Fui indicado ao Prêmio Abril

Voltei da viagem a África do Sul e Namíbia com uma ótima notícia. Minha reportagem Onças d’Água, publicada na National Geographic de novembro, com fotos do fera Luciano Candisani, foi indicada ao Prêmio Abril de Jornalismo. Ela é uma das quatro concorrentes na categoria Matéria Completa de Ciência e Tecnologia, disputando a estatueta da maior editora de revistas do país com uma matéria da Superinteressante e duas da Info. A revelação do vencedor acontece no dia 7 de abril no Sesc Pinheiros, em um cerimônia cheia de pompa. Já concorri e venci outras vezes. A mais marcante foi quando levei o primeiro lugar na categoria Melhor Reportagem de 2007 (foto): na ocasião, publiquei pela Superinteressante a matéria Um Mudkó caiu do Céu, sobre a visão dos índios caiapó sobre a queda do avião da Gol em suas terras. Que venha outro troféu em forma de árvore para casa.

ADENDO EM 8 DE ABRIL: Não foi dessa vez. Ganhou uma matéria da Info. Mas foi legal concorrer pela única matéria que fiz pra Abril em 2014. ;-)

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Mandela pra inspirar

Eu sou fundamentalmente um otimista.

Não sei se isso vem da minha natureza ou da minha criação.

Ser um otimista é manter a cabeça apontada em direção ao sol

e os pés seguindo adiante.

Existiram vários momentos em que minha fé na humanidade

foi duramente testada,

mas eu não iria e não poderia me render ao desespero. Isso leva à derrota e à morte.

 

(Nelson Mandela,

Prêmio Nobel da Paz)

O prazer de ser bem ciceroneado na África do Sul

Abri o laptop aqui no voo de volta da South African Airways de Johannesburgo para o Brasil para rabiscar alguns highlights afetivos da marcante semana que acabo de viver na África do Sul e confirmei uma impressão corriqueira das minhas viagens: as pessoas são fundamentais para que se possa ter uma experiência de viagem positiva.

 

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O incrível entardecer no topo da Table Mountain, cartão-postal por excelência da Cidade do Cabo (foto samesamephoto)

 

 

Eu vi o famoso por do sol do alto da Table Mountain da Cidade de Cabo, tomei umas e outras na frente da casa do Mandela em Johannesburgo, pedalei entre os vinhedos da Região das Winelands. Mas quando eu dou uma rebobinada para decupar que emoção ficou mais gravada no hd interno, me vêm à mente primeiro as gargalhadas com nativos, e só depois os lugares bonitos da terra de Mandela.

 

Pedalada entre os vinhedos do Babylonstoren, em Franschhoek (foto samesamephoto)
Pedalada entre os vinhedos do Babylonstoren, em Franschhoek (foto samesamephoto)

 

Que essa constatação não apequene minha impressão do país. A velejada na baía de Cape Town ventilou minha mente e arejou meu coração, assim como os grafites e o frescor da arquitetura do revitalizado bairro de Maboneng, em Joburg, me inspiraram a voltar para São Paulo com vontade de agir para que o Minhocão que me avizinha se torne um dia uma experiência igualmente transformadora de realidades – não só imobiliárias, mas especialmente sociais.

 

Estufa de plantas onde é servido o café da manhã no hotel-vinícola Babylonstoren
Estufa de plantas onde é servido o café da manhã no hotel-vinícola Babylonstoren (foto samesamephoto)

 

Daria para incluir na listinha de embelezar os olhos as estradas litorâneas que conectam a Cidade do Cabo ao extremo sul do continente, a estufa de plantas onde tomei café da manhã no hotel-vinícola Babylonstoren, entre Stellenbosch e Franschhoek, e até a impecabilidade na apresentação de cada prato do menu-degustação no The Pot Luck Club, o restaurante bacanudo do chef número 1 da Cidade do Cabo, Luke Dale-Roberts – a casa fica entre as lojas de design do bairro de Woodstock – outro exemplo cidadão de como salvar bairros abandonados.

 

 

Vista a partir da entrada do The Pot Luck, em Woodstock, na Cidade do Cabo: com a Table Mountain ao fundo
Vista a partir da entrada do The Pot Luck, em Woodstock, na Cidade do Cabo: com a Table Mountain ao fundo (foto samesamephoto)

 

Mas se alguém me perguntar quais foram as experiências mais marcantes que vivi, elas serão sempre lembradas com um anfitrião buena gente à frente – e bem distante das atrações turísticas. A começar da sunset party WaxOn, na Maboneng johannesburguiana, para onde fomos levados praticamente direto do aeroporto por minha amiga Meruschka Govender.

