Minha Nova Zelândia na revista da TAM

Já ouviu falar dos maori? Os primeiros habitantes da Nova Zelândia e sua relação com a natureza esplendorosa desse jovem país da Oceania são os destaques da reportagem que assino na revista TAM Nas Nuvens de julho de 2015, que acaba de chegar a todos os aviões da companhia aérea. Com 9 páginas, a matéria Orgulho Maori apresenta os lugares mais especiais que visitei ao longo de 10 dias de novembro de 2014 a convite do Tourism New Zealand. Antes vista como parte de um passado ancestral, a cultura maori – como os cumprimentos feitos com o toque dos narizes e o hábito de marcar o corpo com tatuagens tribais – vive uma retomada no país. Um exemplo desse vigor está na exposição Legado Vivo, que exibirá esculturas, fotos e danças como a haka no Rio de Janeiro e em São Paulo no próximo mês de outubro. Leiam mais na TAM Nas Nuvens de julho.

O império contra-ataca

Vinte e oito retratos de mulheres e homens comuns vestindo trajes andinos tradicionais fizeram sucesso entre limenhos e estrangeiros, de abril a setembro, que visitaram a MATE, galeria que o fotógrafo Mario Testino abriu em Lima há um ano e meio. Numa alusão provocativa aos ensaios de alta costura que costuma produzir para publicações como Vanity Fair e Vogue, o peruano radicado em Londres batizou a mostra de “Alta Moda”. “Voltei às raízes para explorar a herança do meu país e mostrar ao mundo a riqueza de nossa cultura”, afirmou, satisfeito pelo sucesso da exposição tê-la feito migrar para Nova York, onde vai decorar as salas do Instituto Espanhol Rainha Sofia até 29 de março. A missão de Testino parece estar sendo cumprida: o mesmo requinte da vestimenta dos camponeses de origem inca que ele fotografou na cidade colonial de Cusco ao longo de cinco anos pode ser notado no artesanato e na gastronomia do país, o que tem consagrado o Peru como o destino latino favorito de viajantes em busca de experiências legítimas.

 

Plaza de Armas (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)
Plaza de Armas (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)

 

Localizada a 1 hora de voo de Lima, Cusco tem aquele charme de cidades coloniais como Cartagena e Ouro Preto. Sua Plaza de Armas rodeada por sobrados avarandados típicos da arquitetura espanhola foi clicada por 2 milhões de turistas que ali chegaram em 2012 – mais que o dobro de oito anos atrás. Trajes típicos tais e quais aqueles registrados por Mario Testino continuam sendo orgulhosamente vestidos pela população. No entorno da cidade, que foi a capital do império inca, o mais importante da América do Sul entre 1438 e 1533, o chamado Vale Sagrado exibe uma série riquíssima de sítios arqueológicos, entre os quais se destaca o mais famoso do continente, Machu Picchu. Mesmo sem shopping-centers, parques temáticos ou atrativos artificiais,  Cusco vê sua infra-estrutura de turismo ganhar cada vez mais novos hotéis, restaurantes e museus. Com uma peculiaridade: a maioria dos investimentos foca no turismo de primeira linha.

 

Hotel Monastério (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)
Hotel Monastério (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)

 

É na hotelaria que essa vocação para atender o viajante exigente fica mais evidente. Em 2013,  o Palácio del Inka, que surgiu nos anos 1980 sob a bandeira Libertador como o primeiro cinco-estrelas da cidade, entrou para a rede Luxury Collection Hotel depois de uma reforma de 15 milhões de dólares. Com quadros originais da famosa Escuela Cusqueña nas paredes, tetos pintados à mão e muros incas originais em sua estrutura, ele pertence ao seleto grupo de seis hotéis top que se destacam entre as 94 hospedarias de Cusco. “A elitização do turismo no Peru começou há apenas 10 anos e aconteceu ao mesmo tempo em que as pessoas passaram a valorizar os destinos mais autênticos”, explica Patricio Zucconi Astete, veterano do turismo local. Ele gerencia atualmente o Miraflores Park, de Lima, unidade da rede de luxo Orient-Express, que detém na região de Cusco nada menos que 4 unidades para hospedagem de alto nível.

 

Ceviche típico (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)
Ceviche típico (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)

 

No primeiro semestre de 2013, uma comitiva de 60 hóspedes da TV Globo escolheu o mais pomposo deles, o Monastério, um antigo mosteiro do século 17, para abrigar o elenco e a equipe de apoio da novela Amor à Vida. Nos jantares, Paolla Oliveira e seus colegas puderam assistir às apresentações de ópera que tinham no elenco Angela Merina, respeitada como melhor soprano do Peru. Mais moderno, o vizinho Palácio Nazarenas conta com habitações com chão do banheiro aquecido e oxigênio para amenizar o desconforto da altitude – Cusco está 3400 metros acima do nível do mar, 2500 metros mais alta que São Paulo. Único hotel que desfruta do privilégio de ficar a 20 passos da entrada de Machu Picchu, o Sanctuary Lodge costuma ter uma taxa de ocupação invejável, com média anual de 80 por cento (o que significa que mesmo na temporada das chuvas, de novembro a março, o movimento continua intenso). Mas é na viagem de trem de luxo entre Cusco e Machu Picchu que está o créme de la crème da grife: a jornada dá direito a jantar, vinhos e espumantes, aulas de pisco sour e música ao vivo no trem Hiram Bingham ­– batizado em homenagem ao americano que, em 1911, descobriu Machu Picchu.

