12 experiências marcantes das minhas 12 viagens de 2014

Já são quase 25 anos viajando compulsivamente – desde meu primeiro camping selvagem, em 1990 – e quase metade deles dedicados ao jornalismo de viagem. Em alguns anos – como em 2001 e 2002, quando eu cobria Fórmula Indy e morava em Nova York –, cheguei a viajar mais: cheguei a contar 150 voos por uns 15 países naquele período. Também tive anos com poucas e intensas viagens – foi o caso de 2011, quando realizei o sonho de conhecer a Antártica com o Amyr Klink –, assim como vivi anos em que fui muitas vezes para o mesmo lugar – em 2013, viajei 3 vezes e passei no total quase 3 meses na Amazônia. Mas 2014 foi especial pela altíssima média tanto no quesito quantidade como qualidade. Comecei o ano em Punta del Diablo, no Uruguai, pulei carnaval em Recife e Olinda, assisti à Copa do Mundo de futebol em Belo Horizonte. Pirei em algumas das metrópoles mais fascinantes do mundo, como Nova York, Berlin, Roma, Viena. Tive o privilégio de voltar à Índia, à Tailândia, à Etiópia, à Islândia. E quando eu achei que a overdose de beleza tinha acabado, recebi o convite-surpresa para enfim conhecer a Nova Zelândia – por quem agora morro de amores. Vários posts e matérias sobre cada um já foram compartilhados pelo Same Same. Agora faço um resumo dos highlights das experiências nos 12 destinos que visitei nesses 12 meses. Que 2015 seja tão ou mais intenso.

 

PUNTA DEL DIABLO, URUGUAI:

Entrei em 2014 como mais gosto: na praia e com gente amada. Apesar da água fria, Punta del Diablo, no Uruguai, não tem muvuca, oferece um chalé mais lindo que o outro, comida de primeira e aquele povo muy buena onda.

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KERALA, ÍNDIA:

Ganhei um concurso de Facebook e viajei com 27 blogueiros de 14 países por 17 dias pelo Sul da Índia. Amei aquela Torre de Babel contemporânea, as incríveis massagens ayurvédicas, a imersão no pedaço mais suave da Índia.

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RECIFE e OLINDA, PERNAMBUCO:

Meu amado Rio que me perdoe, mas tive de repetir o carnaval nas ruas de Recife e Olinda. Me vesti de palhaço, hippie e índio no mais democrático dos grandes carnavais brasileiros. Crianças, travestis e vovós dançando juntos!

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BANGKOK, PUKHET E CHIANG RAI, TAILÂNDIA:

Eu já gostava dos templos, do aroma de incenso e dos sabores de Bangkok, da cor do mar de Pukhet, das massagens incríveis e baratinhas da Tailândia. Mas dessa vez conheci Chiang Rai, ao norte, e aprendi a pilotar elefantes!

Apresentação en um dos restaurantes do Hotel Mandarin Oriental
Apresentação en um dos restaurantes do Hotel Mandarin Oriental

 

LALIBELA E ADDIS ABEBA, ETIÓPIA:

A capital Addis eu tinha conhecido em 2013, mas dessa vez subi ao norte do país e vivi os rituais espirituais fantásticos a São Jorge e Santa Maria. Tive de acordar no meio da noite para orar nas incríveis igrejas de pedra de Lalibela.

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NOVA YORK, EUA:

Vivi 48 horas de arte na cidade mais legal do mundo – e me surpreendi vendo o trabalho dos brasileiros Lygia Clark, Kobra, Tunga e Adriana Varejão brilhando em Nova York. Ah, e enfim conheci o sensacional DIA/Beacon.

Espetáculo The Queen of The Night (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)
Espetáculo The Queen of The Night (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)

 

BELO HORIZONTE, MINAS GERAIS

Quase tive uma taquicardia fatal no jogo Brasil x Chile da Copa do Mundo de futebol em Belo Horizonte, que terminou com disputa de pênaltis. Eu e minha família fomos pra lá de ônibus, em cima da hora. E adoramos a nossa copa.