 

Festa WaxOn, em Maboneng, Johannesburgo: no fim de tarde do sábado, à beira da piscina e ao lado do Museu de Design Africano
Festa WaxOn, em Maboneng, Johannesburgo: no fim de tarde do sábado, à beira da piscina e ao lado do Museu de Design Africano

 

Travelblogger-fera que eu tinha conhecido exatamente um ano antes na expedição por Kerala, na Índia, Meruschka é apaixonada por sua cidade natal. E no dia seguinte, o domingo, fez questão de conectar – a mim e aos meus sete companheiros de viagem – aos músicos do BCUC, uma baita banda do Soweto, assim como ao fotógrafo Monde Nyovane e ao designer Pule Magopa, que acabaram sendo nossos guias informais pelo bairro-símbolo da luta anti-racial durante os anos tenebrosos do Apartheid.

 

Da dir. para a esq., Tiago Múcio, eu, Meruschka Govender e Victor Affaro, na festa WaxOn, em Maboneng, Johannesburgo
Da dir. para a esq., Tiago Múcio, eu, Meruschka Govender e Victor Affaro, na festa WaxOn, em Maboneng, Johannesburgo: ter as conexões certas ajuda a saber o que rola de melhor na cidade

 

Meruschka, danada como esse nome difícil de soletrar, foi a terrível responsável pelas duas noites em que praticamente troquei a cama pela pista de dança. Para minha sorte, a do meu segundo sábado em Joburg foi justamente no aniversário dela, muito bem comemorado no festival Drum Beats em pleno modernoso Teatro do Soweto. E, claro, com mais uma pá de amigos baladeiros. Pronto: jazia ali a minha imagem clichê do Soweto pobre, violento, feio.

 

Drum Beats, no Soweto Theatre
Drum Beats, no Soweto Theatre: três palcos, bandas de black music da boa e o fim da imagem-clichê de um bairro feio, pobre e violento (foto samesamephot0)

 

Com o Jabu, o taxista que tinha me levado para o Soweto, a conversa foi uma divertidíssima filosofada a dois. Por que diacho um branco chegou a achar que é melhor que um preto ou um ‘verde’ (como brincou Jabu)?. E para que judeus e muçulmanos seguem se matando se nem eles sabem ao certo se o Deus que reivindicam existe mesmo? Rimos pensando ser provável que, caso exista, dê-lhes uma bela sova quando forem fazer o acerto de contas no hora do juízo final.

 

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Tiago Múcio, Manoel Mendes, eu e Patrícia Palumbo no V&A Waterfront, da Cidade do Cabo: observando focas e ouvindo histórias do lobo do mar

 

Outra frase – e mais boas risadas – foram disparadas pelo Manoel Mendes, um marinheiro angolano radicado no V&A Waterfront, quando defendia que navegar é tão preciso quanto viver a vida intensamente. “Temos que pensar fora da caixinha agora, afinal vamos ter muito tempo depois dentro da outra caixinha debaixo da terra”, disse o lobo do mar, que insistiu para que velejássemos por aquelas águas – o que rendeu imagens lindas da Table Mountain vista a partir do mar. Sósia do Hemingway e idealizador da Fundação Izivunguvungu, que transforma menores de rua em marujos e construtores de barco, Mané é o sujeito que preparou o veleiro Picolé, que o brasileiro Beto Pandiani usou para cruzar o Atlântico desde a Cidade do Cabo até Ilhabela em 2013.

 

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Velejando pela Cidade do Cabo entre bons amigos: de barco dá para visitar a Robben Island, onde Nelson Mandela ficou preso por quase duas décadas (foto samesamephoto)

 

Os anfitriões bons de papo foram muitos. No restaurante The Tasting Room, que fica no hotel Le Quartier Français da Região dos Vinhos, a chef Margot Janse contou sobre como deixou a Holanda para seguir um amor na África do Sul – mas deixou o príncipe de lado e acabou apaixonada mesmo foi pelo país. Os garçons do seu salão nem pareciam estar numa casa estrelada: deixaram o carão de lado e trocavam ideias com a gente numa boa. Meu preferido foi o Bradley Isaacs, que passou a noite tirando onda do atendente que dizíamos ser a cara do jogador de futebol Robinho.

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Bradley Isaacs, simpático garçom do restaurante The Tasting Room, do hotel Le Quartier Français, em Franschhoek (foto samesamephoto)

 

No entorno de outras mesas, teve ainda o jantar com a encantadora Elmine Nel, na charcuteria da Babylonstoren, e o papo com o chocolatier Anthony Gird, da doçaria Honest, já na Cidade do Cabo. Já no Nobu do hotel One&Only da Cidade do Cabo, os onipresentes vinhos sul-africanos deram lugar a boas rodadas de saquê em uma longa mesa para doze. Aos meus colegas de viagem que já eram bons de história – gente do quilate de Baba Vacaro, Helena Mattar (do site Noz Moscada), Mercedes Tristão, Patrícia Palumbo, Ronaldo Fraga, Tiago Múcio e Victor Affaro – se juntaram quatro nativos. O Miguel Brunido, agente de viagens da Triumph Travel, já tinha virado brother e até nos levado para andar descalços à beira-mar em Camps Bay. Aí veio o blogueiro de moda Malibongwe Tyilo, ressaltando o jeito estiloso de os homens sul-africanos se vestirem (mais diferentão que o das mulheres). E as colegas de trabalho do Creative Cape Town Caroline Jordan e Didintle Ntsie, compartilhando como fazem para atrair empreendedores criativos aos bairros em vias de renovação. Só não lembro do que rimos tanto. Deve ser efeito do saquê.