 

Trem de luxo do Orient-Express (Foto Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)
Trem de luxo do Orient-Express (Foto Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)

 

Vem das relíquias encontradas pela equipe de Bingham, por sinal, outra das boas novidades de Cusco: o museu Machu Picchu Casa Concha. Inaugurado em 2011, ele conta com 366 peças arqueológicas incas que estiveram por um século no Museu de História Natural de Peabody, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. E soma-se a outros museus de boa curadoria da cidade, entre eles o de Arte Precolombino, que pertence ao grupo do Museo Larco, de Lima, dono da mais fina coleção de objetos de cerâmica, ouro e prata do Peru antigo. Suas peças inspiram o trabalho da designer de jóias  Maria Elena Guevara, proprietária da Inka Treasure, rede com nada menos que 9 joalherias em Cusco. “O Peru é o segundo maior exportador de prata do mundo, só perde para o México”, explica. “Temos o privilégio de trabalhar com a prata de melhor qualidade, além de pedras raras do país, como as de crisocola, a turquesa peruana”, conta a empresária, que já atendeu clientes como Bill Gates, Dalai Lama e Antônio Fagundes. Uma estátua de um guerreiro mochica que brilha em uma de suas vitrines e levou 3 meses para ser esculpida não sai por menos de 8.500 dólares.

 

Maria Elena, da Inka Treasure, e a estátua mais cara da loja (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)
Maria Elena, da Inka Treasure, e a estátua mais cara da loja (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)

 

Por preços menos salgados que os de São Paulo ou Rio de Janeiro, os bons restaurantes de Cusco são exemplos da gastronomia mais respeitada da América Latina na atualidade. Embora já seja sócio do Chicha, considerado o melhor restaurante da cidade, o embaixador da culinária peruana Gastón Acurio se prepara para abrir uma segunda casa em breve. Ele é o dono do Astrid & Gastón, de Lima, que em setembro renovou seus louros como o número 1 entre os 50 melhores da América Latina segundo os críticos da revista inglesa Restaurant. Hoje é difícil jantar sem reserva no Chicha, que tem esse nome em homenagem a uma bebida de origem inca, normalmente feita de milho fermentado. Uma vez à mesa, os comensais degustam receitas desenvolvidas com técnicas andinas e asiáticas. Os ceviches abrem o paladar para clássicos como o anticucho – ou espetinho ­– de coração de vaca e o lomo saltado, filé de carne frito no estilo chinês.

 

Chicha, restaurante de Gaston Acurio (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)
Chicha, restaurante de Gaston Acurio (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)

 

Mas é no vestuário que os turistas – 126 mil deles vindos do Brasil, segundo dados de 2012 da PromPeru, órgão governamental que promove o turismo do país – investem seus soles com maior custo-benefício. É claro que os gorros, suéteres e cachecóis coloridos, como aqueles clicados por Mario Testino, podem ser encontrados em cada esquina com tecidos e preços populares. Quem visita lojas locais renomadas como a Sol Alpaca e a Golden Alpaca, no entanto, descobre que vale a pena pagar mais pelos raríssimos tecidos de vicunha ou de baby alpaca – esses feitos da lã dos filhotes de alguns dos bichos mais avistados nessas alturas dos Andes. “Um gorro de qualidade não vai custar menos que uns 50 reais, mas vale a pena”, atesta a advogada Thalita Rosa, que viajou com o namorado, o engenheiro Mateus Carmona, em junho. “Contratamos um motorista exclusivo para explorar os arredores, comemos muito bem e ficamos fascinados com a riqueza das tradições do Peru”, conta Thalita, que voltou de viagem com outra recordação mais que especial. Foi nas alturas do Wayna Picchu, a maior montanha diante de Machu Picchu, que Matheus lhe surpreendeu com um par de alianças e um pedido de casamento. E deixou a experiência de conhecer o Peru ainda mais inesquecível.

 

Foto Adriano Fagundes (www.adrianofagundes.com)
Foto Adriano Fagundes (www.adrianofagundes.com)

 

Para ver a reportagem como publicada na Veja Luxo, inclusive com fotos de Mario Testino, baixe o PDF.