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ROMA, ITÁLIA:

Fiz uma imersão na Roma Imperial: pedalei na Via Ápia antiga, conheci o subterrâneo do Coliseu, desci a catacumbas milenares. Foi demais assistir a projeções sobre ruínas para conhecer a saga de Augusto, Júlio César, Nero…

Fórum de Augusto com projeção multidimensional
Fórum de Augusto com projeção multidimensional

 

ISLÂNDIA:

Na minha primeira vez, no verão de 2010, eu vi a Bjork na balada e pirei no sol da meia-noite. Dessa vez, em setembro, eu caminhei em glaciar, voei sobre um vulcão ativo e, quem diria, vi minhas primeiras auroras boreais.

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NOVA ZELÂNDIA

Recebi o convite numa quarta, viajei na sexta. E fiquei perdidamente apaixonado pela Nova Zelândia, onde fiz 3 sobrevoos de helicóptero, interagi com os maori e sobrevoei o vulcão de White Island, pousando na sua boca.

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BERLIM, ALEMANHA

Entrei em um bunker que virou a galeria de arte Boros, celebrei 25 anos da Queda do Muro de Berlim, entendi como a reciclagem do passado triste em presente feliz transformaram Berlim na capital mais vibrante da atualidade.

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VIENA, ÁUSTRIA

Bebi muito vinho quente nas “quermesses” dos superiluminados mercados de Natal, conheci palácios e museus centenários cheios de história, segui os passos de Klimt e Freud pela Ringstrasse. E vou querer voltar, mas no verão.

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A pulsante cena artística de Nova York

As exposições, as performances e as obras de rua mais quentes da cidade que não dorme

Brooklyn Bridge Park em manhã de domingo (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)
Brooklyn Bridge Park em manhã de domingo (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)

Andar, andar e andar – e, quase que a cada passo, observar a beleza, o ineditismo e a criatividade de todo tipo de expressão artística. Basta flanar livremente pelas ruas de Nova York, especialmente quando é verão no Hemisfério Norte, para respirar criações geniais. Pode ser a escultura temporária das nuvens de Olaf Breuning no Central Park, os grafites nos muros de Williamsburg ou o mural do brasileiro Kobra diante da Highline: criações de artistas do mundo todo estão tanto ao ar livre como no hall dos hotéis, lojas e empresas, nas 600 galerias de arte, em uma centena de museus. Para facilitar a vida dos amantes da arte que visitam Nova York, TAM Nas Nuvens preparou um delicioso roteiro de dois dias aproveitando o que a cidade mais legal do mundo tem de inspirador em agosto.

Obra de Lígia Clark em exibição do MoMA (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)
Obra de Lígia Clark em exibição do MoMA (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)

Dia 1 – Sábado em Manhattan 10h30 – Um enorme banner com o rosto de Lígia Clark (1920-1988) de olhos vendados recepciona quem começa o dia visitando o prédio principal do MoMA, o mais importante museu de arte moderna e contemporânea do planeta. Sim, até 24 de agosto, a artista brasileira que se definia como não-artista brilha como o principal destaque desse museu que é, desde que nasceu em 1929, o mais essencial para quem busca acompanhar a vanguarda artística mundial. É bom chegar assim que o museu abre, às 10h30, para dar conta de conferir os quase 300 desenhos, pinturas, esculturas e obras interativas da mostra O Abandono da Arte. Realizado entre 1948 e 1988, o conjunto de obras parte da fase abstrata de Lígia, passeia pela neo-concretista e culmina com suas inovadoras peças interativas com propósitos terapêuticos – e que são o maior sucesso de público.

