Gelo à vista

As boas-vindas não parecem lá muito amigáveis. “Quatro questões jamais devem ser feitas a bordo: para onde vamos, quando chegaremos, por quanto tempo permaneceremos ali e como estará o clima.” Disparadas à queima-roupa logo após o embarque, num inglês com sotaque germânico, as frases proibidas no navio MF Fram não deixam dúvida de que estou em um cruzeiro diferente. “Na Antártica, quem manda é a natureza, e as mudanças climáticas são rápidas e imprevisíveis.” A dona da voz é Anja Erdmann, líder da expedição, que fala quando o barco da empresa norueguesa Hurtigruten afasta-se de Ushuaia, na Argentina, na pontinha mais ao sul da América. Os 207 passageiros de 16 nacionalidades zarpam sabendo apenas que, até chegar às abrigadas águas da Península Antártica, leva-se 3 dias percorrendo a Passagem de Drake, área famosa por seus naufrágios, onde Atlântico e Pacífico duelam. Depois de cruzá-la, continua a loirinha, a definição do roteiro se dá de acordo com os humores da neve, das ondas e dos ventos. A convocação para que o exército de aventureiros vista coletes salva-vidas e siga para a simulação da evacuação de emergência reforça: embarcar em um cruzeiro antártico é para viajantes com espírito desbravador.

 

Trekking na ilha Deception
Trekking na ilha Deception

 

Conhecer a Antártica nunca foi tão fácil. Segundo o guia de mochileiros Lonely Planet, o continente inexplorado brilha como o segundo lugar mais “quente” a visitar em 2014  – o primeiro é o Brasil, é claro, em função da Copa. Já existem 50 cruzeiros oferecendo pacotes a partir de 10 dias por cerca de 7.000 dólares, sem parte aérea. Na temporada passada, de novembro de 2012  a março de 2013, eles levaram nada menos que 35.000 pessoas. Em “cruzeiros de expedição” como este, não há cassino, shows a la Broadway, free-shops ou piscinas. Na minha cabine solitária, além de cama e banheiro (com água quente, ufa!), há apenas uma escotilha de onde se vê só céu e mar. Ah, e televisão, com 80% da programação tendo o extremo sul como tema. O entretenimento principal das duas centenas de horas na embarcação são as (ótimas) palestras. No primeiro dia, assisto a de pinguins, a de baleias e a de um geólogo norte-americano, Bob Rowland, que contou de seus estudos no Polo Sul em 1962 e 1963. Isso pouco depois do início das primeiras viagens turísticas à Antártica, em 1958, que provaram ao mundo que a última fronteira da Terra podia ser visitada por simples mortais como nós.

 

Port Lockroy: tem até correio
Port Lockroy: tem até correio

 

MEU PRIMEIRO ICEBERG

Terceiro dia. Para alívio dos marujos, superamos nas últimas 24 horas um Drake sem tempestades. O enjoo do mar chegou e foi embora. Já decorei o nome de vários dos 50 simpáticos tripulantes das Filipinas que atendem em locais como o restaurante e a sala de empréstimos de galochas. E meu fascínio pelas explorações antárticas cresceu substancialmente depois de assistir a documentários como o da conquista do Polo Sul, protagonizada pelo norueguês Roald Amundsen, em 1911, em um barco chamado Fram que inspirou o batismo deste. Também amei o longa sobre a saga de Sir Ernest Shackleton, o irlandês capitão do barco Endurance que tentou atravessar, com 27 homens, o continente gelado a pé em 1914, noventa anos atrás. Devoro mais um dos filmes da TV – acho que sobre as aves antárticas que acompanham o deslizar do navio – quando a voz daquela Angela Merkel dos mares ecoa, pelos auto-falantes, que um iceberg se aproxima.

Olho pela escotilha e lá está ele. Meu primeiro iceberg. Lindo. Gigante. Leve. É como se um quarteirão de 1,5 quilômetro com altura de um prédio de 3 andares flutuasse, quebrando com seu branco a monotonia azul de céu e mar. Um tom de turquesa-do-Caribe denuncia sua beleza submersa: como aprendi na lição-de-casa, 90% dos corpos desses blocos de gelo desprendidos dos glaciares esconde-se sob a superfície. Visto casaco para temperaturas negativas, corta-ventos, gorro, cachecol, luvas, óculos de sol. E, câmera na mão, corro para o terraço do sétimo andar para observá-lo em meio ao vento congelante. Meu iceberg não vem só. Outros correm em nossa direção. Chego a acreditar que nos aproximamos, enfim, da Antártica. Não há no horizonte, porém, sinal algum de terra à vista.

