Navegando com o tripulante morto, por Júlio Esteves

 

 

“Ele estavabranco, boca aberta, olhar fixo no céu. Meu Deus, acho que ele está morto! Gritei, fiz massagem cardíaca, tentei contato por rádio, me descontrolei chorando como poucas vezes na vida.” 

O primeiro susto aconteceu no oitavo dia de navegação pelo oceano Atlântico, entre a África e o Brasil, em 1988. Eu e meu amigo Rafael Ribeiro, 33 anos, comandávamos nosso Supercat 17 — um catamarã de 5 metros preparado ao longo de um ano para a maior aventura da nossa vida — quando aconteceu o improvável: num piscar de olhos, o mastro do barco simplesmente tombou. Pasmos, constatamos que nenhum de nós tinha checado as manilhas que sustentavam o mastro, dando margem para que as ondas e os fortes ventos alísios de setembro o tirassem do lugar. Estávamos agora à deriva numa embarcação a vela, sem rádio de longo alcance e muito, muito distantes do fim da viagem, planejada para durar 35 dias.

Trabalhamos por um dia e meio sem parar até que levantarmos novamente o mastro para seguir em frente. A natureza não dava trégua e nossas roupas técnicas pareciam não ser suficientes para amenizar, por dias e dias, o sol inclemente, o vento cortante e a água fria na cara. Não havia uma cabine para dormirmos, apenas um compartimento, na proa, para comida e equipamentos. Éramos salpicados por água salgada dia e noite. Numa madrugada ao relento, às 4 horas da manhã, despertamos em meio a uma frente fria que levantou ondas de 5 metros, cobrindo a superfície do barco e quase nos jogando ao mar, não fosse o cabo de 8 mm que nos mantinha amarrados ao barco 24 horas por dia. Foi quando o impacto das ondas estourou o nosso leme. E lá fui eu enfrentar meu medo de tubarões mergulhando para trocar o leme danificado por um reserva.

Resolvido mais esse imprevisto, a expedição seguiu seu curso. Acordávamos com a luz do sol para velejar a uma velocidade média de 10 nós ao longo de 10 horas diárias e conversávamos rindo um bocado. Fazíamos intervalos apenas para as refeições — comida de exército especialmente preparada para aquela situação. Evoluíamos 100 milhas por dia e voltávamos 15 milhas por noite, quando o barco derivava embalado pela corrente de quase 2 nós. Era como se estivéssemos revivendo as sensações dos descobridores da América, aproveitando nossa experiência como marinheiros em aventuras anteriores.

Depois de 15 dias cruzando o Atlântico a caminho de nossa Bahia natal, a viagem perdeu o alto-astral. Rafael começou a se sentir mal, com desarranjos intestinais incontroláveis e gemidos enquanto dormia. Os remédios que tínhamos não adiantaram. Pensei que poderia ser cansaço, mas na 22a noite ele gemeu alto demais. Acordei e vi seus olhos amarelos como cerveja. Ele estava tão debilitado que não falava. Tentei lhe dar café, mas a bebida escorria pelos lábios. Levantei e disse: “Fael, você não está nada bem, vamos voltar”.

Amarrei-o bem fixo ao barco e, contra a corrente, retomei o rumo para a Nigéria. Horas depois ele parou de gemer. Cheguei perto e congelei. Ele estava branco, boca aberta, olhar fixo no céu. Gritei, fiz massagem cardíaca, mas ele já estava morto. Chorei como poucas vezes na vida.

Depois de três horas ali parado, o vento uivando, a vela sacudindo, resolvi navegar para São Tomé e Príncipe, a terra mais próxima. Meus pensamentos estavam tão mexidos quanto o mar: do que ele tinha morrido? Como seria entregar seu corpo à família?