Obra de Lígia Clark em exibição do MoMA (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)
Obra de Lígia Clark em exibição do MoMA (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)

12h30 – Se você resistir a migrar das salas de Lígia Clark para encher os olhos com a Noite Estrelada, de Vincent van Gogh, as Latas de Sopa Campbell, do novaiorquiníssimo Andy Warhol, entre tantos Picassos e Matisses do acervo de 150.000 peças, dê aquela pausa para o almoço. Os três restaurantes do MoMA estão entre os melhores da cidade: o informal Cafe 2 mistura os visitantes em mesas coletivas; o Terrace 5 serve menu completo e vinhos até nas mesas da varanda do quinto andar, que dão vista para o jardim de esculturas do térreo; e o requintado The Modern ostenta uma estrela Michelin que atrai gourmets também por uma porta exclusiva, que dá para a rua, até 23h às sextas e sábados.

As Nuvens, obra pública no Central Park (foto de Gabriel Rinaldi www.gabrielrinaldi.com)
As Nuvens, obra pública no Central Park (foto de Gabriel Rinaldi www.gabrielrinaldi.com)

14h – Caminhar pelo Central Park, o gigantesco quadrado verde no coração da ilha de concreto, é a forma mais gostosa de fazer digestão. Na esquina sudeste do parque, onde a 5a Avenida exibe outro quadrado, os das paredes transparentes da Apple Store, repare na obra Nuvens, com seis balões azuis criados pelo artista suíço radicado na cidade Olaf Breuning. Até 24 de agosto, esta é uma das dezenas de obras públicas espalhadas para trazer graça e ludicidade às ruas das cinco regiões da cidade: Manhattan, Brooklyn, Bronx, Queens e Statent Island.

Exposição de Adriana Varejão visitada em Art Walking Tour no Chelsea (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)
Exposição de Adriana Varejão visitada em Art Walking Tour no Chelsea (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)

15h30 – Hora de seguir o caminho do oeste, onde o bairro do Chelsea concentra nada menos que 300 das cerca de 600 galerias de arte da cidade. Para facilitar a vida de quem não sabe em qual das tantas portas entrar, o professor Ph.D. Rafael Risemberg criou há 12 anos um art walking tour que seleciona aquelas que, por seus critérios, abrigam as mais inovadoras exibições do momento. “Vou a dezenas de novas exposições a cada dia para fazer minha curadoria de quais serão aquelas que visitaremos por cerca de duas horas”, orgulha-se o argentino radicado na cidade. Os tours da sua New York Gallery Tours se multiplicaram: há um só para o Lower East Side e outro específico sobre arte LGBT, por exemplo. Entre os participantes de cada grupo há colecionadores verdadeiramente interessados em adquirir obras de milhões de dólares expostas em galerias de prestígio como Gagosian (considerada a principal rede de galerias de arte do mundo, com quatro unidades em Nova York), David Zwirner e Pace (que representa o brasileiro Vik Muniz e também tem quatro espaços na cidade).

Imagem de Kobra vista a partir da Highline (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)
Imagem de Kobra vista a partir da Highline (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)

