Estudo sobre Mídias Sociais na ABCiber

Primeiro trabalho do meu Mestrado em Comunicação na Contemporaneidade na Faculdade Cásper Líbero a ser apresentado em um simpósio acadêmico, o estudo Mídias Sociais no Segmento de Viagens tem como corpus de pesquisa a principal empresa holandesa de transporte aéreo. Como a companhia aérea KLM transformou suas redes digitais em ferramentas de vendas e fontes de receita foi selecionado pela Comissão Científica do X Simpósio Nacional da ABCiber, realizado na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Trata-se de um dos grupos pertencentes ao Eixo Temático 13, que congrega trabalhos sobre Arquiteturas digitais de interação, novos modelos de negócios e economia do compartilhamento. Em sua décima edição, o encontro anual da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura reúne na Universidade de São Paulo a elite dos pensadores do país nos temas em destaque neste ano: Conectividade, hibridação e ecologias das redes digitais. Clique aqui para acessar o resumo do artigo e a apresentação para a ABCiber da pesquisa sobre a KLM.

Como foi alimentar os atletas olímpicos durante a Rio 2016

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Um restaurante do tamanho de mais de dois campos de futebol e uma cozinha movimentada pelo trabalho de 2.700 pessoas. Durante 78 dias entre os meses de julho e setembro de 2016, uma megaoperação logística sem precedentes na história da alimentação coletiva mundial deu origem ao restaurante 24 horas da Vila dos Atletas, motor energético essencial dos participantes dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 e integrantes das delegações de 200 países.

 

 

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Foto Adriano Fagundes

 

Diante do sucesso das 842 competições de 65 modalidades esportivas que entraram para a história do Rio de Janeiro, a epopeia de servir até 70 mil refeições para os 25 mil habitantes da Vila Olímpica passou quase despercebida. Para contar esta história com a profundidade que ela merece, foi produzido em tempo recorde e lançado em dezembro de 2016 o livro Legado Olímpico, primeiro trabalho da Editora Same Same. Com 252 páginas, o obra é patrocinada pela Sapore, empresa responsável por toda a alimentação na Vila dos Atletas.

 

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Foto Adriano Fagundes

 

Com reportagem e textos assinados pelo jornalista Daniel Nunes Gonçalves, fotos de Adriano Fagundes e direção de arte de Ricardo Godeguez, Legado Olímpico – O desafio de alimentar a elite do esporte mundial na Rio 2016 detalha como foi o planejamento, a construção das instalações temporárias, os bastidores da logística para providenciar as 3.142 toneladas de alimentos consumidos e o funcionamento ininterrupto da cozinha e do restaurante.

 

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Foto Adriano Fagundes

 

Com capacidade para 5.200 pessoas comendo ao mesmo tempo, o restaurante era organizado por estações como comida brasileira, asiática, italiana, halal/kosher e sabores do mundo. Para atender às rígidas dietas e restrições alimentares dos atletas de alta performance, assim como às exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Sapore investiu no aperfeiçoamento do seu sistema de inteligência operacional. Pesquisou a alimentação em diferentes partes do mundo, importou ingredientes raros e comemorou o feito de não registrar indisposição alimentar entre os atletas.

 

Foto Adriano Fagundes
Foto Adriano Fagundes

 

O livro foi impresso pela gráfica Pancrom com tiragem de 5.000 exemplares: 3.500 da versão português-inglês e 1.500 da versão português-espanhol. Além dos textos, fotos e infográficos, a obra conta com depoimentos de vários atletas e prefácios de Carlos Arthur Nuzman, Presidente do Comitê Olímpico do Brasil, de Sidney Levy , Diretor-Geral do Comitê Organizador Rio 2016, e de Luiza Trajano, Vice-Presidente do Conselho do Comitê Olímpico Rio 2016. A distribuição, ao menos por enquanto, é restrita a clientes, colaboradores e parceiros da Sapore.