 

SERVIÇO:

CHICHA: www.chicha.com.pe

GOLDEN ALPACA: Plaza de Armas, 151, tel. +51 84 25-1724

INKA TREASURE: www.incatreasure.com.br

MACHU PICCHU: www.machupicchu.gob.pe

MATE (LIMA): www.mate.pe

MIRAFLORES PARK HOTEL (LIMA): www.miraflorespark.com

MONASTÉRIO: www.monasteriohotel.com

MUSEU DE ARTE PRECOLOMBINO: www.map.museolarco.org

MUSEU MACHU PICCHU CASA CONCHA: www.cuscoperu.com

PALÁCIO DEL INKA: www.starwoodhotels.com

PALÁCIO NAZARENAS: www.palacionazarenas.com

SANCTUARY LODGE: www.sanctuarylodgehotel.com

SOL ALPACA: www.solalpaca.com

TREM HIRAM BINGHAM: www.orient-express.com

Surge uma Barra Funda remodelada

A Barra Funda não é mais a mesma. Que o diga o barbeiro Milton Greggio, de 64 anos, um dos mais antigos do bairro. Desde 1961, esse descendente de imigrantes italianos observa as redondezas. De sua portinha na Lopes Chaves, a mesma rua onde viveu o escritor modernista Mário de Andrade, Greggio percebe parte da transformação do bairro pelos clientes que se sentam nas tradicionais cadeiras Ferrante vermelhas de seu salão despojado. “Antes só vinham meus contemporâneos, moradores
dos casarões antigos e funcionários das fábricas”, conta. “Hoje
a clientela é mais jovem, com rapazes tatuados que gostam de
longas costeletas, cabelos modernos e barbas esquisitas.” Greggio
se refere aos freqüentadores das casas noturnas, aos artistas
e aos recém-chegados moradores dos novos empreendimentos
imobiliários.

Por Daniel Nunes Gonçalves e Filipe Vilicic

Espalhada por uma área de 5,6 quilômetros quadrados entre a
Marginal Tietê e os bairros de Perdizes, Lapa, Pompéia, Campos
Elíseos e Bom Retiro (veja mapa ), a Barra Funda recebeu suas
primeiras edificações no fim do século XIX. A inauguração de
estações das estradas de ferro Santos–Jundiaí e Sorocabana, além
de fábricas como as das Indústrias Matarazzo, atraiu moradores à
região. Imigrantes italianos se estabeleceram em vilas operárias
e sobrados estreitos, alguns preservados até hoje. Na virada dos
anos 70, o bairro entrou em um súbito processo de deterioração
por causa da construção do Minhocão, que derrubou o preço dos
imóveis de seu entorno.

A situação começou a mudar com a abertura, em 1988, do
terminal de trem, metrô e ônibus urbanos, intermunicipais e
interestaduais. Diariamente, 500 000 pessoas passam por ali.
Em uma cidade que tanto sofre por causa do trânsito, a fartura
de transporte público conta como ponto positivo. Outro trunfo
é sua localização estratégica – perto da Marginal Tietê e de
avenidas como Pacaembu e Sumaré, mais o próprio Minhocão,
que faz a ligação das zonas Oeste e Leste. Na esteira da facilidade
de acesso, galpões e sobrados caindo aos pedaços foram
transformados em ateliês e estúdios, em um processo semelhante
ao de bairros nova-iorquinos como SoHo e Chelsea. “A Barra
Funda nasceu residencial e depois virou centro de indústria e de
comércio, mas agora volta a atrair moradores”, diz o corretor
Ricardo Gutierrez, da Imobiliária Osvaldo Gomes, desde 1965
na Rua Barra Funda. Segundo a incorporadora Klabin Segall,
nos últimos três anos o preço do metro quadrado dos novos
empreendimentos valorizou-se mais de 35%.

De 2003 para cá, oito casas noturnas passaram a animar as
madrugadas e pelo menos cinco galerias ou lojas de objetos de
decoração se instalaram ali. Centros culturais como o Memorial
da América Latina e o Teatro São Pedro tiveram sua programação
reforçada. Com a Operação Urbana Água Branca, projeto da
prefeitura que estimula a urbanização da região, já são onze

prédios residenciais saindo da planta. Em março, a prestigiada
Galeria Fortes Vilaça abriu uma unidade por lá e na próxima
semana será inaugurada a Gran Fornalha, uma superpadaria com
1100 metros quadrados. A Barra Funda renasce – como é possível
perceber nas próximas páginas – e os moradores comemoram. “É
ótimo poder sair a pé para assistir a apresentações do Memorial
com minha mulher nas sextas à noite”, anima-se o barbeiro
Greggio, que já curtiu até show de rock no badalado CB Bar.
Sua única preocupação é que o boom imobiliário traga com ele a
descaracterização. “A Barra Funda precisa crescer sem perder a
alma.”