17h30 – É quando se aproxima o pôr-do-sol que muitos pedestres do Chelsea costumam subir para a High Line, a aposentada via férrea elevada que tem se transformado, desde 2009, em um parque urbano serpenteando desde a altura da rua 13 até, por enquanto, a rua 30. Além dos jardins suspensos e de trechos onde é possível caminhar descalço em uma poça de água corrente, a High Line se transformou em uma das atrações mais visitadas da cidade. Afinal, tem acesso gratuito, fica aberta até 23h e abriga ao menos dez obras de arte temporárias. “Nosso sucesso acabou atraindo novos prédios de arquitetura moderna e peças de arte independentes também para o entorno do parque”, orgulha-se a italiana Cecilia Alemani, curadora artística do local. Uma das obras não-oficiais da High Line é o mural O Beijo, do paulista Eduardo Kobra. Ele passou duas semanas nas escadas preparando essa releitura da foto de Alfred Eisenstaedt, que mostra um marinheiro beijando uma moça na Times Square, em 1945, durante a celebração do fim da Segunda Guerra Mundial. “Essa virou minha obra mais fotografada”, celebra Kobra, que ama andar por Nova York buscando novos muros para pintar. 20h – Entre tantas expressões artísticas que entretém moradores e visitantes na noite novaiorquina – como os shows do Carnegie Hall, os concertos do Lincoln Center, os tantos festivais de cinema e todos os musicais da Broadway –, um gênero em especial anda em voga: os jantares com performances. Em cartaz desde dezembro,  o Queen of The Night deixa boquiabertos todos os 220 convidados que vestem traje de gala, como manda o protocolo, para jantar com a rainha. Mistura de cabaré com circo, dança e balada, o espetáculo obriga os comensais a seguir os 31 artistas performáticos pela casa antes que seja servida a farta – e saborosa – refeição, em meio a drinks e vinhos. Ao longo de 3 horas, nada menos que 300 performances individuais acontecem no Diamond Horseshoe, um salão de eventos de 1938 cercado pelos teatros da Broadway.

Espetáculo The Queen of The Night (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)
Espetáculo The Queen of The Night (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)

23h – Caminhar em meio aos psicodélicos neons da Time Square é “o” programa para depois do espetáculo – além de um estimulante esquenta para quem quiser estender a noite nos bares e clubes de bairros como Village e Hell’s Kitchen. DICA: Pertinho do MoMA ficam restaurantes favoritos dos gourmets: no 21, jóqueis e outros amantes dos cavalos se reúnem sob o fantástico teto forrado de brinquedos (reserve e fique atento ao dress code). Já o vizinho hotel Le Parker Meridien esconde, atrás das cortinas vermelhas da recepção (e vizinhos a uma pintura do inglês Damien Hirst) os premiados hambúrgueres do Burger Joint. DICA: O walking tour de artes pelo Chelsea do qual a equipe da TAM Nas Nuvens participou, em junho, incluiu, entre as sete galerias, duas que tinham mostras de artistas do Brasil. Polvo, de Adriana Varejão, era o destaque da Lehmann Maupin, enquanto na Luhring Augustine acontecia a exposição La Voie Humide (A Via Úmida), de Tunga – que estava presente e até falou um pouco sobre suas obras.

Encontro não-planejado com Tunga durante Art Walking Tour pelo Chelsea (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)
Encontro não-planejado com Tunga durante Art Walking Tour pelo Chelsea (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)

DICA: Na High Line, conhecemos Faith Ringgold, uma artista de 83 anos que visitava pela primeira vez sua obra temporária na via elevada. “Vim mostrar para minha família esta ampliação do meu quadro Groovin High, que pintei em homenagem à noite do bairro do Harlem nas décadas de 1940 e 50, quando eu me divertia com vizinhos famosos como os músicos de jazz Duke Ellington e Sony Rollins.”

Rosetta, instalação científica exposta no Brooklin Bridge Park (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)
Rosetta, instalação científica exposta no Brooklin Bridge Park (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)

Dia 2 – Domingo no Brooklyn 10h – Que tal cruzar a Ponte do Brooklyn – seja a pé, de bike ou de metrô – para aproveitar o domingo de verão ao ar livre? Do lado de lá, o bairro mais populoso de Nova York exibe o Brooklyn Bridge Park, inaugurado em 2010 sob as pontes do Brooklyn e de Manhattan e com vista para a ilha. Beirando o Rio East com gramados verdinhos, um lindo carrossel e 6 píers transformados em quadras – de futebol, basquete, vôlei… ­–, ele virou palco também de instalações temporárias curiosas – como a réplica do cometa Rosetta, exposta como parte do Festival Mundial de Ciências, no início de junho – e de obras de arte públicas. Até dezembro, um dos 250 pedaços de uma réplica da Estátua da Liberdade feita de cobre pelo artista vietnamita Danh Vo fica em exposição diante do ícone-original que lhe deu origem. Outro fica dessa série chamada We the People fica no City Hall, em Manhattan, e o restante está em 15 países. O escultor usou as técnicas de construção da estátua-mãe, de 1886.