Engano meu. Quem chega à Península Antártica não aterrissa num grande continente no fim do caminho. Também não encontra um porto, o mar de outra cor ou qualquer referência que prove que alcançou o destino. No meio do marzão sem fim, surge uma ilha numa manhã, outra à tarde, e assim por diante: estamos na Antártica. A primeira em condição de desembarque aparece nesse terceiro dia, anunciada por uma nova chamada radiofônica. Aí sim nossa führer alemã dá todas as respostas e avisa: onde vamos – Baía Half Moon, no arquipélago das Shetland do Sul –, quando chegaremos – em 20 minutos –, por quanto tempo – 1h15 para cada grupo de 8 pessoas que lotar um bote inflável – e como está o clima – 1o C. Com apenas dois quilômetros, a ilhota parece um amontoado de rochas cinzas pontiagudas habitada por uns 2.000 casais de pinguins chinstrap (aqueles “de máscaras”) e seus filhotes. Um bote de madeira abandonado na praia de pedras dá o clima de que pisamos na terra firme do fim de mundo desabitado. Por estar vizinha à ilha Livingston, forrada por neve, Half Moon é um cenário fantástico para fotos.

 

Tempestade na Baía Esperanza, com navio Fram ao fundo
Tempestade na Baía Esperanza, com navio Fram ao fundo

 

DESEMBARQUE CANCELADO

A tal imprevisibilidade meteorológica da Antártica fica comprovada no quarto dia. Ventos de mais de 100 quilômetros por hora provocam o cancelamento da descida prevista para a ilha de Brown Bluff. Antes do vendaval, felizmente, conseguimos desembarcar sob o frio de apenas -4o C, ainda que com sensação térmica de -17o C, na Baía Esperanza. Ela abriga, desde 1951, uma base permanente da Argentina, país que está entre as 27 nações com estações científicas na região (a do Brasil, na Ilha Rei George, a 130 quilômetros da Península Antártica, foi totalmente destruída por um incêndio em 2012). Cerca de 50 pesquisadores argentinos integram o seleto grupo de moradores temporários do continente, que não costuma passar de 150 habitantes. A neve ininterrupta e o nevoeiro intimidador que assolam nosso passeio por algumas das 40 construções alaranjadas – o refeitório, a escola, a capela, o mini-museu… – dão uma ideia de quão sofrida foi a estada forçada dos três náufragos da expedição Nordenskjöld, entre 1901 a 1904 (conforme eu havia aprendido na palestra do engenheiro polonês Henryk Wolski). Os restos do abrigo de pedras improvisado estão intactos.

Mas é no quarto dia, na ilha Deception, que a Antártica se apresenta realmente como uma terra de ninguém.  Ao passar no corredor de 150 metros de largura entre as rochas apelidadas de “foles de Netuno” e adentrar na cratera submersa desse vulcão ativo, o MF Fram parece chegar a um lugar inóspito onde nem pinguins, navegadores do século passado ou cientistas pisaram. Com 12 quilômetros de diâmetro, a caldeira de águas verdes abrigadas tem praia e pedras negras vulcânicas lindamente cobertas pelo branco da neve. A caminhada ao alto de seu morro de 540 metros de altitude é o ápice da experiência de isolamento e pequeneza proporcionada por uma incursão dessas: só há a vastidão branca, o silêncio ensurdecedor, a paz sem fim. O trekking de 3 horas à tarde, na baía Whalers, um centro baleeiro abandonado, catapulta o grupo a um estado de contemplação tão ou mais nirvânico, tamanha a beleza das formas dos glaciares e o contraste das cores na paisagem. Afinal o céu azul agora está de volta, e com ele o Sol que reflete um brilho que pode cegar. Em Deception, os sedentos por uma experiência ainda mais sensorial são convidados a dar um tibum de no máximo 5 segundos nas águas menos frias do pedaço. É quando descubro o deleite incrível do oceano com 1o C.

