mansão sagrada de Cusco, onde vives com a lua”, diz em quechua, a língua oficial do império. Em seguida, sopra folhas de coca aos quatro ventos e invoca os “apus”, espíritos que habitam as grandes montanhas dos Andes peruanos. “Apu Ausangate, apu Salqantay, apu Saqsaywaman, vamos à grande cerimônia”. Repleto de adereços dourados e penas, passa a realizar, uma a uma, as oferendas: despeja do jarro um pouco de chicha, bebida feita à base de milho fermentado, acende quatro fogueiras, oferece aos céus um pão sagrado… O rito de agradecimento pelo calor e pelo alimento dá sequência a mais uma série de cantos e danças de 682 súditos – entre eles 80 músicos. Todos seguem em procissão, bem paramentados com roupas coloridas e reluzentes como as do imperador índio.

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É 24 de junho e estamos em pleno solstício de inverno no Hemisfério Sul. Não fossem os celulares, os óculos de sol e as câmeras fotográficas que se multiplicam entre os 40.000 espectadores estimados, daria quase para acreditar que a cena se passa no século 15, durante a celebração original do Inti Raymi, a Festa do Sol. Este era o principal evento do calendário dos incas, que entre 1438 e 1533 formaram o maior império da América pré-Colombiana e que tinham em Cusco sua capital. Segundo os relatos do historiador Garcilaso de la Vega (1539-1616), cidadão cuzquenho filho de uma princesa inca e um invasor espanhol que escreveu quase tudo o que se sabe sobre a festa, o festival homenageia Inti, o Deus Sol da mitologia inca. Por meio da festa, rogava-se para que o astro rei garantisse abrigo e comida durante os dias frios vindouros. Cinco séculos depois, o Inti Raymi moderno reproduz esse mise-en-scène em forma de espetáculo, o maior do Peru. Ele encerra quase um mês de festas em Cusco, que fica a 1 hora de voo da capital Lima. E tem sido o principal atrativo para que, em cada um dos últimos dois anos, 180.000 turistas tenham desembarcado na cidade em junho, lotando os 94 hotéis locais.

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Saqsaywaman

SANGUE INDÍGENA

Os 3.800 turistas, estrangeiros em sua maioria, que se apertam por duas horas nas arquibancadas do sítio arqueológico de Saqsaywaman, onde acontece o terceiro e mais importante ato da Festa do Sol, provavelmente não sabem. Mas, sem o Inti Raymi, Cusco não teria se transformado em um dos mais procurados destinos do planeta. Só em 2012 foram quase 2 milhões de visitantes. “O resgate dessa cerimônia, nos anos 1940, mostrou aos cuzquenhos que deveríamos ter orgulho das nossas raízes incas”, conta Carlos Milla Vidal, dono do hotel boutique Casa San Blas e estudioso do tema. Segundo Milla, nessa época, quando Cusco tinha só 20.000 habitantes (hoje são 500.000), ter sangue indígena ali não era motivo de honra. Bacana naquela cidade que não conhecia o turismo e tampouco o progresso era ter traços hispânicos como os dos colonizadores europeus.

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Foi quando Humberto Vidal, o tio de Milla, teve a sacada de repetir a cerimônia do Sol, que havia acontecido pela última vez em 1535 e desaparecido junto com a cultura inca. “Ao vestirem seus ponchos tradicionais e repetirem tradições de seus ancestrais, os cuzquenhos passariam a resgatar sua auto-estima indígena e a se tratar como irmãos”, conta Roger Valencia Espinoza, proprietário da agência de viagens Andean Lodges e também fascinado pelo assunto. Deu certo. A ressurreição da Festa do Sol 400 anos depois da sua extinção passou a ser o ápice da celebração do aniversário de Cusco – não por acaso comemorado no mesmo dia. Em junho passado, alunos de diferentes colégios e integrantes de associações  e grupos de bairros disputaram quem tinha a performance folclórica mais festiva na charmosa Plaza de Armas. A praça ganhou uma estátua dourada do rei inca e, em seus postes antigos de luz amarelada, foram hasteadas várias bandeiras do arco-íris, cor oficial da cidade.