 

Os oito viajantes da expedição urbana TERRAMUNDI Creators e quatro convidados da Cidade do Cabo: jantar divertido e foto tirada na porta do banheiro!
Os oito viajantes da expedição urbana TERRAMUNDI Creators e quatro convidados da Cidade do Cabo: jantar divertido e foto tirada na porta do banheiro!

 

Inesquecíveis foram as duas horas de roda de djembê que toquei na rua, depois de uma boa conversa com o Mestre Manan Ide. Assim como os tambores que fazem, vendem na loja Touareg Trading e ensinam a tocar, Manan e seus irmãos Aziz e Ibrahim são três nativos de Gana que enchem de vibração a Long Street nas tardes de sábado. E curioso é como fiquei sabendo desse programaço – logo eu, que tive aulas de djembê em São Paulo por quase um ano tempos atrás.

 

Roda de djembê em uma travessa da Long Street, superdica do Eduardo Shimahara e na companhia dos amigos Raul Cilento e Bruna Faria, recém-mudados para a a cidade (foto samesamephoto)
Roda de djembê em uma travessa da Long Street, superdica do Eduardo Shimahara e na companhia dos amigos Raul Cilento e Bruna Faria, recém-mudados para a a cidade (foto samesamephoto)

 

Quem deu a dica foi um amigo de SP, o Raul Cilento, que se mudou com a namorada Bruna Faria para Cape Town e embarcou, casualmente, no mesmo voo que eu. O Raul, por sua vez, tinha lido em um blog o post do Eduardo Shimahara, outro apaixonado pela cidade que escolheu para viver – e um engajado atuante na questão da sustentabilidade. O ciclo se completou quando tocamos, os quatro juntos – entre outros da minha turma de viagem – os tambores de Manan e seus irmãos.

 

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Azis e Manan Ide, os irmão de Gana que fazem uma roda aberta ao ar livre de tocadores de djembê nos sábados à tarde na Cidade do Cabo (foto samesamephoto)

 

Mas a conversa que melhor traduziu a impressionante transformação recente vivida pela África do Sul foi com o Mithey. DJ figuraça que usa aqueles “oclões” de mosca, ele vende LPs na Mabu Vynil, nas bandas da descolada Kloof Street (que por sua vez fica em Gardens, uma espécie de bairro dos Jardins da Cidade do Cabo). A portinha é simplesmente a loja de um fã que descobriu o fabuloso destino de seu ídolo, o músico Sixto Rodriguez – tema do documentário Searching for the Sugar Man. Mithey tem motivos dolorosos para pregar que vivamos o “One Love” e acreditar que só a música salva. Ele não esquece de quando era criança, sentado nos ombros do pai, e via o velho apelando para a violência na luta contra o apartheid. “Para eu não me assustar com os tiros, ouvia música com fones de ouvido no último volume.” Porrada a conversa com o Mithey. E o cara é um doce de pessoa, acredite. Pela sua história de superação me ajudou a voltar com a melhor das impressões de um país vivo, pulsante, em plena transformação positiva – e com alguns dos melhores anfitriões que já conheci.

 

DJ Mithey, que trabalha na loja de CDs Mabu Vynil, que ficou famosa pelo filme Searchinfg for the Sugar Man, sobre o cantor Rodriguez
DJ Mithey, que trabalha na loja de CDs Mabu Vinyl,  famosa pelo filme Searchinfg for the Sugar Man, sobre o cantor Rodriguez (foto samesamephoto)

 

Código de ética Same Same:

O jornalista Daniel Nunes Gonçalves viajou para a África do Sul a convite da operadora de viagens TERRAMUNDI e do Projeto TERRAMUNDI Creators, que busca conceber roteiros criativos a partir de experiências de interação com moradores antenados. E voltou mais inspirado do que nunca.

Em um workshop de fotos de viagem

No último mês tive o privilégio de participar de um workshop de fotografia de viagem bem legal. Aconteceu no Madalena Centro de Estudos da Imagem, e teve como mestre o Haroldo Castro, um dos mais rodados viajantes que conheço. Jornalista e fotógrafo talentoso e experiente, o Haroldo misturou esse background profissional com a paixão pela estrada e criou a Viajologia, uma agência que organiza jornadas para destinos exóticos como a Etiópia e Mongólia. Foi o Haroldo, por sinal, quem forneceu algumas imagens para minha reportagem sobre Etiópia no Estadão. No curso da Vila Madalena, ele orientou a mim e a outros amantes da foto a registrar, com olhar de estrangeiro, a Feira da Liberdade. O resultado foi publicado em dois posts da coluna dele na Revista Época – um sobre o lado oriental e outro sobre a porção ocidental da feira. Confira as fotos.