Agora era eu quem lutava pela sobrevivência. O corpo seguia amarrado e coberto e eu repetia para mim mesmo que não iria morrer, aos 26 anos, no meio do oceano. Cinco dias depois, duas corvetas cruzaram o meu caminho, vindas da África. Disparei um sinalizador, eles responderam, e consegui comunicação com meu rádio portátil. Não acreditei quando eles se aproximaram: a tripulação era brasileira e, por nossa causa, tomou o caminho de volta para a África. Foram mais dois dias de barco e uma semana na casa do embaixador brasileiro na Nigéria esperando a autópsia. Rafael morrera de hepatite fulminante e contagiosa. Eu, milagrosamente, sobrevivi. E, 12 anos depois, fiz sozinho a travessia do Atlântico. Foi minha forma de homenagear meu amigo Rafael e de ter certeza de que o trauma estava superado.

[A travessia da África à Bahia, realizada em 2000 em comemoração aos 500 anos do Brasil, é o tema do livro 414 Horas, a ser lançado nos próximos meses].

 

ANÁLISE PROFISSIONAL: Não se sai da costa para uma viagem dessas, num barco sem cabine, sem um plano logístico minucioso. Uma boa preparação é 80% da viagem. É preciso usar roupas de última geração, carregar equipamentos eletrônicos de reserva e equipamentos de sobrevivência como dessalinizadores, balsa salva- vidas e primeiros-socorros. Um mastro só cai se você não tiver estais de reserva, como parece que aconteceu. Aliás, a escolha da embarcação também é fundamental. Na minha opinião, o barco usado não foi o ideal: o Supercat é um barco pequeno e de construção frágil. Um check- up médico antes de qualquer viagem também é necessário, assim como tomar todas as vacinas que a região a ser visitada requer. Não imagino fazer uma travessia de um oceano num barco aberto sem apoio das marinhas locais, tampouco o envolvimento de um bom meteorologista e um nutricionista que prepare uma dieta balanceada.

Beto Pandiani é velejador profissional e viajou entre a Antártica e o Ártico num catamarã de 21 pés sem cabine

 

2) Despencando de 75 metros de altura

Por Paulo Bruxo

“Enquanto meu amigo observava a incrível paisagem do oceano Atlântico diante de nós, aconteceu o pior: a agarra não suportou meu peso, quebrou e eu cheguei a esperar o tranco da segunda solteira, que não aconteceu.”

 

O ano era 1977 e o lugar o morro da Urca, no Rio de Janeiro, praticamente o quintal da minha casa. Eu tinha 16 anos, escalava desde os 13 e segui, com meu parceiro André Ilha, para fazer nossa segunda investida no Irmão Maior do Leblon. Calçava tênis Kichute, os mosquetões eram feitos em aço e eu me orgulhava por usar um capacete amarelo que parecia o auge da segurança naqueles tempos em que a escalada ainda engatinhava no Brasil. Meu pai nos deu carona até o início da trilha, onde hoje fica a favela do Vidigal, cruzamos a mata e iniciamos a via.

Na investida anterior, o André tinha conquistado uma via em diagonal (quase horizontal) para a direita com dois grampos de 0,5 polegada separados por 25 metros. Decidimos acrescentar um grampo intermediário para amenizar o trecho. O André foi na frente e fixou a corda no grampo mais distante. Em seguida, prendi a corda no primeiro grampo. Assim tínhamos um corrimão. Preparei as duas solteiras presas à cadeirinha, prendi-as no corrimão e me desencordei. Segui pelo corrimão até o meio do caminho e parei para fixar o novo grampo no ponto que nos parecia mais seguro. Passei uma cordinha com um nó prussik numa grande agarra protuberante e prendi um estribo (apoio para os pés) para ficar mais confortável.