Atrações ao longo da ferrovia

Os trilhos dos trens dividem o bairro entre Barra Funda Alta,
vizinha de Perdizes, e Baixa Barra Funda, ao lado da Marginal Tietê

Comer e beber

1. Bacalhau, Vinho & Cia.

Rua Barra Funda, 1067, 3666-0381, www.bacalhauevinho.com.br

2. Dulca Doceria

Rua Lopes Chaves, 134, 3666-4766, www.dulca.com.br

3. Fazendinha da Pompéia

Avenida Nicolas Boer, 120, 3611-1114,
www.fazendinhadapompeia.com.br

4.

Rua Lopes Chaves, 105, 3663-0433

5. Fogão Gaúcho

Avenida Marquês de São Vicente, 1767-B, 3611-3008/3289,
www.fogaogaucho.com.br

6. Gran Fornalha

Avenida Doutor Abraão Ribeiro, 79, 3392-
3466,www.granfornalha.com.br

7. Novilho de Prata

Avenida Marquês de São Vicente, 1215, 3619-5454/5458,
www.novilhodeprata.com.br

8. Ponto Chic

Largo Padre Péricles, 139, 3826-0500, www.pontochic.com.br

9. Royal

Rua Lopes Chaves, 116, 3666-5548 e 3361-0193

10. Tanta Felicità

Rua da Várzea, 418, 3392-3001

Noite

1. Berlin

Rua Cônego Vicente Miguel Marino, 85, 3392-4594,
www.clubeberlin.com.br

2.

Rua Brigadeiro Galvão, 723, 3666-1616, www.bluespace.com.br

3. Café Concerto Uranus

Rua Doutor Carvalho de Mendonça, 40, 3822-2801

4.

Rua Sousa Lima, 67, 3822-1364, www.cbbar.com.br

5. CB Bar

Rua Brigadeiro Galvão, 871, 3666-8371, www.cbbar.com.br

6.

Rua Barra Funda, 969, 3661-1500, www.clashclub.com.br

7. D-Edge

Alameda Olga, 170, 3666-9022, www.d-edge.com.br

8.

Rua Marquês de São Vicente, 1767, 3611-3121, www.eazy.com.br

9. Livraria da Esquina

Rua do Bosque, 1254, 3392-3089, www.livrariadaesquina.com.br

10.

Avenida Francisco Matarazzo, 774, 3868-5858,
www.villacountry.com.br

Arte

1. Casa das Caldeiras

Avenida Francisco Matarazzo, 2000, 3873-6696

2. Casa de Cultura Mário de Andrade

Rua Lopes Chaves, 546, 3666-5803

3. Funarte

Alameda Nothmann, 1058, 3662-5177

4. Galpão Fortes Vilaça

Rua James Holland, 71, 3392-3942

5.

Rua Brigadeiro Galvão, 996, 3662-5530

6. Memorial da América Latina

Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664, 3823-4600

7. Teatro São Pedro

Rua Barra Funda, 171, 3667-0499

Arte

De volta ao circuito

Memorial reforça programação e jovens artistas criam galerias em
antigos galpões

Polêmico e feioso ícone arquitetônico e cultural da Barra Funda,
o Memorial da América Latina, projetado pelo arquiteto Oscar
Niemeyer e inaugurado em 1989, estava um tanto esquecido. No
início desta década, seus seis espaços de eventos eram usados
quase exclusivamente como palco de solenidades oficiais. Havia
cupins em obras da artista plástica Tomie Ohtake e infiltrações
nos prédios. A situação melhorou a partir de 2005. Hoje, o
elefantão recebe quase 700 000 pessoas por ano e sedia eventos
disputados, festivais como o Anima Mundi, a partir de quarta
(23), e o de Cinema Latino-Americano, que terminou domingo
(13). “O desenvolvimento da região ajudou a revitalizar lugares
que estavam em decadência”, afirma Fernando Calvozo, diretor
de atividades culturais do Memorial e ex-diretor do Teatro São
Pedro. Ele explica que estudantes, clientes de casas noturnas,
funcionários de empresas ali instaladas e o grande movimento
criado pelos fóruns criminal e trabalhista – cerca de 25 000
pessoas por dia útil – aumentaram a freqüência do público. É o
caso do apresentador Britto Junior, um dos 3 000 funcionários
da Rede Record, que fica na Rua do Bosque. “Já morei em dois
endereços da Barra Funda e acredito que essa renovação estimula
as pessoas a redescobrir a região central”, diz Britto.

Dono da loja de objetos de decoração para atacado Marco
500, o empresário Marco Aurélio Pulchério faz parte dessa
leva de redescobridores. Em 1999, ele montou seu show-room
para lojistas na Rua Brigadeiro Galvão e se mudou para um
apartamento na Alameda Barão de Limeira. “Desde que cheguei,
a vizinhança foi tomada por ateliês e galerias”, conta Pulchério,
que plantou duas árvores diante da fachada colorida de sua
empresa e fundou com amigos o Curto Circuito Barra Funda, do
qual fazem parte outras três lojas do gênero. Nenhuma novidade
no ramo das artes, porém, foi mais marcante que a abertura,
em março, da galeria Fortes Vilaça, representante de artistas
contemporâneos como osgemeos e Beatriz Milhazes. Na segunda
unidade – a primeira fica na Vila Madalena – são comercializadas
obras avaliadas em mais de 350 000 reais.