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TEMPLO SAGRADO

Três décadas antes da Festa do Sol ressurgir em Cusco, uma descoberta científica 110 quilômetros a noroeste dali nascia como embrião do que se tornaria mais tarde outro importante propulsor da revalorização da cultura inca. Foi em 1911 que o explorador norte-americano Hiram Bingham encontrou Machu Picchu, escondida sob uma floresta à beira do Rio Urubamba. Formada por construções de pedras erguidas de forma a bem aproveitar as águas das chuvas, a inclinação do terreno, os tremores de terra e os raios do sol, a maior relíquia arqueológica da América do Sul foi um discreto parque de diversões de arqueólogos até que o turismo começasse a acontecer ali e em Cusco, na segunda metade do século 20.

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Machu Picchu

Muito se aprendeu sobre os incas a partir de Machu Picchu. Depois de passar um século sob os cuidados dos estudiosos da Universidade de Yale, em Connecticut, nos Estados Unidos, 366 objetos incas encontrados pela equipe de Bingham voltaram, em 2011, ao solo cuzquenho. Eles agora fazem parte do Museo Machu Picchu Casa Concha e, assim como obras do Museo Inka e do Museo de Arte Precolombino de Cusco, servem de inspiração para os artesãos locais. A cruz inca e uma série de grafismos estão presentes tanto nas peças em ouro e prata vendidos na rede local de joalherias Inka Treasure como nos tecidos coloridos feitos com lã de lhamas e alpacas andinos – e comercializados em fantásticas feiras de lugarejos como Pisac, a meia hora de Cusco, no chamado Vale Sagrado.

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Feira de artesanato de Pisac

TREKKING NAS ALTURAS

Convertido em destino obrigatório para amantes de relíquias arqueológicas e para pessoas do mundo todo que passaram a se interessar pela cultura andina, Machu Picchu se tornou o templo inca por excelência – mesmo que a ciência ainda não afirme categoricamente se aquilo foi um altar, um ponto privilegiado de observação astrológica, um refúgio de inverno do rei ou uma comunidade agrícola de técnicas avançadas. Não importa. Todos os meses, 100.000 pessoas, 70% delas vindas do exterior, batem perna por lugares fotogênicos da cidade sagrada como a Porta do Sol e o cume da montanha vizinha, o Wayna Picchu.

Machu Picchu vista do alto do pico Wayna Picchu
Machu Picchu vista do alto do pico Wayna Picchu

A maioria dos turistas chega de trem, mas são os apreciadores das longas caminhadas que descobrem o quanto os incas tinham de fôlego. Na Trilha Inca clássica, é possível conhecer ao menos quatro sítios arqueológicos ao subir e descer ladeiras ao longo de 42 quilômetros e quatro dias. Como há limitação no número de caminhantes por dia, a fila de espera é longa: em junho, só havia reserva para quem quisesse fazer o roteiro em outubro (e desembolsando cerca de 350 dólares para as agências).

Ausangate
Ausangate

O efeito positivo dessa superlotação é que os andarilhos foram obrigados a descobrir outras rotas andinas tão ou mais belas que a Trilha Inca, como as de Lares e Salkantay. A menos explorada turisticamente chama-se Ausangate e permite mais interação com comunidades tradicionais e suas heranças da cultura inca. Em caminhadas de 5 dias por altitudes entre 4 e 5 mil metros, em meio a picos nevados, costuma-se ficar hospedado em alojamentos quentinhos onde a comida e a música ficam por conta de legítimos descendentes incas.