Não sei por que — talvez por excesso de confiança por estar no meu território — tirei uma das solteiras do corrimão e a prendi no prussik. Sem pensar, tirei a segunda solteira também, achando que a outra estava presa, e fiquei ali, martelando o grampo preso apenas por uma cordinha enlaçada numa agarra, enquanto meu amigo observava a incrível paisagem do oceano Atlântico diante de nós. Aconteceu o pior: a agarra não suportou meu peso, quebrou e eu cheguei a esperar o tranco da segunda solteira, que não aconteceu porque ela não estava mais presa ao corrimão. Vi minha queda de frente, quicando duas vezes no paredão até cair na mata, 75 metros abaixo. Nos seis segundos no ar, vi minha vida inteira passar em flashback. Não apaguei, não senti dor e fiquei ali, caído de barriga pra cima, vendo o André preso, sem corda, ao paredão, perguntando se eu estava bem. “Me tirem daqui!”, gritei. Por sorte, alguém da comunidade vizinha assistiu a tudo e ali chegou, uns dez minutos depois, num grupo de oito homens. Eu sangrava muito, ouvia as pessoas dizendo que eu ia morrer. Fui transportado numa improvisada maca humana até a pista, onde um Fusca parou pra me resgatar. Fui para o hospital todo esbagaçado, sentado no banco de trás. Só mais tarde eu saberia que tinha fraturado a bacia, dobrado o joelho ao contrário, descolado o diafragma e rompido o baço de forma a ter uma hemorragia interna. Passei 15 dias no hospital, levei um ano para me recuperar e voltar a escalar. Não parei até hoje. Agora tenho 47 anos, trabalho com atividades e resgate em altura em ambiente urbano, já dei aula a mais de 800 alunos e passei a ser um militante pela segurança na montanha. Ao paredão da Urca, nunca mais voltei. O local passou a ser chamado de Paulo Ferreira em minha homenagem, e ganhei, não por acaso, o apelido de Bruxo.

 

ANÁLISE PROFISSIONAL: Ficar desancorado num ambiente exposto não é uma boa idéia. A complexidade do caso é que ele sempre esteve ancorado, ainda que numa agarra prestes a quebrar. Muitas vezes nós, escaladores, confiamos a nossa segurança a sensações. Em tese, sabemos que devemos checar e rechecar nossa segurança o tempo todo e que não podemos fazer isso baseados apenas na sensação. Ele se sentiu seguro por apoiar- se num cordelete (prussik) enroscado na agarra e por isso se desancorou da corda. Obviamente, foi um erro que custou caro. O Paulo executou um procedimento de risco inconscientemente e o azar foi o fato da agarra ter quebrado justamente naquela hora. Por outro lado, ele teve uma grande sorte em ter sobrevivido a uma queda de 75 metros. Ironicamente, seus alunos têm a sorte de ter instruções ministradas por uma pessoa que pode falar dos procedimentos de segurança com muita propriedade

Luiz Makoto Ishibe foi o primeiro escalador brasileiro a chegar ao cume das rochosas Fitz Roy e Cerro Torre, na Patagônia argentina.

 

3) Caindo por duas vezes quase fatais

Por Bito Meyer

Sempre gostei de altura. Quando conheci a escalada, tive certeza de que era um esporte que praticaria a vida inteira. Aos 13 anos — hoje tenho 50 — já ensinava os amigos a subir paredes. Em 1974, quando os 15 metros da pedra Lascada do Marum- bi, no Paraná, eram um desafio relevante, quase morri ao despencar lá do alto. Na minha décima descida, soltou-se o mos- quetão de ferro improvisado num ferreiro — o Brasil da ditadura não era aberto à importação de equipamentos esportivos. Caí desacordado e levei dez horas pra chegar, braço direito quebrado e cheio de hematomas, a um hospital de minha cidade, Curitiba. Passei 45 dias engessado e, quando me recuperei, voltei ao Marumbi pra tirar a zica. Refiz oito vezes o mesmo trecho e espantei as assombrações. Assim voltaria a explorar paredões e a dar aulas de escalada, meu ganha-pão até hoje.

Vinte anos depois, em 1994, a morte bateu à minha porta de novo. Eu tinha me encantado com o parapente e fiz uns 30 vôos, alguns enormes. Mas foi num salto básico a partir do campo-escola em São Francisco Xavier, no sul de Minas, que me dei mal. Fiz a decolagem a uns 150 metros, subi com o lift (vento que sobe as encostas das montanhas) para uns 300 e depois de brin- car por um tempo no ar comecei a descer com uma certa velocidade. Mas um inesperado vento de final de tarde fez de mimum pêndulo quando eu estava a apenas 50 metros do chão. Havia pouco espaço hábil para eu contornar o problema e controlar o aparelho. Virei uma pedra, girando em espiral numa velocidade cada vez maior. Deu tempo de pensar que, se eu escapasse vivo, iria me lesionar seriamente, talvez ficasse paraplégico.

