Em um workshop de fotos de viagem

No último mês tive o privilégio de participar de um workshop de fotografia de viagem bem legal. Aconteceu no Madalena Centro de Estudos da Imagem, e teve como mestre o Haroldo Castro, um dos mais rodados viajantes que conheço. Jornalista e fotógrafo talentoso e experiente, o Haroldo misturou esse background profissional com a paixão pela estrada e criou a Viajologia, uma agência que organiza jornadas para destinos exóticos como a Etiópia e Mongólia. Foi o Haroldo, por sinal, quem forneceu algumas imagens para minha reportagem sobre Etiópia no Estadão. No curso da Vila Madalena, ele orientou a mim e a outros amantes da foto a registrar, com olhar de estrangeiro, a Feira da Liberdade. O resultado foi publicado em dois posts da coluna dele na Revista Época – um sobre o lado oriental e outro sobre a porção ocidental da feira. Confira as fotos.

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Salvadores de orquídeas

Sabe aquela orquídea que enfeita a sala de casa por duas a seis semanas e depois perde a flor? Alguns paulistanos têm descoberto que é possível resgatar os caules jogados no lixo e plantá-los em troncos de árvores. Até um ano depois, eles voltam a florescer. “Salvamos uma flor e deixamos a cidade mais bonita”, diz a arquiteta Adriana Irigoyen, que a cada quinze dias se reúne com outros moradores da Avenida Nove de Julho, no Jardim Europa, para desovar cerca de cinquenta exemplares. “Boa parte nos é dada por floriculturas e empresas, como é o caso da Rubens Flores, especializada em decorações para festas”, conta o advogado Paulo Visani, vizinho de Adriana que ajudou a amarrar mais de 500 orquídeas em oito árvores do canteiro central da avenida no último ano. “Há quem pense que essas plantas morrem quando a flor seca, mas elas sobrevivem tirando o seu sustento de outro caule”, explica o engenheiro agrônomo Mário Bertinatto, que ajuda a carregar, com o assistente Reginaldo Barros, escada, arames e adubo para cada replantio.
Com cerca de 35 000 espécies no mundo – 5 800 no Brasil -, as orquídeas têm uma multidão de admiradores. São esperados 30 000 deles na 80ª edição da Feira de Orquídeas, promovida entre sexta (13) e domingo (15) na Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, na Liberdade, pela Associação Orquidófila de São Paulo (informações, 3207-5703 e www.aosp.com.br). A maior das sete principais exposições anuais trará 2 000 exemplares de 150 colecionadores, com preços que vão de 40 a 600 reais. “Sempre reaproveitamos as plantas sem flor em árvores de prédios e sítios particulares, mas agora essa moda foi também para as ruas”, diz a geógrafa Lúcia Morimoto, relações-públicas da entidade.
“A cada dez dias reaproveito umas quinze orquídeas do meu restaurante”, afirma o restaurateur Carlos Whately, do Bistrô Charlô. “Realoquei mais de 200 em frente ao meu prédio e ao restaurante.” Moradora da mesma rua do Charlô, no Jardim Paulista, a paisagista Kika Samara, responsável pelos jardins do Club Athletico Paulistano, se inspirou com a ideia. “Depois que passamos a estimular as doações de associados, há quase um ano, já replantamos mais de 400 unidades”, revela. “Dois noivos trouxeram uma orquídea de seu casamento e fizeram questão que mostrássemos onde ela foi colocada. A árvore virou, além da nova moradia de uma bela flor, um símbolo de amor.”