Noite

Comando da madrugada

Uma dezena de clubes noturnos atrai cowboys urbanos, gays,
roqueiros e fãs de música eletrônica

Em 2001, após uma temporada de um ano e meio na Holanda
trabalhando como cozinheiro e barman, o artista plástico Diego
Belda voltou a São Paulo atrás de um lugar para morar e montar
seu ateliê. Por indicação de colegas, mudou-se para a Barra Funda.
Dois anos depois, decidiu abrir, com um amigo, a Casa Belfiore, na
Rua Sousa Lima. “Não havia nas redondezas um lugar que servisse
um bom hambúrguer e cerveja de qualidade”, lembra. Com a
divulgação boca a boca, em menos de um ano o público subiu
de quinze pessoas por dia para mais de 100. Como a vizinhança
começou a reclamar do barulho dos shows de rock, ele inaugurou,
em 2006, mais uma casa, o CB Bar, que passou a abrigar essas
apresentações. O galpão de 300 metros quadrados na Rua
Brigadeiro Galvão chega a receber 500 baladeiros num sábado.

A Barra Funda ferve de madrugada desde 2003, quando foi
aberto, na Alameda Olga, o D-Edge, eleito pela revista inglesa DJ
Magazine, referência em música eletrônica, como um dos melhores
clubes do mundo. A guinada rumo ao agito continuou com o Berlin,
em 2005, e com a Clash e a festa GLS Flex (na Eazy), ambas de
2007. Em agosto passado chegou a Livraria da Esquina, um misto
de livraria e casa de shows alternativos que antes funcionava em
Perdizes. “A Vila Olímpia e a Vila Madalena estão abarrotadas”,
diz Marco Tobal Junior, sócio do Grupo Olympia, dono do Villa
Country e das casas de eventos Expo Barra Funda e Espaço das
Américas. “A Barra Funda virou alternativa para quem quer dançar
e curtir sem encarar trânsito e muvuca.”

Comer

Novidades à mesa

Uma descolada feijoada com chorinho e uma nova superpadaria
somam-se a restaurantes tradicionais

Nas tardes de sábado, um chorinho tocado ao vivo ecoa de um
sobrado cheio de plantas na Rua Lopes Chaves. Não há placa na
porta, mas os iniciados já sabem: é dia da Feijoada da Bia. Ao
chegar ao bairro, há quatro anos, a chef Bia Braga só buscava um
imóvel grande e barato onde pudesse preparar os pratos de seu
bufê. “Mas um almoço para quarenta amigos deu tão certo que,
um ano depois, se tornou programação fixa”, diz Bia. No início, o
fundo musical era um sambinha, resgatando a tradição do local,
que reunia os bambas no Largo da Banana, no início do século XX.
Como o som estava alto demais, optou-se pelo chorinho. Figuras
conhecidas, como o escritor Ignácio de Loyola Brandão e o médico
Drauzio Varella, costumam aparecer por lá.

Apesar de ter muitas casas para dançar, a Barra Funda ainda
reúne poucos lugares para comer e beber. Entre as opções
tradicionais, há a doceria Dulca e a lanchonete Ponto Chic. Para
suprir parte dessa lacuna, está prevista para agosto a abertura do
La Barre, com cozinha coordenada pelo chef francês Emmanuel
Bassoleil, onde funcionava a Chez Victor Brasserie. Na próxima
semana deve ser inaugurada a Padaria Gran Fornalha, na
Avenida Doutor Abraão Ribeiro. Com investimento de 3 milhões
de reais, ela terá 1 100 metros quadrados, 120 funcionários e
estacionamento para trinta carros. “O movimento dos fóruns e dos

novos prédios comerciais dessa parte do bairro vai transformar a
Marquês de São Vicente em uma nova Berrini”, exagera um dos
sócios, Florinaldo Quirino, referindo-se à conhecida avenida do
Brooklin.

Imóveis

Paisagem

Onze novos prédios residenciais quebram a monotonia plana da
antiga várzea

Exibir Infográficos

Paisagem

O gestor cultural Felipe Arruda tinha um sonho quando deixou
a casa dos pais na Vila Nova Conceição, há quatro anos, para
morar sozinho em um apartamento de 70 metros quadrados na
Barra Funda. “Queria conversar com os vizinhos e viver um clima
de bairro”, lembra. A aposta foi certeira. Arruda montou seu
canto no 3º e último andar de um edifício dos anos 50, em uma
rua pacata. Paga 500 reais de aluguel e faz boa parte de seus
passeios no entorno. Ali perto, por 125 000 reais, o economista
Pablo Luiz Cezario e sua mulher, a administradora Flávia Carneiro,
compraram um apartamento de 63 metros quadrados ainda na
planta, em 2004. Mudaram-se para lá há um mês. “O bairro é
pacífico, e nosso imóvel já vale 170 000 reais”, diz Pablo, feliz da
vida.

