Estadão publica reportagem da Etiópia

Acabou o mistério: pra quem não estava entendendo o meu sumiço nos últimos dias, hoje veio a resposta. Nesta terça-feira, dia 15, foi publicado no Caderno Viagem, do Estadão, minha matéria sobre a Etiópia (ao qual me dediquei desde que voltei ao Brasil). São 5 páginas contando um pouco de como foram meus 5 dias no país. Parei ali na volta da viagem à Índia para o #KeralaBlogExpress e tive a sorte de acompanhar alguns rituais quase tão lindos quanto os que eles fazem nos próximos dias, durante a Páscoa da Igreja Cristã ortodoxa. Acompanhem a matéria do Estadão e voltem aqui para conhecer relatos dos bastidores nos próximos dias. Continuar lendo Estadão publica reportagem da Etiópia

Dessa vez, Índia me recebe em paz

A vida é feita de imprevistos, e a gente tem certeza disso quando viaja e tem de se adaptar a uma dose intensa de experiências de vida.

 

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Tive mais um exemplo disso hoje, ao desembarcar depois de 30 horas de viagem para o #KeralaBlogExpress e não ter ninguém me esperando no aeroporto. Foi um atraso rápido, talvez de 15 minutos, mas que durou uma eternidade para mim que fui o último a restar no saguão de desembarque do simplório aeroporto de Trivandrum (abreviatura carinhosa para o isoletrável nome da capital de #Kerala, Thiruvananthapuram). Não havia sinal de wi-fi para que eu pudesse checar se tinha recebido algum e-mail com explicação sobre o que estava acontecendo. Meu celular naturalmente não funcionava no extremo sul da Índia. E o cheio-de-good-karma adolescente que atendia na portinha de informações turísticas e se disponibilizou a ligar do seu próprio celular para meus anfitriões do @KeralaTourism recebia mensagem de que aquele número não existia (sem contar que o amigo não tinha nem um computador pra eu poder pedir pra checar meu gmail).

 

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Quando eu já sondava o preço do táxi para me levar pelos 38 km até o #Estuary IslandResort em Poova… Hare Krishna Hare Hare! Aparecem Reji e Sooraj, meus anjos da guarda hindus, com meu nome completinho escrito num ipad. Não sei quem ficou mais feliz: eu, zureta de cansaço; o Reji, motorista que estava fazendo aquele bate-e-volta pela 27a vez; ou o Sooraj, um imberbe funcionário do departamento de mídias sociais da agência #Starck, que desenvolveu para o cliente #KeralaTourism esta campanha ousada para divulgar o turismo da região mundo afora. Os dois anfitriões pegaram um baita trânsito em meio ao mar de tuc-tucs que não param de buzinar um segundo, coitados, e achavam que tinham me perdido. Justo eu, o último dos 27 blogueiros (sim, vieram dois a mais que os 25 anunciados, ainda não entendi o porquê) a desembarcar, e logo no primeiro dia dessa espécie de press trip de 17 dias com travelwriters de 14 países subindo o estado de Kerala de Sul (Trivandrum) a Norte (Kochi).

 

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Os imprevistos haviam começado cedo dessa vez. Quando, ainda em São Paulo, cheguei ao aeroporto de Guarulhos crente que estava ali duas horas antes do embarque, não havia viv’alma no check-in. Nada. Nem passageiros, tampouco funcionários da Ethiopian Airlines. Como o voo estava programado para partir 1h15 do domingo, dia 9, já achei que tinha repetido o vacilo de chegar na madrugada errada. Mas não. Eu tinha adquirido o bilhete, graças a uma cortesia incrível da Ethiopian Airlines, antes do fim do horário de verão. Ou seja: o voo partiria às 24h15, e os funcionários já estavam quase todos cuidando do embarque dos 99 passageiros – cabem 270 nos gigantescos Dreamliner Boeing 787-8 que fazem as rotas Guarulhos-Lome/Togo(7h) – Togo-Addis Abaaba/Etiópia (+5h)  e também Addis-Mumbai/Índia (+5h). A boa notícia, depois que uma atendente se materializou de repente e eu fui o último a embarcar, todo esbaforido, é que eu teria três assentos para me esparramar desmaiado na classe econômica. Eu não disse que a vida é feita de imprevistos?

 

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Mas eu contava da chegada (e isso aqui é um blog, e não um livro). Ao chegar ao hotel #EstuaryIslandResort e me deparar com a piscina de frente para um gramado com redes,  sentir a brisa do estuário e mirar a praia linda adiante, tive uma certeza: eu não iria almoçar em 15 minutos, sem tomar banho depois daquela maratona, só pra encontrar meus 26 coleguinhas no programa do primeiro dia. Assumi minhas limitações físicas e psicológicas para atitude tão guerreira e fui liberado, sem pressão contrária alguma de Reji e Sooraj, para descansar. Hare Hama, Hare Hare!