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Vale de Ausangate

 

GASTRONOMIA DE RAIZ

O passado inca foi apagado da paisagem quando o conquistador Francisco Pizarro dominou Cusco, em 1533, mas as raízes peruanas sobrevivem nos hábitos dos cusquenhos. A comida continua sendo aquela ofertada ao Deus Sol nas cerimônias de Inti Raymi. Com grãos dos mais variados tamanhos e cores, o milho — que representava 65% da dieta dos moradores de Machu Picchu — é vendido como doce ou salgado nas ruas, ou mesmo cru, em mercados como o de San Pedro. A chicha é consumida pura ou na forma de um refresco roxo chamado chicha morada, tão doce quanto a folclórica Inka Cola (que, dizem, é mais vendida do que a Coca-Cola). E, embora a Plaza de Armas tenha McDonald’s e Starbucks, muitos turistas preferem os estabelecimentos tradicionais para comer pastel de choclo (doce de milho) e tomar chá de coca (bom para amenizar o mal-estar causado pelos 3.400 metros de altitude de Cusco).

Plaza de Armas, Cusco
Plaza de Armas, Cusco

Mas é nos bons restaurantes que os chefs têm exibido por que a cozinha do Peru se tornou um atrativo e tanto. A começar pelo Chicha, de Gaston Acurio, o cozinheiro mais famoso do país – que, por sinal, se prepara para abrir uma segunda casa na cidade. Ali seu time serve desde pratos feitos com carne de alpaca até criações como o costa y sierra, um risoto picante à base de frutos do mar. Outro favorito dos turistas é o Cicciolina, de ambiente animado e todo tipo de pimenta pendurada sobre o balcão. Seu menu vai além dos clássicos ceviches, pisco sours e lomos saltados (carne de vaca servida com cebolas, arroz e batatas), avançando em receitas contemporâneas de influência asiática.

 

Restaurante do Museo de Arte Precolombino
Restaurante do Museo de Arte Precolombino

 

LUXO E TRADIÇÃO

Não é difícil entender por que meia dúzia de hotéis cinco estrelas concentram nada menos que um terço dos 2.153 leitos da hotelaria cusquenha (um bom jeito de escolher um hotel para o seu bolso é pelo trivago).  Essa grandes construções coloniais seculares cheias de clima atraem os visitantes para uma imersão na história e na cultura peruanas. O Monastério, por exemplo, reciclou clausuras minúsculas habitadas por monges do Mosteiro de Santo Antônio Abade em 1600 para transformá-los em aconchegantes ninhos de luxo – e com um restaurante que apresenta até ópera ao vivo no jantar. Foi ali que Antônio Fagundes, Paola Oliveira e quase 60 participantes da novela Amor à Vida ocuparam 33 dos 126 quartos por 20 dias de abril.

Hotel Monastério, da rede Orient-Express
Hotel Monastério, da rede Orient-Express

Com suítes mais amplas e modernas, o vizinho Palácio Nazarenas pertence à mesma rede, a Orient-Express, e paparica seus hóspedes com chão do banheiro aquecido, roupões de seda e mordomo para dar aula de pisco sour no quarto. Mas é no Sumaq, localizado em Aguas Calientes, povoado-base para quem visita Machu Picchu, que os viajantes melhor aliam conforto e tradição. Após visitar as ruínas, qualquer hóspede pode participar de uma cerimônia de gratidão a Pachamama, a mãe Terra, exatamente como faziam os incas.

 

Palácio Nazarenas Hotel
Palácio Nazarenas Hotel 

SERVIÇO

PARA PESQUISAR SOBRE O PERU:

Promperu

promperu.gob.pe

 

PARA PLANEJAR SUA IDA DURANTE A FESTA DO SOL:

Inti Raymi

emufec.gob.pe

 

PARA SABER MAIS SOBRE A RUÍNA MAIS LEGAL DA AMÉRICA:

Machu Picchu

machupicchu.gob.pe

 

Crédito das fotos: samesamephoto (siga no Instagram!)