 

P1120792
Passeio de bote para avistar o leopardo marinho

 

COMO EM UMA PRAIA DESERTA

Se desembarcar em Deception provoca uma espécie de versão polar daquele prazer único de encontrar uma praia paradisíaca só pra você, caminhar por Porto Neko, primeira parada do quinto dia, faz lembrar um safári africano – só que no gelo. Neste raro ponto da Península Antártica onde se caminha em solo continental, o mundaréu de pinguins gentoos nem se assusta com os estrondos das avalanche dos glaciares. Tampouco as focas, baleias, leopardos e elefantes marinhos que se exibem para os zooms das câmeras e binóculos durante os passeios de bote-inflável. À tarde, no casebre preto e vermelho de Port Lockroy, uma base britânica, todo aspirante a conquistador se rende à sua faceta de turista. Na loja de souvenirs do simplório museu local, dá para fazer um shopping rápido e despachar um cartão-postal na única caixa de correio do pedaço.

À medida que o navio chega ao ponto mais ao sul da expedição, a latitude 65o Sul, no sexto dia, uma série de montanhas nevadas passa a formar um corredor de 1,6 quilômetro de largura e 11 quilômetros de extensão. Estamos no Canal Lemaire, o cenário mais espetacular para demarcar a meia-volta e o início do longo caminho de volta, agora com a bússola apontada para o Norte. Antes, uma parada na Ilha Danco, para ver o pôr-do-sol entre os 1700 casais de pinguins gentoos. Bem disse a capitã: o clima da Antártica é mesmo surpreendente. E marca para sempre a vida do aprendiz de explorador que pisa naquele território onde pouca gente chegou.

 

P1120680

 

COMO IR

Tradicional operadora de cruzeiros de expedição à Antártica e ao Ártico, a norueguesa Hurtigruten opera saídas com número de dias e rotas variados. Entre as opções está a rota de 10 dias entre os 200 passageiros do navio Fram, apresentada nessa reportagem. Preços a partir de 6.300 dólares. www.hurtigruten.com

Especializada em roteiros ao extremo sul, a brasileira Zelfa Silva, da Antarctica Expeditions, trabalha com navios para 68 a 189 passageiros em viagens de 10 a 19 dias. Pode-se fazer toda a travessia da Passagem do Drake por barco desde Ushuaia ou voar a partir de Punta Arenas, no Chile. Os preços, sem aéreo, partem de 7.000 dólares. www.antartida.com.br

Islândia em ebulição

Eu só sabia três coisas sobre a Islândia quando desembarquei na capital Reykjavík: que aquela era a terra da cantora Björk (de quem sou fã confesso), que a economia do país estava quebrada e que sua natureza selvagem tinha sido inspiração para Viagem ao Centro da Terra, o clássico livro de Julio Verne. Tanto que as cinzas provocadas pela erupção de um vulcão de nome quase impronunciável ali, no meio do nada do Atlântico Norte, em abril, havia paralisado o tráfego aéreo mundial. A fumaceira já tinha desaparecido quando cheguei, em um entardecer de junho, primeiro dos únicos três meses de verão. Havia, nessa época, outro espetáculo no céu: o sol da meia-noite. Por estar tão perto do Polo Norte – a 66 graus de latitude, na linha do círculo polar ártico –, a Islândia se destaca como um raro ponto do planeta onde o sol desce até a linha do horizonte mas não desaparece completamente. Sem a escuridão para limitar o dia, nós – e as centenas de turistas que lotavam o aeroporto – podíamos aproveitar bem a temperatura mais quente do ano: média de 10 °C, contra 0 °C do inverno, quando os dias chegam a ter só duas horas de luz e o céu negro ganha as cores alucinantes da aurora boreal.

Casas seculares feitas de pedra e cobertas por telhados verdes em Skógar (SameSame Photo)

Ladeada por lava vulcânica petrificada, a única grande estrada do país, a Rodovia Nacional 1, faz um círculo beirando o litoral dessa ilha do tamanho do estado de Pernambuco. Intransitável para quem não tem um jipão superequipado, seu interior se traduz como uma imensidão de montanhas, cerca de 25 grandes vulcões e glaciares que cobrem 15% do território. Frustrando nossas expectativas, soubemos que o vulcão Eyjafjallajökull, agora famoso e calminho, não tinha como ser avistado por terra. “Seria necessário fazer uma escalada íngreme no glaciar, ainda assim dependendo das condições da neve e do gelo”, alertou o geólogo Ari Guðmundsson. Seu típico sobrenome chama a atenção para uma peculiaridade: os sobrenomes islandeses repetem a alcunha do pai acrescida de um sufixo: son, para filhos, e dóttir, para filhas.