Não lembro do impacto. Mas o apagão que se seguiu durou poucos segundos e vi o clássico clarão diante de um túnel que tanta gente descreve. Lembro do meu apego à vida e da desistência de seguir para o fim do túnel. Quando acordei, no chão, com a perna direita quebrada, dores dos calcanhares aos cotovelos e to- talmente ralado, não acreditei. Acho que meu anjo da guarda se jogou embaixo de mim para que eu vivesse um pouco mais. Já no hospital, depois da injeção de morfi- na (dá barato mesmo, pena que faça mal), os médicos me disseram, em tom fúnebre, que minha carreira de escalador estava encerrada. Eu ganharia uma placa no joelho que me faria andar para sempre com o joelho direito semi-rígido.

Três meses de fisioterapia intensa de- pois, derrubei o discurso dos médicos e segui para o parque do Yosemite, nos Es- tados Unidos, para ser o primeiro brasi- leiro a escalar um A5 (grau mais difícil da escalada artificialem rocha), dormindo pendurado em redes por nove dias. A perna lesionada só reduzia em 10% meu mo- vimento, o que permitiu que eu voltasse a fazer o que mais gosto: escalar montanhas.

Hoje, definitivamente, não temo a morte. Agradeço por estar vivo e me divertindo. Talvez um dia eu volte a voar, apesar da dificuldade que teria para pousar com o joelho enrijecido. Mas antes quero escalar por mais uns 15 anos. Aí, quem sabe, quando eu já estiver próximo da hora de desencarnar, eu pegue o parapente para ver o mundo ainda mais do alto.

 

ANÁLISE PROFISSIONAL: Quase todos os acidentes de parapente acontecem por falhas do piloto. O esporte é seguro, mas seus praticantes devem ter aptidão e reflexo e preparar-se corretamente, o que inclui pesquisar a meteorologia. Nada ocorre inesperadamente com o nosso clima. A atmosfera evolui durante o dia, dando sinais do que vai acontecer mais tarde. Além disso, o relato indica que o piloto poderia estar utilizando equipamento inadequado para o seu tempo de vôo. O efeito de pêndulo só acontece em equipamentos mais avançados, que devem ser utilizados por pilotos com mais de dois anos de vôo. Pilotos com 30 vôos (pouco mais de quatro meses de experiência) devem utilizar os chamados “parapentes saída de escola”, que não têm esse tipo de reação. E, embora não tenha sido mencionado, há sempre a possibilidade de o piloto usar o pára-quedas de emergência quando a situação sai do controle.

Alfio Vegni Jr., o Sargento, é vice-campeão brasileiro (2007) e diretor de parapente da Federação Gaúcha de Vôo Livre

 

4) Picado por abelhas durante a escalada

Por Ézio Vicente

Aquele domingo de sol de outubro parecia perfeito para escalar. Chamei meus amigos Fábio e Cléber para subir a rocha Visual das Águas, na fazenda Serrinha, entre Bragança Paulista e Piracaia (SP). Como eu era o mais experiente, guiei a subida pela via Urubu Malandro, fiquei ancorado a quase 20 metros de altura e passei a mesma corda para os caras subirem em seguida. Estávamos ali os três, curtindo a paisagem, quando nossa paz foi interrompida por uma abelha, daquelas amarelinhas que gostam de refrigerante.

Justamente naquele dia, não tínhamos trazido o inseticida que sempre carregamos para evitar surpresas desagradáveis com aranhas, escorpiões e marimbondos nas pedras. Bastou meu companheiro matar aquela bichinha para começar o maior pavor da minha vida. Centenas de abelhas surgiram do nada e começaram a nos atacar. Mal conseguíamos pensar, mas sabíamos que precisávamos sair dali o quanto antes.