Obra pública We The People exposta no Brooklyn Bridge Park (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)
Obra pública We The People exposta no Brooklyn Bridge Park (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)

11h – Domingo em Nova York é dia de brunch, e um famoso acontece nessa região cheia de galerias de arte chamada Dumbo (o nome vem de Down Under the Manhattan Bridge): o Superfine. Decorado por artistas locais, com mesa de sinuca e jazz ao vivo, ele costuma deliciar os frequentadores com seu menu de inspiração mediterrânea (e à noite fica aberto até 4h da manhã).

Banda tocando jazz no Superfine (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)
Banda tocando jazz no Superfine (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)

14h – Se o passeio guiado pelas galerias de arte do Chelsea costuma juntar uns 50 endinheirados moradores de meia-idade de Manhattan, o walking tour para explorar a arte de rua do Brooklyn aglomera uma tribo diferente: uns 10 ou 20 jovens estudantes interessados em acompanhar as tendências desse efervescente pólo artístico. Acontece em Williamsburg, que na última década tornou-se a vizinhança mais hype do Brooklyn, uma caminhada de quase 2 quilômetros e 1h30 fotografando trabalhos efêmeros de artistas como Cernesto, Dain e ROA. “Ensinamos o público a diferenciar grafittis e arte de rua, lambe-lambes e stencils, assim como a reconhecer as assinaturas e adesivos dos autores”, conta Gabriel Schoenberg, guia e sócio-proprietário da Graff Tours.

Grafitti em Williamsburg visitado durante walking tour (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)
Grafitti em Williamsburg visitado durante walking tour (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)

16h30 – Quem estiver em Nova York até 10 de agosto tem um motivo a mais para conhecer o Museu do Brooklyn, um dos maiores e mais antigos do país (foi inaugurado em 1895): ver os últimos dias da exposição do polêmico artista chinês Ai Weiwei, According to what? Entre as 40 peças estão objetos, instalações e esculturas que criticam o governo chinês, lembram os 81 dias do artista preso em 2011 e apresentam os 15 vasos da dinastia Han sobreviventes da série Vasos Coloridos: o 16o, com 2.000 anos e avaliado em 1 milhão de dólares, foi quebrado por um visitante da mesma exposição quando ela esteve no Pérez Art Museum, de Miami, em fevereiro. O artista dominicano autor do protesto quis reproduzir uma performance do próprio Ai Weiwei, que também quebrara um vaso antes.

Peças da exposição de Ai Weiwei no Museu do Brooklyn (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)
Peças da exposição de Ai Weiwei no Museu do Brooklyn (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)

18h – O Museu do Brooklyn faz parte do complexo do Jardim Botânico, do Zoológico e do Prospect Park, que podem compor um bom passeio de dia inteiro. A melhor parada para comer, no entanto, é uma só: o restaurante Saul. A casa do chef Saul Bolton se mudou para dentro do Museu do Brooklyn em 2013 depois de 14 anos no bairro. Sua cozinha contemporânea ostenta uma estrela Michelin. 20h – Um programa de verão bem novaiorquino é trocar o escurinho do cinema pelas telonas ao ar livre. Alguns pontos de Manhattan, como o Bryant Park e o Pier I, ganham centenas de cadeiras para que a sétima arte seja exibida gratuitamente sob plátanos, estrelas e arranha-céus. Mas há um charme todo especial quando os filmes são exibidos no terraço de prédios seculares da cidade, como no da The Old American Can Factory, no Brooklyn. Ainda que pagas, as sessões organizadas há uns 10 anos pela turma do Rooftop Films são um sucesso. Os 45 filmes da agenda 2014 têm abertura de bandas e – algo que não acontece nos cinemas – costumam acabar em balada, com DJs, VJs e venda de drinks. É um jeito original de encerrar os dois dias de circuito artístico da cidade que não para.