 

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Foto Adriano Fagundes

 

Próxima palestra será na USP

E não é que deu certo a palestra que fiz sobre jornalismo de viagem no último sábado, dia 27? Foi minha primeira vez falando em público sobre o meu ofício, eu estava bem ansioso até subir ao palco, mas depois relaxei e fiz até o público dar risada. Minha falação por duas horas encerrou a semana O Viajante, de palestras comemorando os 15 anos da editora do Zizo Asnis, autor dos Guias Criativos dos Viajantes Independentes na América do Sul e na Europa. Contei como virei um contador de histórias de viagem profissional e como começar nessa carreira. Lembrei de episódios curiosos e dei dicas de texto, de ética e de relacionamento com o trade. Mostrei fotos de quatro viagens que fiz no último ano: Egito, Etiópia, Índia e Islândia. E de como um travel writer experiente tem de se adaptar às novas tecnologias para virar um travel blogger iniciante. A boa notícia é que fui convidado para falar também para alunos da USP. Em breve divulgo a data pelo facebook.com/samesamenews. Continuar lendo Próxima palestra será na USP

Revista da Gol publica nota sobre livro

Meu principal objeto de trabalho de 2013, o livro Dos Andes ao Atlântico – Uma Viagem pelo Rio Amazonas já está na mídia. Ele foi citado na Revista da Gol de janeiro, destacando uma foto de crianças jogando futebol no lodo de Macapá, no Amapá, durante a vazante do rio, e outra de um senhor de Monte Alegre, Pará. O projeto do livro é um velho sonho do fotógrafo Adriano Fagundes, que tem raízes familiares na Amazônia. Curioso é como entrei nessa história. Conheci o Adriano em 2001, quando morávamos em Nova York, e ele era um DJ amigo da Bruna, minha ex-roomate. Dez anos depois, quando Adriano voltou ao Brasil depois de duas décadas em NY, foi mostrar o portfólio na revista onde eu trabalhava, a RED Report. Foi quando nos reconhecemos. Acabamos viajando  para Escócia e Irlanda, nos demos bem e ele fez o convite: vamos fazer um livro sobre a Amazônia? Deu no que deu.

Em Portillo, a primeira vez de um esquiador

Você começa calçando botas pesadas, de uns 5 quilos cada uma. Veste os óculos que tapam a cara inteira, depois as luvas grossas, e então agarra os bastões. Protegido por casacos impermeáveis que cobrem até o pescoço, parece um super-herói poderoso. Mas basta dar o primeiro passo para cair: primeiro, na dura realidade de que, nesta empreitada, você está na estaca zero; e depois, cair literalmente. Uma, duas, muitas vezes. No meu caso, seis, só na manhã de estreia. Mas era para pagar mico e aprender a esquiar que eu estava ali, na aula básica da escolinha de Portillo, que já viu o tombo de muita gente desde que foi construída pelo governo chileno nos anos 1940 (posteriormente comprada por norte-americanos, em 1962).

Lição número 1: perca a vergonha. Todo esquiador estreante anda feito um pato. Ou talvez um pinguim, ou como o próprio mico — afinal, os animais estão ali, representados com placas do tamanho de um ser humano na pista El Corralito, repleta de crianças. A rampa diante da porta dos fundos do hotel é uma espécie de jardim da infância também para marmanjos como eu. A segunda aula era óbvia. “Levante a coluna, olhe para a frente, flexione os joelhos, relaxe os ombros”, dizia o instrutor. Nada fácil fazer tudo isso ao mesmo tempo… Era preciso imitar as crianças, que não têm medo e, em nome da diversão, se jogam.

Eu havia alugado os equipamentos na tarde anterior, um sábado, quando começam os pacotes semanais. Mas passaria só quatro dias: como Portillo está no meio do caminho entre Santiago e Mendoza, na Argentina, aquela seria apenas uma parada naquelas férias para degustação dos melhores vinhos latinos. Os quase 3 mil metros de altitude me deixaram sonolento, sem fôlego até para subir escadas, e decidi tirar a primeira tarde para alugar acessórios e conhecer o hotel. Queria descobrir refúgios para o caso de perceber que esqui não era para mim. E achei a piscina, a sauna, as aulas de ioga… Aproveitei também para contratar os professores: teria três aulas coletivas e uma particular, com tempo livre para treinar sem monitores.