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Ouro Preto emoldurada

Ela está bem distante das idílicas praias brasileiras e espalha-se em um labirinto de ladeiras estreitas forradas por pedras irregulares onde é difícil caminhar.

 

Entardecer em Ouro Preto. Foto de ADRIANO FAGUNDES (www.adrianofagundes.com)
Entardecer em Ouro Preto. Foto de ADRIANO FAGUNDES (www.adrianofagundes.com)

 

Ainda assim, a Ouro Preto onde o artista plástico Carlos Bacher tem vivido os últimos 43 anos (de seus 74) é um convite a caminhadas lentas e sem destino, observando as casas coloniais coloridas, o grafismo dos telhados vermelhos, “os sóis e os crepúsculos por trás das montanhas” ­– como define o pintor, um dos muitos com ateliês abertos a visitação. “Este relevo acidentado era o lugar ideal para ‘não’ se fazer uma cidade”, brinca Bacher, “mas a sequência de altos e baixos da paisagem criou uma dinâmica deliciosa ao olhar.”

Como acontece com quase todo mundo que observa Ouro Preto pela primeira vez, do alto da Praça Tiradentes, Carlos Bracher se apaixonou pelo lugar. Tanto que resolveu deixar para trás sua Juiz de Fora natal, que ficava perto do lindo litoral do Rio de Janeiro, para montar uma casa-estúdio em um casarão centenário entre ruas sinuosas. “Quando abro a janela da sacada dos fundos, vejo um quadro pronto, com as torres das igrejas despontando diante do horizonte verde”, conta o artista, que tem uma retrospectiva de 80 trabalhos de seus 53 anos de carreira rodando o Brasil até o fim de junho (em fevereiro a mostra está em São Paulo, em março segue para o Rio). Quando abre a porta da frente de casa, Bracher vê mais inspiração: “logo ali adiante está a fachada espetacular da Igreja do Carmo, concebida pelo mestre Aleijadinho”, descreve.

 

Artista Carlos Bracher, que adotou Ouro Preto como cidade e está com exposição no CCBB (foto ADRIANO FAGUNDES, www.adrianofagundes.com)
Artista Carlos Bracher, que adotou Ouro Preto como cidade  (foto ADRIANO FAGUNDES, www.adrianofagundes.com)

 

ETERNA VILA RICA

Localizada a 1h30 do aeroporto de Belo Horizonte, capital do estado brasileiro de Minas Gerais, Ouro Preto guarda o maior patrimônio arquitetônico do barroco no país e se destaca no clássico circuito das Cidades Históricas, que preserva uma parte importante da história do Brasil. Muito antes de hotéis de luxo, restaurantes estrelados e galerias de arte como a do premiado Carlos Bracher encherem de charme essas ruelas repletas de praças, jardins e fontes, 30 mil garimpeiros lotaram o pequeno povoado de Vila Rica, no fim dos anos 1600, em busca de pedras escuras supervaliosas. Era o ouro negro que ajudaria a fazer a fortuna dos colonizadores portugueses e daria origem ao nome Ouro Preto – como o lugar passou a ser chamado a partir de 1823.

Embora até hoje várias minas de ouro abertas no subsolo durante os séculos 17 e 18 possam ser visitadas, a extração do minério virou coisa do passado. A Ouro Preto do século 21 esbanja outras riquezas. A primeira cidade brasileira a ganhar o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO parece uma exposição de arte ao ar livre. O casario do Centro Histórico está bem preservado, como se nota no Teatro Municipal, de 1770, considerado o mais antigo em funcionamento no país. Os museus apresentam desde preciosidades da mineralogia – como na Casa dos Contos, de 1784, onde o ouro era pesado e fundido – até estátuas religiosas impecáveis – como os mais de 160 oratórios a santos do Museu do Oratório e as vestes com fios de ouro do Museu de Arte Sacra.

 

Obras do Mestre Aleijadinho, o grande mestre das artes nas Cidades Históricas de Minas Gerais (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com.br)
Obras do Mestre Aleijadinho, o grande mestre das artes nas Cidades Históricas de Minas Gerais (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)

 

Além disso, inúmeros artistas ainda produzem ali trabalhos originais: Paulo Valadares e Milton Passos pintam paisagens a óleo, enquanto os irmãos Bié e Veveu esculpem em pedra-sabão. Da mesma forma que as artes plásticas coloniais do Brasil nasceram da exploração do ouro e incorporaram influências externas, os artistas atuais reciclam as inspirações do barroco e do rococó em criações contemporâneas. É o caso do próprio Carlos Bracher, que em 2014 pintou 85 quadros para celebrar os 200 anos da morte de Aleijadinho.