Filme exibido no festival Rooftop Films, que acontece no verão (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)
Filme exibido no festival Rooftop Films, que acontece no verão (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)

DICA: Prefere um piquenique à beira-rio? Então caminhe pelo Brooklyn Bridge Park até o píer 5, onde os domingos de verão recebem o Smorgasburg, uma das feiras gastronômicas mais bacanas da cidade. Ela reúne cerca de cem barracas que vendem comida de todo o mundo – de falafel a empanada, de injera etíope a yakissoba. Aos sábados, ela migra para o East River State Park, em Williamsburg. DICA: Com Williamsburg entrando para o mainstream, os preços subiram e muitos artistas migraram para a vizinhança de Bushwick, novo polo de arte de Nova York. No verão, centenas de designers, músicos e performers abrem seus ateliês para visita no Bushwick Open Studios. Mesmo fora dos fins de semana de eventos, o lugar anda efervescente como a Williamsburg de dez anos atrás. DICA: Os jovens novaiorquinos dessa região do Brooklyn ganharam em janeiro uma diversão noturna inusitada: o primeiro lugar da cidade para jogar shuffleboard. Espécie de bocha popular entre os aposentados da Flórida, o jogo ganhou um público descolado no The Royal Palms. O lugar tem um bar bacana e oferece “food truck” de qualidade em um caminhão estacionado ali dentro do bar.   BOX NY: Nos arredores, Dia:Beacon e Storm King

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Obra de Richard Serra exposta na galeria Dia:Beacon (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)

A deliciosa combinação de arte e natureza pode ser feita no entorno da cidade para quem tem um ou dois dias a mais: as visitas ao Dia:Beacon e ao Storm King. Desde 2003 o primeiro deles tem transformado a rotina da pequena cidade de Beacon, que fica a 1h20 de trem da Central Station de Manhattan. Só a viagem beirando o Rio Hudson já vale o passeio (compre a passagem integrada com o ingresso do museu e peça, na ida, um assento do lado esquerdo do vagão, com vista deslumbrante). Instalado no prédio de 1929 de uma antiga fábrica dos biscoitos Nabisco que foi reformado para abrigar galerias bem iluminadas, este minimalista museu de arte contemporânea apresenta obras de artistas como Donald Judd e Richard Serra. Do outro lado do rio, em Mountainville, fica o Storm King Art Center, com mais de 100 esculturas ao ar livre no estilo do museu de Inhotim. Dá para chegar ali descendo na estação de Salisbury Mills depois de 1h de trem a partir da Penn Station de Manhattan. É possível comprar um passeio que inclui, além do ingresso e da passagem de ônibus, uma parada nos outlets de Woodbury. Quem estiver de carro pode visitar os dois museus no mesmo dia.   SERVIÇO:   Como se programar: nycgo.com   Onde ficar:

Recepção do Hotel Le Parker Meridien com obra de Demien Hirsch
Recepção do Hotel Le Parker Meridien com obra de Damien Hirst (foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)

  Le Parker Meridien 119 West 56th Street parkermeridien.com (B D E F N Q R)   The Surrey 20 East 76th Street thesurrey.com (4 5 6)

Hotel The Surrey (com foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)
Retrato de Kate Moss feito por Chuck Close e exposto no hall do hotel The Surrey (com foto de Gabriel Rinaldi, www.gabrielrinaldi.com)