Felizmente, não é preciso subir vulcões para perceber o bafo quente e o cheiro de enxofre do subsolo fervente: há piscinas de água quente por todo canto. Basta dirigir 14 quilômetros desde o aeroporto para se surpreender com a mais cênica delas, a Lagoa Azul. Transformada em spa, vive cheia de banhistas lambuzados com a lama branca extraída de seu fundo. Compondo a paisagem fumegante, focos de fumaça são expelidos do solo, de onde brota água a 240 °C para que a usina geotérmica vizinha produza eletricidade para a região. Ali perto fica o Strokkur, jato que jorra a 35 metros de altura a cada oito minutos e melhor exemplo atual de gêiser – palavra que a esquisita língua islandesa cedeu ao vocabulário internacional. O tour pelo chamado “círculo dourado” turístico inclui ainda a visita à Gullfoss, uma espécie de pequena Foz do Iguaçu com cataratas de mais de 30 metros, e ao Parque Nacional de Þingvellir, onde se vê a gigantesca falha tectônica que divide a ilha. Na fenda entre os paredões rochosos funcionou, em 930, o primeiro parlamento do mundo.

O lago glacial de Jökulsárlon solta blocos de gelo como este, que parece um urso dando um abraço (SameSame Photo)

Foi em 874 que chegaram à ilha os primeiros vikings noruegueses. Depois deles, a maior influência genética do povo islandês vem da Dinamarca, que dominou o país entre 1380 e 1944. Mesmo após conquistar a independência tardia, a Islândia continuou isolada geograficamente e culturalmente, vivendo da pesca e da agricultura. A cerveja, por exemplo, era proibida até 1989, para que não abalasse o consumo tradicional do destilado brennivin. A partir dos anos 1990, o pequeno país nórdico abriu sua economia e meteoricamente se tornou um dos mais ricos do mundo. Com a mesma velocidade, o castelo ruiu. A crise econômica de 2008 evidenciou os erros da política financeira, quebrou bancos e desvalorizou abruptamente a moeda, a coroa islandesa. Até as lojas do McDonald’s e Pizza Hut fecharam. Com os preços descendo das alturas escandinavas, viajar para lá voltou a ser viável. Mas aí veio o vulcão com nome de palavrão, cancelando voos e afugentando turistas. Endividado mas disposto a recuperar a lotação das aeronaves, o governo reagiu investindo 5,5 milhões de dólares no setor, e os visitantes voltaram.

Tanto a história quanto a realidade islandesas podem ser conhecidas ao viajar de carro pelo sul da ilha. Foi o que fizemos, usando como base o aconchegante Hotel Rangá, em Hella, único quatro estrelas da ilha. Em junho, a cidadezinha de Hafnarfjörður se agitava com um festival viking que simulava batalhas e danças. Adiante, o Museu de Skógar, localizado na vila de mesmo nome e vizinho de uma das muitas cachoeiras que despencam de paredões, preserva casas seculares. Feitas de pedra, são cobertas por plantas que formam “telhados verdes”, ideais para manter aquecida a temperatura interna. A ausência de árvores assusta. A colonização predatória e as erupções de vulcões mais ameaçadores que o Eyjafjallajökull fizeram com que o verde da ilha se restringisse, hoje, aos arbustos, pastos para ovelhas e flores que só no veranico colorem vilarejos charmosos como Vík. O lugar é ideal para observar o mar e o voo das aves do alto dos abismos de 120 metros de Dyrhólaey.

Iceland, a terra do gelo, faz jus ao nome quando exibe, no extremo sudeste da ilha, o glaciar de Vatnajökull, massa de gelo que ocupa 8% do país e cuja espessura ultrapassa 1 quilômetro. O braço que beira a estrada em Skaftafell fica dentro do maior parque nacional, onde um camping serve como ponto de partida para trekkings sobre o gelo, exigindo grampos nas botas. Formado pelo degelo de outro braço do glaciar, o lago de Jökulsárlon parece mais surreal. Icebergs de formas curiosas descem por um riacho até desaguar na praia, a apenas 100 metros dali. Blocos de gelo boiam entre as ondas e vários fragmentos descansam, como conchas feitas de cristal, sobre a areia preta vulcânica.