Nascido com o nome Antônio Francisco Lisboa, o escultor, entalhador e arquiteto Aleijadinho é considerado por muitos estudiosos o maior expoente do barroco americano e o grande nome do rococó nacional. Seu apelido surgiu da doença degenerativa que teria sacrificado seus pés e mãos: dizem que o cinzel com que esculpia suas obras precisava ser amarrado em seus pulsos. Isso não impediu que ele deixasse, entre centenas de obras, relíquias como a igreja São Francisco de Assis, de 1810. Em 2009, essa obra-prima foi eleita uma das sete maravilhas de origem portuguesa no planeta. Parte de suas criações pode ser conhecida no Museu Aleijadinho, que funciona dentro da igreja.

 

Interior da igreja Matriz (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com.br)
Interior da igreja Matriz (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)

 

ARTE POR TODA PARTE

Ainda que as igrejas forradas de ouro (a Matriz de Nossa Senhora do Pilar guarda 400 quilos em suas paredes) e museus bem organizados evidenciem a riqueza histórica de Ouro Preto, a colorida cidade das montanhas de Minas está longe de ser um lugarejo parado no tempo. “A cidade tem um perfil bastante jovem porque, dos 75 mil habitantes do município, 12 mil são estudantes da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)”, conta Willian Adeodato, diretor do Visitors Bureau local. Quem desembarcar ali em fevereiro, quando o Carnaval leva às ruas toda a alegria do povo brasileiro, não vai reconhecer as ruas tranquilas onde o pintor Carlos Bracher gosta de passear em paz. As dezenas de repúblicas habitadas pelos estudantes se transformam em hostels, as pessoas saem às ruas vestidas com fantasias divertidas e grupos musicais desfilam pelas ladeiras. “Este é um dos eventos que pode lotar os 1600 leitos de nossos 50 hotéis”, conta Adeodato. Meio milhão de turistas visita a cidade a cada ano.

O calendário anual é intenso: na Semana Santa, o chão das ruas é forrado por flores e serragem colorida; a Mostra de Cinema instala um telão ao ar livre na Praça Tiradentes em junho; em julho, o Festival de Inverno tem apresentações de música, teatro e circo; amantes da literatura se reúnem em setembro para o Fórum das Letras; e dezembro é o tempo do evento Tudo é Jazz, agitando com música de qualidade boa parte dos 57 bares e restaurantes.

É nas mesas de Ouro Preto, por sinal, que outras criações artísticas evidenciam o encontro da tradição “mineira” com a contemporaneidade: nos bares – aqui chamados de “botecos” – e restaurantes pode-se degustar a famosa comida de Minas Gerais, uma das mais respeitadas do Brasil. A culinária regional parte da mistura de arroz, feijão e couve para apresentar preparos com carne de porco (o torresmo e as linguiças são deliciosos), boi (a carne seca é tentadora) e frango (a galinha de cabidela vem temperada no próprio sangue). Mandioca e angu de fubá de milho também estão sempre presentes – aperitivos irresistíveis são o bolinho de mandioca e o pastel (salgado) de angu. Outra iguaria de todas as horas é o pão-de-queijo, que tem em Minas as receitas originais que foram difundidas por todo o país. O queijo também pode ser comido na sobremesa, acompanhado de doce de goiaba (sobremesa conhecida como Romeu e Julieta). Antes, durante ou depois das refeições, essas receitas costumam ser acompanhadas da cachaça, a famosa aguardente brasileira (muito usada para fazer caipirinha), que tem em Minas Gerais um de seus berços mais respeitados. Mas é bom bebericá-la com cuidado: pode ser difícil caminhar depois pelas ladeiras tortuosas de Ouro Preto.

 

Folclore regional nas ruas de Ouro Preto (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)
Folclore regional nas ruas de Ouro Preto (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)

 

HOTÉIS

 

SOLAR DO ROSÁRIO

Rua Getúlio Vargas, 270

www.hotelsolardorosario.com

$$$

 

POUSADA DO MONDEGO

Largo de Coimbra, 38

www.mondego.com.br

$$

 

POUSADA DOS MENINOS

Rua do Aleijadinho, 89

www.pousadadosmeninos.com.br

$$

 

 

RESTAURANTES

 

SENHORA DO ROSÁRIO

Hotel Solar do Rosário

www.hotelsolardorosario.com

 

BENÉ DA FLAUTA

Rua S. Francisco de Assis, 32

www.benedaflauta.com.br

 

CHAFARIZ

Rua São José, 167

 

 

BARES E CAFÉS

 

CAFÉ CULTURAL DE OURO PRETO

Rua Cláudio Manoel, 15

www.cafeculturalop.com.br

 

CHOPP REAL

Rua Barão de Camargos, 8

 