Foi tudo rápido demais e nem lembro da dor das picadas. Estávamos tomados pelo desespero e começamos a gritar e a nos debater para afastar o enxame. O Cléber foi o primeiro a descer: tomou só oito picadas e, em instantes, liberou a corda. Depois foi o Fábio, já em pânico e fritando a mão na descida. Minha mão direita também ficou em carne viva quando fui baixar do mesmo jeito, já que não dava para ficar mais um segundo naquele inferno. Zumbindo aterrorizantemente, as abelhas cobriram meu corpo, dominaram meu cabelo, entraram pela boca, nariz, orelhas — só ficaram intactas as solas dos pés, por causa das sapatilhas. A uns 4 metros do chão, me joguei numa queda livre até um patamar à beira de um barranco. Estatelado no chão, percebi que tinha, no mínimo, lesionado um tornozelo. E me vi inteiramente pipocado de bolinhas roxas. Só minha mão esquerda tinha 72 picadas. No meu corpo todo, mais de mil! Felizmente, não sou alérgico a picadas.

Mesmo ferido, o Fábio tentou me levantar. Eu estava consciente, mas meu corpo não reagia. Como se eu fosse um bêbado que não sustenta o próprio peso, caí e arrastei o Fábio comigo barranco abaixo. Rolamos machucando ainda mais o corpo nas pedras. Eu tinha certeza de que morreria ali, aos 22 anos. Revi minha vida, pensei em Deus.

Entre a primeira picada e o resgate dos bombeiros que me levaram ao hospital, passaram- se duas horas. Fui direto para a UTI, onde ganhei doses cavalares de cortisona e passei 36 horas sob cuidado de médicos que não entendiam como eu tinha sobrevivido. Totalmente desfigurado, virei a atração dos funcionários do hospital. A quantidade de veneno das abelhas era tamanha que meus rins pararam de funcionar. Minha urina ficou negra. Cinco dias depois eu ainda expeli uma abelha das minhas vias respiratórias. Fui obrigado a passar 15 dias internado até que meu sangue se limpasse e meus rins voltassem a trabalhar.

Saí do hospital querendo escalar. Meu irmão tinha recuperado todo o meu equipamento no paredão, usando roupas especiais de apicultor para enfrentar a fúria das abelhas que continuavam intolerantes com os visitantes. Disseram-me que as abelhas ficaram agressivas depois que algumas queimadas da região acabaram com a morada delas. E eu, que não tinha nada a ver com isso, paguei o pato.

Três meses depois, voltei a escalar. Fiz umas 20 ascensões até que me deparei com marimbondos. Fui tomado por um medo que nunca sentira antes. Até quando vi uma abelha num restaurante tive uma reação exagerada, inconsciente. Foi por isso que decidi dar um tempo nas escaladas outdoor e passei a praticar mais mergulho, tênis e espeleologia. Ainda sonho em escalar. Mas… e se uma abelha aparecer?

 

ANÁLISE PROFISSIONAL: Pela descrição, os rapazes foram atacados pelas abelhas de mel, da espécie Apis mellifera. Quando alguém amassa ou é picado por uma abelha ocorre a liberação de feromônios de alarme, que chamam as outras abelhas para atacar. O objetivo delas é afastar o inimigo do ninho. Se houver muitas abelhas, é porque o ninho está perto. Quando a abelha pica, ela deixa o ferrão e as glândulas de veneno enterradas na pele da pessoa. A abelha morre em seguida, mas o ferrão continua injetando veneno e liberando feromônios de alarme. Neste momento, o mais importante é se afastar, preferencialmente entrando num lugar escuro. Quando as pessoas escalam, têm dificuldades em se afastar do perigo, o que pode provocar até a morte. Ao ser picado, o escalador deve tirar o ferrão com a unha antes de chegarem outras abelhas – se possível, passando folhas molhadas que ajudam a mascarar o cheiro. As abelhas tendem a atacar mais as áreas escuras, como roupas e meias. Os escaladores também devem evitar perfumes que tenham odores fortes. Duvido que inseticida possa ajudar nestes momentos. Depois de picada múltiplas vezes, a vítima deve procurar um médico para checar a possibilidade de uma reação alérgica.

David De Jong é professor-doutor do Laboratório de Genética de Abelhas da Faculdade de Medicina da USP, campus Ribeirão Preto (SP)

 
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Publicado em:
Revista Go Outside

Edição:
33

Data:
Fevereiro de 2008

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