Jovens como eles compõem a maior parte dos compradores das
3 100 unidades dos vinte empreendimentos imobiliários lançados
desde 2002. Onze deles apareceram nos últimos dois anos, sendo
quatro prédios com apartamentos de quatro dormitórios e preço
superior a 500 000 reais. O valor do metro quadrado em novos
apartamentos dessa zona da cidade, que era de 1 900 reais em
2005, já passa de 2 500 reais, segundo a incorporadora Klabin
Segall, que constrói três empreendimentos no bairro. Embora os
espigões ameacem quebrar a monotonia plana da paisagem, os
amplos terrenos disponíveis indicam que a Barra Funda ainda tem
muito espaço para crescer.

Nos bastidores dos tablados de flamenco em Madri

Os olhos miram-se imóveis no espelho, queixos altos, mãos na cintura. Quando a professora bate palmas e o senhor na cadeira ao lado começa a dedilhar as cordas do violão, o grupo de alunas bailaoras arregaça as saias e passa a sapatear sincronicamente sobre saltos de 5 centímetros cravejados de pregos. Demarcado por um complexo ciclo rítmico de 12 compassos, o cruzar de pernas é acompanhado pelo balé aéreo de mãos e braços, que se dobram leves como penas. Mesmo compenetrada, a carioca Tatiana Bittencourt mantém o sorriso no rosto enquanto rodopia e faz dançar no ar seu xale, aqui chamado de mantón. Professora de dança no Rio de Janeiro, ela não disfarça a satisfação ao bailar na Amor de Dios, principal escola de flamenco de Madri e do mundo, onde circulam diariamente mil alunos, metade deles estrangeiros. “Esperei dois anos para voltar para cá e passar dois meses me aperfeiçoando”, contaria mais tarde. Em sua quarta viagem de imersão no universo flamenco da capital da Espanha, Tatiana se integrou a um batalhão de dançarinos dedicados a aprender ali, com 30 professores, as técnicas da principal expressão musical espanhola.

Naquele sábado de fevereiro, Tatiana tinha pressa. Ao fim da aula, caminhou rapidamente pelos corredores, escutando os sons de castanholas, cajóns e guitarras flamencas que ecoavam das 15 salas. Corria para não se atrasar para a apresentação de Farruquito. Você pode não conhecer Farruquito, um dos grandes nomes do bailado flamenco, ou o Tomatito, lenda viva dos violões. Mas naquela noite, madrilenhos e turistas admiradores de flamenco se dividiam para assistir às performances dos dois. Farruquito dançaria no Casa Patas, uma fundação composta por conservatório e restaurante que tem, nos fundos, um tablao, o tablado para apresentações de flamenco. Já Tomatito fecharia a série de cinco noites do 19º Festival Flamenco Caja Madrid (www.obrasocialcajamadrid.es), tocando para 1.100 pessoas na casa de espetáculos Teatro Circo Price, pertinho dos Museus do Prado e Reina Sofía. Em uma evidência de como o flamenco tem agitado o circuito cultural de Madri, o Guía del Ocio (www.guiadelocio.com/madrid), semanário de entretenimento vendido nas bancas de jornal, listava 18 apresentações naquela semana. E entre 4 de junho e 2 de julho, um festival ainda maior, o Suma Flamenca (www.madrid.org/sumaflamenca), deve mobilizar a cidade.

Aula de flamenco na escola Amor de Dios (fotos de Luis Maximiano)

PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE

Os estudiosos acreditam que o flamenco nasceu no século 15, na região de Andaluzia, sul da Espanha, e que a palavra venha de felag mengu, “camponês fugitivo” em árabe. Seria uma fusão da música dos ciganos que vinham do Norte da Índia com a dos mouros e judeus que já habitavam a região. Antes uma manifestação regional, ele só adquiriu o formato de performance artística no século 19, com a difusão de seus três pilares unidos: o cante, canções profundas que fazem lembrar uma prece muçulmana; o toque, melodia comandada por um violão especial, a guitarra flamenca; e o baile, a dança vigorosa que se assemelha a uma incorporação visceral. Em novembro de 2010, a Unesco o reconheceu como Patrimônio Imaterial da Humanidade. “Este título vai contribuir para que mais gente descubra esta arte viva”, comemora Carmen Linares, uma das divas do cante, que se apresentou no festival de fevereiro. Nascida no sul do país há 60 anos, ela se mudou para Madri em 1965 para trabalhar com flamenco. “Na Andaluzia está o berço, mas aqui se multiplicam os tablaos, os espetáculos, o público”, conta.