ESCADABAIXO

Rua Conde de Bobadela, 122

www.escadabaixo.com.br

 

 

ATRAÇÕES

 

Ateliê Carlos Bracher

Rua Coronel Alves, 56

 

Casa dos Contos

Rua São José, 12

 

Museu Aleijadinho (Igreja São Francisco de Assis)

Largo de Coimbra, s/n

 

Museu de Arte Sacra (Matriz de N. S. do Pilar)

Praça Monsenhor Castilho Barbosa, s/n

 

Museu do Oratório (Igreja do Carmo)

Rua Brigadeiro Musqueira, s/n

 

As montanhas, os casarões e as ladeiras charmosas de Ouro Preto (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)
As montanhas, os casarões e as ladeiras charmosas de Ouro Preto (foto de Adriano Fagundes, www.adrianofagundes.com)

REPORTAGEM PUBLICADA ORIGINALMENTE NA REVISTA IN, DA LAN, EM FEVEREIRO DE 2015

A entrevista que dei à Revista Imprensa

Há mais de 20 anos entrevisto pessoas. Recentemente, as posições têm se invertido e as pessoas também me entrevistam, como aconteceu há pouco tempo para a Revista e o Portal Imprensa, especializados em jornalismo e comunicação. A repórter Gabriela Ferigato e os colegas de sua equipe prepararam uma vasta edição especial intitulada O Turismo em pauta no Brasil, que mapeia a profissionalização desse mercado, a carreira de travel writer, o fenômeno dos blogs. Meu depoimento – com foto e tudo, para orgulho da mamãe – aparece no quadro “O leitor deve embarcar na viagem”, com depoimento também do Zizo Asnis, dos guias O Viajante. A série de matérias inclui ainda entrevistas com feras da área como o Ricardo Freire, do Viaje na Viagem, e Seth Kugel, do The New York Times. Para entender melhor esse universo, cliquem aqui.

Onças d’água

Primeiro aparece o filhote. Acomodado entre os galhos no alto da árvore, tem um olhar assustado. Deve ter uns 6 meses de vida. Quando a canoa se aproxima a 3 metros do tronco submerso, dá para ver a mãe, uns 20 metros acima da linha d’água. Ela olha, dá uma espreguiçada como se estivesse enfadada para receber visitas, vira a cara e se afasta copa adentro. “E então ficamos ali observando por uns 20 minutos, como se fôssemos babás, até que o filhote dormiu e decidimos partir”, conta o biólogo carioca Emiliano Esterci Ramalho. Em cerca de dez anos estudando a onça-pintada nas florestas de várzea da Amazônia, ele nunca tinha visto seu objeto de estudo tão à vontade naquele ambiente aquático.

A evidência de que antes suspeitava agora parece incontestável: o maior felino das Américas é dono de incrível flexibilidade ecológica. Pode viver no alto das árvores.

 

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Reprodução da dupla de abertura da reportagem. Foto de Luciano Candisani.

 

“Mesmo a 12 quilômetros do solo seco mais próximo, as onças não se sentiram ameaçadas e pareciam tranquilas em casa”, conta Emiliano. Para o pesquisador do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, que há seis anos monitora o ziguezague florestal dos bichanos, deparar ao vivo com a onça mãe – apelidada de “Cotó” por não ter rabo – nessa condição é uma parte importante de um quebra-cabeça inédito: descobrir o que as onças fazem quando toda a floresta da Reserva Mamirauá fica alagada. Nenhuma das oito onças monitoradas desde 2008 abandonou o ambiente inundável da várzea nos três ou quatro meses anuais de cheia – um comportamento inusitado e nunca antes observado em felinos de grande porte.

Emiliano conta essas e outras histórias dos felinos selvagens para um grupo de turistas hospedados na Pousada Flutuante Uacari, base para quem visita Mamirauá, quando o telefone toca. São 22 horas de uma noite de Lua cheia em março, e uma emergência o obriga a interromper a palestra: um jovem bolsista que tinha saído pela manhã para instalar armadilhas fotográficas não havia voltado do trabalho de campo – assim como o guia “mateiro” que o acompanha. Estudar um animal desse porte no ambiente inóspito da maior floresta do planeta (e a mais de 500 quilômetros da capital mais próxima, Manaus) é uma atividade de risco, e Emiliano teme pelo pior. Convoca por rádio moradores locais para o acompanharem, equipa-se rapidamente, assume o volante de uma voadeira e desaparece na escuridão do Rio Solimões floresta adentro. Nós, visitantes, não sabíamos, mas os traiçoeiros rios da região já tinham feito o próprio pesquisador capotar com o bote metálico três vezes: duas delas ao passar sobre os gigantescos peixes pirarucus durante o dia e outra ao atropelar um jacaré à noite.