Era grande a pressão naquela primeira aula, no domingo. Com as condições climáticas ideais — céu azul de setembro, oito da manhã, 5° C, sol ainda manso e 90 centímetros de neve na base —, invejei não só as destemidas crianças que desciam voando a um centímetro de mim na pista El Corralito, mas também o colorido balé que eu via nas pistas azuis, vermelhas e pretas no alto da montanha, onde deslizavam até os profissionais das seleções norte-americana e canadense de esqui. E eu ali, caindo, levantando e aprendendo pacientemente o beabá de frear, fazer curva e ziguezaguear. E me questionava: quando vão me deixar subir no teleférico e esquiar lá no alto?

No segundo dia, tive duas boas surpresas: ser promovido para a pista La Princesa — onde, em vez de usar uma esteira rolante lenta como a de El Corralito, eu subia esquiando em pé puxado por um lift chamado Va et Vient até poder descer esquiando em uma pista mais íngreme — e o convite para conhecer o restaurante Tio Bob’s, no alto da montanha. Para chegar lá, eu subiria no teleférico, finalmente. “Portillo é uma estação pequena, familiar, e vai continuar assim”, disse o proprietário Henry Purcell, que conheci no restaurante. “Para garantir a qualidade dos serviços, não queremos crescer.”

A frase de Purcell era uma resposta a quem reclama do fato de que, diferentemente de outras estações, Portillo não tem prédios variados e modernos, mil pistas ou um centrinho urbano para badalar. Mas a proposta daquela espécie de transatlântico amarelo atracado na imensidão branca dos Andes é mesmo essa: ser uma espécie de navio familiar. Quando voltam da pista, os esquiadores se encontram em incríveis piscinas aquecidas ao ar livre bem diante da congelada Laguna del Inca. Nos dois restaurantes, os hóspedes sentam-se à mesma mesa e são atendidos pelos mesmos garçons em todas as refeições. Come-se muito. E bem. Para ser um cruzeiro, só faltam o mar e o cassino.

 

Alcancei a glória no último dia. O instrutor considerou-me apto a pegar o teleférico novamente e descer esquiando a pista verde mais difícil, a El Puma. Agora sim: desci cambaleando da cadeira, endireitei o corpo, controlei a velocidade, fiz o zigue-zague direitinho — embora, preciso confessar, tenha levado um último tombo. Mas, com aquela falta de vergonha típica das crianças, levantei e desci destemido, sentindo o vento e o êxtase de surfar no oceano de neve. Tirei a roupa de Robocop e relaxei os pés aliviados na piscina diante do lago. No jantar, é claro, brindei o sucesso da minha primeira vez retomando a proposta original da viagem: tomando um bom vinho chileno.

PANORAMA

Portillo concentra suas 30 pistas, acessíveis por 14 meios de elevação, no entorno de sua única base, o Hotel Portillo, a 2.880 metros. Fica na imensidão branca dos Andes, bem no alto dos “caracoles”, trecho da espetacular estrada em zigue-zague que leva à burocrática travessia fronteiriça entre o Chile e a Argentina.

ESTRUTURA

Tem pistas para todos os níveis: as crianças se divertem na El Corralito, os diletantes passeiam na El Princesa e os experientes descem a El Puma. Como não há centro urbano por perto, a diversão está toda ali: sauna, bares, sala de internet, quadras. E o melhor: piscinas aquecidas e ao ar livre.

TEMPORADA

De junho a setembro

 

COMO CHEGAR

O próprio hotel pode programar o traslado desde o aeroporto de Santiago, a 164 quilômetros (duas horas). Ônibus para Mendoza, na Argentina, também a duas horas, param diante do hotel se combinado com antecedência.

 

ONDE FICAR

Com 123 apartamentos, o Hotel Portillo (tel. +562/263-0606, skiportillo.com) tem uma decoração antiquada, mas cheia de clima. Uma semana custa a partir de 1.700 dólares por pessoa. Já os lodges Octagon e Inca, com quartos e banheiros compartilhados, podem sair por menos da metade — com direito a usufruir da completa estrutura do hotel.

 

Publicado na revista TAM Nas Nuvens de dezembro de 2011.