Um dia na balada com Bjork em Reykjavík

 

A Islândia já tinha me arrebatado de corpo e alma depois de uma semana explorando uma das ilhas mais fantásticas do planeta. Primeiro, por causas daquela paisagem que mistura vulcões, glaciares, abismos à beira-mar, gêiseres e cachoeiras – o maior deleite que um andarilho amante da natureza pode ter. Além disso, eu tinha me surpreendido com a boa energia de Reikjavík, uma capital totalmente louca especialmente em pleno verão (era julho de 2010): como o céu não escurece durante a noite, a moçada fica na balada, no claro, até 7h, 8h da manhã, tomando todas, entrando e saindo de bares que não cobram entrada. E, quando é de dia mesmo (digo, no céu e no relógio), vai todo mundo pra umas enormes piscinas públicas de água quentinha, pra repercutir a jogação da noite anterior. Mas, como se não bastasse tudo isso, eu ainda delirava com a musicalidade daquela terra, algo tão bem descrito pelo jornalista Fabio Massari no livro Estação Islândia. Além de ter show em tudo o que era pub, eu estava na terra do Sigur Rós, uma das minhas bandas do coração (tentei em vão uma entrevista com o Jónsi, líder da banda, e o namorado dele, o Alex, que tinham acabado de lançar um disco todo feito em casa, mas acabou não rolando). Mas foi na última madrugada,  1 da manhã de uma segunda-feira, que eu tive o maior presente da viagem. Estávamos lá na saideira do Bar Boston, eu e o fotógrafo Rafael Pinho – supercompanheiro de viagem que vivia na ilha havia muitos anos –, quando encosta no balcão ela: a Bjork. Sim, em carne e osso, a maior personalidade da nação, mamada no álcool. Todo mundo fingia que ela era apenas uma frequentadora qualquer. Mas este mesmo todo mundo ficava de canto de olho vendo cada movimento da baixinha. A bela cambaleava, abraçada a uma amiga e um amigo, pra lá e pra cá, do balcão pro banheiro, do banheiro pro sofá. O Rafa, que já conhecia a peça, me recomendou segurar a onda e não tietar. Dizem que ela odeia o assédio, especialmente quando está  “em casa”. Eu fiquei ali, a dois metros do maior nome da música islandesa, à espera de um comentário qualquer desses de bêbados, um sorriso, um tintim. Nada. Bjorkinha estava bem pra lá de Bagdá, de Reykjavík, da Babilônia. Valeu a experiência. Mais legal que ir a Roma e ver o Papa é ir à Islândia e ver a Deusa.

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