Nos dias anteriores, ao explorar uma milésima parte desse exuberante laboratório natural de mais de 1 milhão de hectares, eu já havia constatado que onças, pirarucus e jacarés são apenas alguns temas dos 104 projetos de pesquisa e manejo conduzidos em Mamirauá. Criada nos anos 1990 a partir do sonho do primatólogo José Márcio Ayres (1954–2003) de preservar o berço do uacari-branco (um macaco de cara vermelha que se acreditava só existir ali), a primeira reserva de desenvolvimento sustentável do Brasil nasceu com um conceito inovador para a época: proteger o peculiar ambiente de várzea amazônico, produzir ciência de qualidade e envolver as populações tradicionais na conservação das espécies – em vez de tirá-las de seu universo natural de origem, como era feito até então com o pretexto de que toda área de conservação devesse ficar intacta.

 

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Onça descansa no alto da árvore. Foto de Luciano Candisani: http://www.lucianocandisani.com

 

A pesquisa sobre os hábitos arborícolas e aquáticos das onças-pintadas na várzea amazônica atrai a atenção da sociedade científica internacional. “Este estudo de longo prazo é importante porque mostra que, nas condições únicas das florestas inundáveis, as onças têm moldado seus hábitos ao ambiente aquático, alterando inclusive o que e quando comem”, comenta o alemão naturalizado americano George Schaller, que trabalha para grupos conservacionistas como Panthera e Wildlife Conservation Society.

“As onças de Mamirauá não têm a opção de fugir para áreas secas próximas, como acontece com suas parentes do Pantanal”, afirma outro biólogo, Peter Crawshaw Jr., um dos maiores conhecedores da espécie no Brasil. Nos dez anos em que rastreou, também graças a colares de telemetria, mais de 20 desses felinos nos vastos alagados pantaneiros, Crawshaw nunca viu onças vivendo em copas de árvores. “Enquanto durante a estação seca no Pantanal nossos estudos mostraram que a média de área ocupada por cada onça foi de 143 quilômetros quadrados, na cheia, entre dezembro e abril, elas se aglomeravam em apenas 10% do território, o que facilita a alimentação e a reprodução da espécie”, explica.

Segundo dados coletados pela equipe do Projeto Iauaretê, capitaneado por Emiliano, existem mais de dez onças a cada 100 quilômetros quadrados da reserva durante o período em que a várzea de Mamirauá não está alagada. Elas continuam vivendo em meio a uma das mais altas densidades de onças do planeta, caçando, se reproduzindo e criando seus filhotes no ambiente singular de uma ilha alagável rodeada pelos rios Japurá e Solimões – como é chamado, nesse ponto, o Rio Amazonas. Na temporada de enchente de Mamirauá as onças permanecem restritas ao mesmo universo geográfico da seca, apesar da mudança radical do cenário. Nos meses de maio a julho, a superfície das águas sobe em média 10 metros nos 200 000 quilômetros quadrados de várzea em decorrência da temporada de chuvas da Floresta Amazônica e do derretimento da neve nos Andes – onde fica a nascente do Amazonas e de outros rios da mesma bacia.

 

 

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Igarapés de Mamirauá (foto samesamephoto)

 

A maior parte da população humana da Amazônia se concentra ao longo desses grandes rios em função da facilidade para pescar, plantar e se locomover de barco. É justamente a gente ribeirinha dessa área de várzea quem mais tem sua rotina alterada durante as cheias. Como acontece com as onças, os humanos também migram do piso térreo de suas palafitas para o andar de cima – carregando fogão e geladeira para o mesmo cômodo da cama ou da rede de dormir. Em vez de circular com pé na terra, trabalhar na roça e bater bola no campinho de futebol, o povo passa a ter basicamente a pesca como ofício e fonte de alimento, dependendo da canoa até para ir à escola, à igreja e ao vizinho.

Embora em cada 100 quilômetros quadrados da reserva habitem 85 pessoas e dez onças, ataques desses felinos não são comuns – como apontaram entrevistas com mais de 300 moradores locais entre 2010 e 2013. Auxiliar de cozinha da Pousada Uacari, Vanderlei Rodrigues, o Seu Manduca, protagonizou um desses casos raros em 2004. “Eu voltava de uma pescaria quando uma onça me atacou, mordeu meu rosto e me jogou no rio”, lembra ele, hoje com os 28 pontos da cicatriz na face quase imperceptíveis. Seu Manduca superou o trauma e há anos é um convicto voluntário das expedições que capturam felinos para instalar colares com GPS.

Talvez a onça que atacou Seu Manduca estivesse faminta, dado que cada uma precisa de 2 quilos a 2 quilos e meio de carne por dia para sobreviver. Pela análise das fezes dos felinos, os pesquisadores descobriram seu alimento predileto: o bicho-preguiça. Ele se move lentamente nos mesmos topos de árvores e divide a preferência no cardápio com outra iguaria, o jacaretinga. Durante a cheia, quando os jacarés estão mais espalhados e escondidos na água, as onças complementam sua dieta com o macaco guariba. Nessa época, o primata mora ao lado do inimigo felino que está no topo da cadeia alimentar. O tamanho da presa ajuda a explicar por que as onças do Pantanal pesam o dobro das parentes amazônicas, que são menores e não costumam ter mais que 60 quilos. Na planície pantaneira, o menu mais farto inclui capivaras, queixadas e porcos monteiros – bichos terrestres que nem sequer existem em Mamirauá justamente porque não têm para onde correr (ou onde se pendurar) quando as águas encharcam tudo.

