Templos e palácios, pra começar

Desde que me juntei ao grupo de convidados do Kerala Tourism, na manhã de terça-feira, dia 11, acontece tanta coisa legal que mal dá tempo de parar pra postar nada. Comecei as visitas no segundo dia oficial do #KeralaBlogExpress e tenho me apresentado aos blogueiros aos poucos (eles já estavam juntos desde o dia anterior, falarei deles mais adiante), à medida que nosso ônibus vai parando aqui e ali. Em Trivandrum, visitamos o Sri Padmanabhaswamy, mais rico templo do país (eles dizem que é do mundo, mas devem ter ignorado o Vaticano). Com 260 anos, tem acesso restrito aos hindus e tivemos que nos contentar em ver de fora as belas estátuas esculpidas no prédio.

 

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O museu Puthe Maliga Palace surpreendeu tanto pela curiosa salada arquitetônica do casarão onde funciona, o palácio dos marajás Travancore, quanto pelas obras, várias delas estrangeiras, que retratavam em grande parte o comércio de especiarias com China e Europa. 

 

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O palácio Padmanabhapuran, já em território de Tamil Nadul, todo talhado em madeira e esculpido em granito, preserva peças de 1550 e foi a base dos Travancore, que governaram o lugar por 400 anos. No terceiro dia, a quarta (12), subimos pelo litoral visitando praias lindas como Varkala, com lindos abismos voltados para o Mar da Arábia.

 

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A praia é cheia de sacerdotes dando bençãos para quem vai ao lugar jogar as cinzas de pessoas cremadas – 16 dias depois do falecimento, contou o esperto guia Manoj Vasudevan. Eu até queria ir lá ganhar um axé, mas meus novos amigos brasileiros, a Gaía e o Oscar, foram antes e rolou o incômodo por um dos gurus querer cobrar os tubos, 1500 rúpias, da Gaía. Oscar disse que só tinha 70 rúpias e acabou pagando só isso.

 

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A tarde desse terceiro dia foi das mais legais. Ao visitarmos o Welcom Hotel Ravitz, fizemos um lindo passeio de barco pelas famosas “backwaters” de Kerala, fantásticos canais de rios e lagos que dominam o interior da região. E acabamos fazendo parte da torcida quando assistimos a uma tradicional corrida de barcos compridos chamados de Snake Boat, com uns 20 remadores em cada um. Também vimos elefantes paramentados, pessoas vestidas e maquiadas como os personagens do Kathakali e, o que eu mais gostei, uma apresentação sensacional de percussão do local.

 

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Do hotel The Quilon Beach, em Kollam, onde dormimos no terceiro dia, partimos para um templo Mannarasala Sree Nagaraja, o templo das cobras. As serpentes estão por toda parte, mas não as de verdade. Esculturas de granito decoram os jardins e o muro no entorno, além de se reproduzir em formas de oferendas douradas e estátuas do Rei e da Rainha Cobra no altar principal. A dividindade representada pela cobra é procurada por mulheres que não conseguem engravidar e por famílias que levam seus bebês de seis meses, até então alimentados exclusivamente de leite materno, para sentirem pela primeira vez o paladar dos sete sabores de alimentos indianos.

 

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O templo das cobras é cercado por duas das 300 florestas sagradas de Kerala, as Deva Kadarus. O estado conseguiu preservar boa parte de sua natureza em função dessa prática religiosa de proteger seus altares por cinturões de natureza. E a beleza da natureza e dos rituais religiosos são duas das maiores preciosidades de Kerala.

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Código de Ética SS:

Viajei a convite do Kerala Tourism após ficar em 23o lugar entre os bloggers de viagem mais votados do mundo (entre 600 inscritos) no concurso Kerala Blog Express. Os destinos, hotéis e restaurantes ofereceram seus serviços de graça.

Esta viagem não teria acontecido sem o patrocínio da Ethiopian Airlines (www.ethiopianairlines.com), recém-chegada ao Brasil, e que bancou as passagens aéreas entre São Paulo e Mumbai, via Addis Ababa, na Etiópia.

Kerala é uma doce “India for beginners”

Gente demais, sujeira demais, barulho demais, assédio demais, informação demais. Se você tem o desejo de conhecer a Índia mas tem receio de se incomodar com essa dura realidade do país, comece por Kerala.

 

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Meu segundo, terceiro e quarto dias estreando nesta tripa de terra que se alonga pelo sudoeste indiano chamada Kerala foram suficientes para eu ter uma primeira impressão radicalmente diferente daquele que experimentei dez anos atrás. Aqui a Índia te recebe sorrindo. O clima de praia deixa todo mundo zen. As pessoas te cumprimentam simpaticamente nas ruas sem querer nada em troca. O excesso de informação visual está aqui como em todo o resto do país – são muitos templos, tuc-tucs, pessoas de testa pintada vestindo roupas coloridas –, mas sem aquela sensação de overdose comum especialmente nas metrópoles do centro e do norte.

 

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Em 2004, Nova Dehli me recebeu com o trânsito mais assustadoramente caótico e barulhento da minha vida (eu ainda não tinha conhecido o Cairo). As ruas eram abarrotadas de lixo, turistas com cara de gringo como eu eram objeto de todo tipo de assédio. Ao final de quase dois meses explorando o Norte (Agra, Varanasi e cidades do Rajastão), terminei a trip em Mumbai (depois de dar um pulo em Goa e no Nepal) incomodado com os mendigos que puxavam meu braço pedindo esmola e os travestis implorando por comida porque são párias excluídos da sociedade.

 

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O lixo e as buzinas também existem nos lugares onde passei até agora, as cidades de Trivandrum, Kovalam, Varkala, Kollam e Kumarakon. Mas a beleza do cenário e o ambiente relaxado fazem o estrangeiro se acostumar com isso rapidamente. Há boas razões para eles serem tão agradáveis. Estamos no estado mais bem-educado do país: 93% dos habitantes sabem ler e escrever. O fato de ter se desenvolvido em meio a mercadores de especiarias e de marfim vindos de toda parte – chineses, árabes, romanos, portugueses… – há mais de 3.000 anos a deixou cosmopolita, acostumada com as diferenças, e pacífica. “No norte, o histórico deixou as pessoas mais duras”, me explicou o sábio Anil Kumar, gerente do Coconot Lagoon, um  rústico (e delicioso) hotel quatro estrelas à beira do rios de Kumarakon. O jantar com ele ontem foi uma aula de história e cultura indianas. E o hotel tem encantadores bangalôs de madeira (com banheiro ao ar livre, sem teto!) diante do lindo lago Vembanad.

 

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Ontem passamos a tarde passeando de barco pelos canais de Kumarakon, vendo a singela vida dos ribeirinhos e conhecendo lindas experiências de turismo comunitário que sustentam 7000 pessoas no estado. Daqui a pouco sigo para mais uma massagem ayurvédica – não vejo a hora – e passaremos a próxima noite embarcados em um dos luxuosos “boat houses” pelas backhouses.

Se eu fosse vocês, não perderia o próximo post.

 

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Código de Ética SS:

Viajei a convite do Kerala Tourism após ficar em 23o lugar entre os bloggers de viagem mais votados do mundo (entre 600 inscritos) no concurso Kerala Blog Express. Os destinos, hotéis e restaurantes ofereceram seus serviços de graça.

Esta viagem não teria acontecido sem o patrocínio da Ethiopian Airlines (www.ethiopianairlines.com), recém-chegada ao Brasil, e que bancou as passagens aéreas entre São Paulo e Mumbai, via Addis Ababa, na Etiópia.