 

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A ordem foi: banho demorado em um dos 88 quartos do hotel + almoço (um sensacional ensopado de camarões ao leite de coco com arroz, no restaurante do hotel #EstuaryIslandResort à beira do estuário) + travessia de barquinho pra um banho de mar entre pescadores artesanais (me chamaram pra ajudar o barco pro mar, foi beeem roots) + 1h40 da inesquecível-enlouquecedora-relaxantíssima massagem ayurvedica neste que é o berço da medicina tradicional indiana. Foram os 140 reais mais bem pagos dessa minha encarnação, Brahma que não me deixe mentir. Além da massagem (que inclui um esfrega-esfrega na cabeça que ressuscita até uns neurônios que o stress do jornalismo tinha assassinado) e da pressão de uma espécie de bucha com ervas quentes em cada DNA da minhas células, fiz meu debut no sirodhara, aquele método em que um filete de óleo quente é derramado parece-que-por-horas no terceiro olho da sua testa. Se eu pudesse, levava o Soodish, o massagista, pra fazer isso em SP todos os dias da minha vida. Hare Om, Hare Om, Hare Om.

 

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Quando eu saio da massagem, levitando a um palmo do gramado, sou avisado de que vai começar a apresentação de Kathakali, uma tradição Keraliana que existe desde o século 2 e que assumiu sua forma de espetáculo de dança, teatro e percussão “recentemente” (para os padrões indianos), no século 17. Eu já tinha visto, à tarde, o Bijulal, o Hairi e o Prasda se maquiando, juro, por umas três horas. Mas quando eles chegaram todos paramentados, me deu vontade de indicá-los também ao Oscar de melhor figurino. Por 1h15 eles contaram, à beira do estuário, duas lendas retiradas do sagrado Mahabharatha, com direito a simulação de luta e de morte, sempre ao som-alterador-de-consciente de dois tambores e daqueles pratinhos estridentes indianos.

 

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Só no final disso tudo, quando fui para o jantar, é que finalmente conheci, ainda que rapidamente, alguns dos outros viajantes do grupo, que tinham passado o dia pra –lá-e-pra-cá visitando a região. Talvez eu tenha deixado de conhecer coisas legais – disseram que o pôr-do-sol em Kovalam Beach foi sensacional. Mas garanto que não havia forma mais prazerosa de as divindades indianas me receberem de novo na Índia, dez anos depois da primeira viagem, do que do jeito que fui bem tratado em Kerala. Namasté!

 

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Código de Ética SS:

Viajei a convite do Kerala Tourism após ficar em 23o lugar entre os bloggers de viagem mais votados do mundo (entre 600 inscritos) no concurso Kerala Blog Express. Os destinos, hotéis e restaurantes ofereceram seus serviços de graça.

Esta viagem não teria acontecido sem o patrocínio da Ethiopian Airlines (www.ethiopianairlines.com), recém-chegada ao Brasil, e que bancou as passagens aéreas entre São Paulo e Mumbai, via Addis Ababa, na Etiópia.

Praça Tahir, o coração da Primavera Árabe

Há algo de fascinante do desleixo com que são exibidas as 12.000 peças do Museu do Egito, meu primeiro programa na cidade do Cairo – onde pisei na quarta-feira, 11 de dezembro de 2013. Qualquer mortal pode chegar a um centímetro de praticamente qualquer obra, até mesmo cheirar e tocar sarcófagos e estátuas originais de milhares de anos antes de Cristo. Há no máximo um vidro cheio de marcas de dedos protegendo peças mal iluminadas e identificadas apenas por um pedaço de sulfite carcomido. Algo que deve dar urticária nos museólogos que cuidam tão bem das peças-irmãs exibidas no Louvre ou no British Museum. Mas as autoridades egípcias parecem não se importar, acostumadas que estão a conviver com maravilhas arqueológicas tão resistentes ao tempo e fartas (só o acervo permanente tem 150.000 peças). E não há melhor momento para mergulhar na cultura desse país tão importante para a humanidade: como os turistas escassearam desde a eclosão da chamada Primavera Árabe no Egito, em 2011, os viajantes não enfrentam filas e os preços estão ainda mais baratos que antes.

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Ethiopian voa SP-Cairo por 690 dólares

Partiu. O Boeing 787 da Ethiopian Airlines decolou de Guarulhos perto das 2h da manhã da terça, dia 10 de dezembro de 2013, com destino ao Cairo, no Egito. Ouvir a língua etíope da boca das belas comissárias, sorridentes e vestidas à caráter, já deu o gostinho das novidades culturais que vêm por aí. Logo serviram o kolo, uns grãos crocantes de cevada torrada, servido com grão de bico sequinho e que costuma acompanhar o famoso café etíope. Minuto de sabedoria do voo: fico sabendo pelo cardápio que as sementes de nossa bebida-exportação tão amada mundo afora tem origem na província de Kaffa, na Etíopia – daí seu nome. Também me divirto com o rótulo da cerveja local, a Saint George: se aquele São Jorge montado num dragão estivesse nos bares de São Paulo, faria um sucesso danado.

 

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