O tour pelo chamado “círculo dourado” turístico inclui a visita à Gullfoss, uma espécie de pequena Foz do Iguaçu com cataratas de mais de 30 metros: do ladinho de Reykjavík (SameSame Photo)

O que eu não sabia era que Reykjavík, a capital onde vivem 120 dos 300 mil habitantes da ilha, era tão pulsante nos fins de semana. Na avenida principal, a Laugavegur – onde fica o bem localizado hotel Room With a View –, assim como nos arredores, tudo estava movimentado: os cafés, as livrarias, os museus, as galerias de arte, o mercado de pulgas, as praças, as ruas com sobradinhos de telhados coloridos. As vitrines das lojas de roupa vintage, como a Rokk Og Rósir, refletem o ambiente fashionista, evidente nos trajes dos jovens quando a noite chega – no relógio, não no céu. Babados e roupas de camponesas fazem o estilo das meninas. “A última moda entre os rapazes é vestir todo tipo de gravata”, explicou o vendedor Sigurður Birgisson, 23 anos, usando um bigodinho das antigas. Como os mais de cinquenta bares e casas noturnas não cobram entrada e permitem que se saia com o copo na mão, a temperatura sobe à medida que as pessoas bebem, fazem amizade e tropeçam de bar em bar – muitos deles com boa música ao vivo. A luz do dia brilhava pelas janelas do bar Boston quando a DJ Rósa Sigríðardóttir subia nas picapes e praticamente se jogava em cima de uma amiga, a artista plástica Berglind Hlynsdóttir, na minúscula pista de dança. “Estávamos hibernando em casa há meses, não víamos a hora de chegar o verão”, comemora Berglind. Sem hora para acabar às sextas e aos sábados, a noitada de Reykjavík só sossega depois das 7 da manhã – mesmo durante o inverno.

Com tanta gente trocando o dia pela noite, os hotéis investem em cortinas negras que permitam blecaute nos quartos – é o caso do Loftleidir, com vários quartos decorados por artistas locais. O antídoto para a ressaca do dia seguinte é um só: as sete piscinas públicas, que aproveitam a água quente farta em banheironas coletivas com temperaturas de 36 a 44 °C. Antes ou depois do banho, o entretenimento urbano é garantido. Do cais do porto partem tours para observar baleias e pássaros típicos, como os simpáticos puffins. É ali, no despojado restaurante Sægreifinn, que o cozinheiro Kjartan Halldórsson serve espetinhos de baleias. Os gigantes do mar também podem ser degustados em forma de sushi, assim como os cavalos locais, ou em pratos elaborados, como também acontece com os puffins. Para se deleitar com a mais premiada cozinha islandesa, o destino é o Vox, restaurante que defende o manifesto da Nova Cozinha Nórdica e só utiliza ingredientes da região. Depois da comilança e dos passeios, moradores e visitantes de Reykjavík voltam aos bares. A vida noturna do ambiente urbano se mostra tão selvagem quanto as paisagens de seus gêiseres, glaciares e vulcões. Deixei a Islândia sem ver o vulcão e percebendo que a crise é uma boa oportunidade para os viajantes. E tive a melhor surpresa ao encostar no balcão para tomar uma saideira no bar Boston, a 1 hora da madrugada de uma segunda-feira. Quem estava ao meu lado, se jogando na balada? Acredite se quiser: era a Björk.

 

INFO:

REYKJAVÍK, Room With a View – Laugavegur 18, tel. (354) 896-2559, www.roomwithaview.is; Hotel Loftleidir – Við Hlíðarfót, tel. (354) 444-4000, www.icelandairhotels.com; Vox Restaurant & Bistro – Hilton Reykjavík Nordica, tel. (354) 444-5050, www.vox.is; Sægreifinn, Geirsgata 8, tel. (354) 553-1500; Boston Bar, Laugavegur 28b, tel. (354) 517-7816; Rokk Og Rósir – Laugavegur 17; Blue Lagoon – 240 Grindavík, tel (354) 420-8800, www.bluelagoon.com; ÞingvellirNational Park – 801 Selffoss, tel. (354) 482-2660, www.thingvellir.is; HELLA, Hotel Rangá – Suðurlandsvegur 851, tel. (354) 487-5700, www.hotelranga.is; www.visiticeland.com