O movimento das casas flamencas evidencia essa retomada. Um exemplo é a recente reforma do Villa Rosa, na Plaza Santa Ana, um dos míticos cafés cantantes que sediaram a fase áurea do flamenco entre o fim do século 19 e as primeiras décadas do século 20, segundo o “flamencólogo” José Blas Veja, autor de 50 Años de Flamencologia – e proprietário do sebo Librería del Prado, pertinho da escola Amor de Dios. Preservando os belos azulejos de 1928, o Villa Rosa, que funcionava como discoteca nos últimos anos, reabre agora como restaurante com tablao. Já o Cardamomo, um bar popular proximo à Puerta del Sol, há dois anos incorporou shows flamencos em seu tablao, deixando as baladas para depois da meia-noite. Aos domingos, o Cardamomo se transforma para receber o público infantil com o espetáculo teatral El Bosque Flamenco – que já teve na plateia até a princesa das Astúrias, Letizia Ortiz, e suas duas filhas.

“Esta renovação é fundamental”, acredita o cantaor Miguel Poveda, revelação da Catalunha que se tornou um galã do flamenco e abriu o festival Caja Madrid. “Muitos ídolos morreram, outros talentos desistem porque esta é uma carreira difícil, especialmente em tempos de crise, mas temos de resistir.” O baixo-astral que assola parte da Europa em função dos problemas econômicos, por sinal, parece até combinar com muitas das letras flamencas, que choram dores de amor e injustiças sociais. Poveda chega a fazer sete shows por mês, mas lamenta não ganhar dinheiro como se cantasse música pop. “Com o flamenco eu nunca vou lotar uma Plaza de Toros, como faz o Julio Iglesias”, compara outro cantor do festival, o madrilenho Juan Valderrama. “Mas o flamenco é a voz do povo, tem um público fiel.” Filho do casal de cantaores Juanito Valderrama e Dolores Abril, ele acredita que o flamenco é mais complexo e nem sempre triste como o fado português ou o tango argentino. “O flamenco nasceu nesta eterna terra de trânsito que é a Espanha, e belisca todos, do Oriente ao Ocidente.”

TEM DUENDE NO TABLADO

Primeiro, entram os três violeiros. Depois, sobem ao palco os três cantaores e palmeros, demarcando o canto com as palmas das mãos. Quando as três bailaoras e o bailaor começam a bater os pés no palco, tem início um ritual que parece deixá-los em transe. Tocadores de olhos fechados, cantores com cara de sofrimento e o corpo de baile se expressando de forma dramática parecem cumprir o objetivo de despertar o “duende”. Assim a comunidade flamenca denomina a sensação inebriante causada pela harmonia no tablao, que emociona tanto os artistas quanto o público – como foi possível perceber em um noite lotada de estrangeiros, alguns às lágrimas, no Corral de la Morería. Fundado em 1956 e bem localizado na rua do imponente Palácio Real, o restaurante flamenco tem paredes cheias de quadros de antigas apresentações e de outra paixão espanhola, as touradas. Conseguir uma mesa perto do palco é fundamental para bem aproveitar a uma hora e meia de espetáculo. Caso contrário, a vista acaba sendo prejudicada pela circulação dos garçons – que servem menus-degustação de 43 a 99 euros, mais os cerca de 40 euros de couvert artístico. Apesar de caro, vale a pena.

Apreciada pelos turistas, a fórmula dos restaurantes com tablaos típicos de Madri consagrou também o Café de Chinitas, o Las Carboneras, o Clan e o El Corral de La Pacheca. Madrilenhos mais interessados na música que na comida preferem ir direto ao ponto no Cardamomo e no Las Tablas. Mais raras, é verdade, são as peñas flamencas, rodas informais em que não é falta de respeito interagir, por exemplo, cantando e batendo palmas. Com sorte, os mais notívagos podem ser convidados a descer ao porão do Candela, um bar underground onde a boemia flamenca se apresenta de improviso. Mas, com tamanha oferta, como decidir a qual tablao ir? “Mais importante que os lugares são os artistas”, ensina Joaquín San Juan, diretor da Amor de Dios. Como as casas revezam seu casting, é preciso checar a programação nos sites. “Se o elenco for desconhecido, pergunte para um amigo que entende”, recomenda. O próprio mural da escola, com dezenas de folders e cartazes de eventos, pode ser um ponto de partida.

TERRITÓRIO FLAMENCO

Criado em 1952, o Centro de Arte Flamenco y Danza Española Amor de Dios foi batizado com o nome da rua de um de seus primeiros endereços, localizado a 100 metros do atual. Fica sobre os corredores repletos de peças de jamón e cabeças de porco do Mercado de Antón Martín, mesmo nome do bairro, e acabou sendo responsável pela transformação de seu entorno em uma zona flamenca. Por todos os lados há lojas de sapatos – um par pode custar 160 euros – e roupas, como os longos vestidos cheios de babados e frente mais curta para mostrar os pés da bailaora. Em lojas como a Lola Almela, a brasileira Talita Sánchez gastou 500 euros em acessórios como flores de cabelo e habanicos (leques) para levar para suas alunas no Japão. “Moro em Madri mas rodo o mundo com o flamenco”, conta ela, cuja família organiza no Brasil, há dez anos, o Festival Internacional de Flamenco (www.festivalflamenco.com.br), que costuma acontecer em São Paulo e São José dos Campos.