 

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Pousada Uacari, base para visitar Mamirauá

 

Além da descoberta científica inédita, o comportamento inusitado das onças de Mamirauá acabou abrindo, em 2014, as portas da reserva ao turismo de observação das rainhas da floresta. Experiências semelhantes há anos atraem jipes e voadeiras repletos de turistas ao Pantanal e a parques da África e da Ásia. Na reserva amazônica, porém, a iniciativa é diferenciada. Batizadas como Jaguar Expeditions, as exclusivas – e caras – expedições acontecem apenas nos meses de cheia e são restritas a grupos de quatro visitantes que remam em canoas silenciosas sob as copas das árvores. “Não se trata de um safári convencional, mas de turismo científico”, explica Gustavo Pereira, coordenador da Pousada Flutuante Uacari. “Além da observação, o turista trabalha com o time de pesquisadores fazendo o rastreamento das onças e instalando câmeras na mata.”

Os dois grupos que saíram a campo em maio e junho deste ano obtiveram 100% de sucesso no avistamento dos grandes felinos, e o valor que investiram teve três fins, gerar benefícios econômicos para as comunidades locais, permitir a continuidade da pesquisa científica e pagar a equipe de nativos com diárias dobradas, para que os ribeirinhos entendam que manter viva essa espécie ameaçada de extinção é mais valioso para a comunidade do que caçá-la, por exemplo, para vender sua pele. Toda noite, depois da perseguição às onças do alto das árvores, os turistas se reúnem com Emiliano para avaliar o trabalho do dia. Nas curiosas imagens registradas, já foram vistas onças mexendo ou fazendo xixi na câmera e até com um jacaré na boca. Os animais são reconhecidos com base nos desenhos de suas pintas, que funcionam como impressões digitais – e seus nomes são quase sempre divertidos, como Mudinha, Caolha, Confuso e Zangado.

Depois do susto vivido no dia de minha visita, quando Emiliano interrompeu a palestra para resgatar – só às 14 horas do dia seguinte – o bolsista e o guia perdidos na mata (que estavam sãos e salvos), o pesquisador não viveu dias tão tensos. Continua, é claro, militando pela preservação das florestas de várzea para que a onça-pintada continue conservada, reinando. O trabalho de campo na selva, enquanto isso, não para. Entre as constatações que o acompanhamento dos felinos de Mamirauá apontou recentemente, duas surpresas. A primeira é triste: a onça Cotó, a mãe que forneceu a primeira prova do comportamento arborícola das onças de Mamirauá, foi morta por um morador da reserva quatro meses depois de ser observada com seu filhote pelos cientistas, em 2013. “Recebemos a localização dela por GPS e chegamos a uma comunidade onde o morador a tinha abatido para evitar que seu gado fosse atacado”, conta Emiliano. A outra conclusão é mais curiosa: diferentemente do que se imaginava, mamãe Cotó não era o único felino sem rabo na reserva; isso acontece com cerca de 10% dos animais monitorados. “Os registros fotográficos que temos indicam que os jacarés-açu podem ser responsáveis pela predação de onças durante as inundações, arrancando ocasionalmente seu rabo”, diz Emiliano. Deduz-se que isso aconteça quando as onças d’água estão nadando para se locomover no habitat aquático – e único – de Mamirauá.

 

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Para ler a reportagem sobre Mamirauá que publiquei na Revista RED Report, clique aqui.

 

Queimando bonecos em Galápagos

Depois de passar o pré-Natal curtindo o frio e o charme de Berlim e Viena, alterei radicalmente a bússola e o termômetro e fui passar Natal e réveillon no calor dos trópicos – mais exatamente sob a Linha do Equador. Minha primeira vez no país que dá nome à linha imaginária que divide o planeta ao meio acabou virando uma sensacional viagem de 26 dias, sendo a primeira semana dedicada a explorar o continente equatoriano e os últimos 19 dias só em Galápagos. Eu ainda vou falar bastante aqui sobre minha imersão na natureza galapagueña. Mas antes eu preciso contar como é legal curtir as festividades de fim de ano por lá – especialmente para alguém fascinado por diferença cultural como eu. Me refiro às procissões de rua chamadas Pases del Niño, no período natalino, e, no dia 31 de dezembro, à queima dos bonecos de Ano Velho e ao choro dos homens travestidos de viúvas – uma tradição curiosíssima e divertida que só existe no Equador.

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