Onde comer 21 21 West 52nd Street 21club.com (E M F B D)   Burger Joint (Le Parker Meridien Hotel) burgerjointny.com (B D E F N Q R)   Café 2/ Terrace 5 (MoMA) momacafes.com (E M F B D)   Saul (Brooklyn Museum) saulrestaurant.com (2 3 4)   Smorgasburg (feiras gastronômicas) smorgasburg.com   Superfine 126 Front Street, Brooklyn Tel. (1) 718 243-9005 (F)   The Modern (MoMA) themodernnyc.com (E M F B D)   O que fazer: Broadway www.broadwaycollection.com (N Q R A C E B D F M)   Brooklyn Bridge Park brooklynbridgepark.org (F R 2 3 A C)   Brooklyn Museum 200 Eastern Parkway,
Brooklyn brooklynmuseum.org (2 3 4)   Carnegie Hall 881 7th Avenue carnegiehall.org (N Q R F)   Cinema nos parques nycgovparks.org/events/free_summer_movies   David Zwirner Gallery davidzwirner.com   Dia:Beacon diaart.org   Gagosian Gallery gagosian.com   Graff Tours (tours de street art) grafftours.com   Lincoln Center 10 Lincoln Center Plaza lc.lincolncenter.org (1 2 A B C D)   Pace Gallery pacegallery.com   Public Art Fund publicartfund.org   New York Gallery Tours nygallerytours.com   MoMA 11 West 53 Street 
 moma.org (E M F B D)   Rooftop Films rooftopfilms.com   Storm King Art Center stormking.org   The Highline thehighline.org (L A C E)   The Queen of the Night Diamond Horseshoe (Paramount Hotel) 235 West 46th Street queenofthenightnyc.com (N Q R A C E)   BOX 2 Pingue-pongue Eduardo Kobra, autor do mural O Beijo, diante da Highline –       Como surgiu seu mural na Highline? Em 2012, uma galeria do Brooklyn me convidou para pintar outro muro da cidade. Mas aí o proprietário desse prédio do Chelsea nos autorizou pintar nesse espaço sensacional diante da Highline de Manhattan. Passei duas semanas trabalhando em escadas enormes, pois o prédio é tão antigo que não seria seguro usar andaimes ou balancinhos. –       Então esta não é uma obra oficial comissionada pela Highline? Não, mas já foi compartilhada pelas redes oficiais da Highline. Muita gente passa ali e comenta sobre o mural. Tenho trabalhos em várias partes do mundo, já expus em Nova York, sou representado pela galeria Unix Art, ali no Chelsea. Mas nenhum trabalho meu foi tão fotografado como este. –       Como é ter uma obra tão popular em uma cidade como Nova York? Sensacional. Nova York é uma cidade icônica no universo do grafitti e da street art, com trabalhos que muito me influenciaram. Meu plano agora é pintar 10 murais em diferentes pontos da cidade. Adoro ficar passeando para escolher quais serão meus próximos muros. – Por que você escolheu esta imagem? Gosto de fazer releituras de imagens antigas e a Times Square sempre me impressionou. “O Beijo” é uma versão daquela famosa foto de Alfred Eisenstaedt que mostra um marinheiro beijando uma moça na Times Square, em 1945, durante a celebração do fim da Segunda Guerra Mundial. __________________________________________________  Código de Ética Same Same: Esta reportagem foi publicada originalmente na Revista TAM Nas Nuvens do mês de agosto de 2014. Os hotéis Le Parker Meridien e The Surrey nos ofereceram diárias de graça. Jantamos como convidados no Restaurante 21.

BRASIL, Terra de Todas as Cores

Texto, edição e coordenação editorial de livro do Ministério do Turismo (www.turismo.gov.br) apresentando a diversidade natural e cultural do país a partir das 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. Editado em parceria com o artista plástico Fernando Vilela (www.fernandovilela.com.br).

Ano de edição: 2010

Editora: Artebr (www.artebr.com)

Idiomas: português/inglês/espanhol; português/inglês/francês; português/inglês/italiano; português/inglês/alemão

Formato: 31 x 31 cm

Páginas: 320

ISBN: 978 85 63554 00 0