É perto da espetacular Plaza Mayor, no entanto, que fica a loja que reúne a maior oferta de artigos do gênero. Na El Flamenco Vive, os irmãos David e Alberto Martinez vendem 2 mil títulos entre CDs e DVDs, mil livros, roupas, postais e guitarras flamencas de dez fabricantes. Se a intenção for investir nas cordas, nada melhor que agendar uma visita ao ateliê Mariano Conde, que nasceu como Conde Hermanos em 1915, para acompanhar a confecção do mesmo violão comprado por Tomatito e por Paco de Lúcia, maior divulgador mundial da guitarra flamenca. Comparado ao violão clássico, o de flamenco tem uma caixa mais estreita para intensificar os sons graves e metálicos. Depois de levar até quatro meses para ser confeccionada, uma peça pode custar 15 mil euros.

FLAMENCO FUSION E À LA BROADWAY

Exímio tocador de guitarra flamenca radicado em Madri, o brasileiro Fernando de La Rua é um dos agitadores deste circuito cultural. Além de se apresentar em tablaos e escolas, ele promove na capital espanhola o Projeto Brasil Flamenco, idealizado por sua mulher, a bailaora brasileira Yara Castro. Trata-se de encontros entre artistas espanhóis e brasileiros – como Tatiana Bittencourt, que dançava na Amor de Dios no início desta reportagem. Seu trabalho representa uma corrente contemporânea chamada de flamenco fusion. “Minha mão direita usa as técnicas do flamenco, mas a esquerda é bem brasileira”, brinca ele, que em fevereiro apresentou no pequeno Artebar La Latina o repertório de seu CD, com uma guitarra flamenca repleta de influências que vão do jazz ao chorinho. Em Madri ouve-se misturas de flamenco com rock e até com rap. Mas há espaço também para os musicais à la Broadway, com coreografias ensaiadas e bem diferentes do improviso dos tablaos. O espetáculo España Baila Flamenco costuma lotar os 300 lugares do Teatro Muñoz Seca, ao lado da movimentada Gran Vía, com 25 bailaores em cena – entre eles o brasileiro Fábio Rodriguez e a lendária Sara Lezana, que na década de 1960 contracenou com o bailaor Antonio Gades, o “Pelé” do flamenco, no cinema. Outras duas montagens da mesma companhia, Ballet Flamenco de Madrid, estão previstas para maio, em mais uma prova de que não há melhor lugar para se emocionar com este Patrimônio da Humanidade do que em Madri.

INFO: MADRI

+34 91

Artebar La Latina – Calle San Bruno 3, tel. 61 511-5627; Ballet Flamenco de Madrid – tel. 522-7903, www.balletflamencodemadrid.com; Café de Chinitas – Calle Torija 7,
tel. 559-5135, www.chinitas.com; Candela – Calle Olmo 2, tel. 467-3382; Cardamomo – Calle Echegaray 15, tel. 369-0757, www.cardamomo.es; Casa Patas – Calle Cañizares 10, tel. 369-0496, www.casapatas.com; Centro de Arte Flamenco y Danza Española Amor de Dios – Calle Santa Isabel 5/1º, tel. 360-0434,
www.amordedios.com; Clan – Calle Ronda de Toledo 20, tel. 528-8401, www.salaclan.com; Corral de la Morería – Calle Morería 17, tel. 365-8446, www corraldelamoreria.com; Corral de la Pacheca – Calle Juan Ramón Jiménez 26, tel. 353-0100, www.corraldelapacheca.com; El Flamenco Vive – Calle Conde de Lemos 7, tel. 547-3917,
www.elflamencovive.es; Las Carboneras – Plaza del Conde de Miranda 1, tel. 542-8677, www.tablaolascarboneras.com; Las Tablas – Plaza España 9, tel. 542-0520,
www.lastablasmadrid.com; Librería del Prado – Calle del Prado 5, tel. 429-6091, www.libreriadelprado.com; Lola Almela – Calle Duque de Fernán Nuñez 4, tel. 429-2897,
www.flamencololaalmela.com; Mariano Conde Guitarras – Calle Amnistía 1, tel. 521-8155; Villa Rosa – Plaza Santa Ana 15, tel. 521-3689

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS/SPECIAL THANKS TO: AECID Centro Cultural de España en São Paulo, www.ccebrasil.org.br; Cultyart (Festival Caja Madrid),

www.cultyart.com; Mirasierra Suites Hotel, Calle Alfredo Marqueríe 43, tel. 727-7900, www.jubanhoteles.com