Ainda que 7 pontos atrás do líder Lewis Hamilton,
da McLaren, o paulistano Felipe Massa, da Ferrari,
chegou à última prova da temporada na disputa
pelo Mundial de Fórmula 1. Desde que Ayrton Senna
conquistou o título em 1991, é a primeira vez que
um brasileiro participa da corrida final com chances
reais de ser campeão. Mas isso todo mundo sabe.
Nas páginas a seguir, revelamos em 37 tópicos alguns bastidores
e surpresas do nosso Grande Prêmio, que tem neste
domingo de 2008 a sua 37ª edição.

 

1. O evento mais lucrativo da cidade

140 000 espectadores são esperados para os três
dias de competição, metade deles especificamente
para o domingo da corrida

615 reais é quanto cada turista brasileiro deixa por
dia, em média, na cidade

6 em cada 10 visitantes vêm de fora de São Paulo,
sendo que dois são estrangeiros

420 reais era o preço dos ingressos mais baratos
para o dia da corrida (eles se esgotaram em maio)

230 milhões de reais é o total movimentado no setor
turístico (a conta engloba de gastos com alimentação
a hospedagem). Trata-se do evento mais lucrativo
de São Paulo

 

2. Roupa suja se lava no hotel


Durante a semana do GP, as lavanderias do Grand
Hyatt (foto) e do Hilton, dois hotéis que têm 80% de
seus quartos reservados para as escuderias, ficam
lotadas de macacões dos pilotos de suas equipes.
De terça a domingo, cada uma delas lava pelo
menos 120 uniformes – o Grand Hyatt cobra 100
reais por peça e o Hilton, 47. Para não prejudicar
o acabamento, os macacões são enxaguados em
água morna e secados ao ar livre. Confeccionados
com uma fibra chamada Nomex, que suporta
temperaturas de até 400 graus, eles são projetados
para proteger o piloto de incêndios por pelo menos
doze segundos.

 

3. As superstições de Massa

• Vai vestir a surrada cueca branca que usa desde sua vitória no GP da Turquia, em 2006.

• No dia da corrida sai com o pé direito da cama e, já
na pista, calça primeiro a sapatilha e a luva direitas.

• Se no dia do treino for bem e tiver escovado os
dentes da esquerda para a direita, repetirá o ritual
no dia da prova.

• Antes da corrida, sua mulher, a empresária Anna
Raffaela Bassi, devota de Santa Teresinha, costuma
colocar uma imagem da santa sobre o macacão do
marido e rezar o terço, comprado em Roma.

• No Grande Prêmio da China deste ano, o casal
entrou na sala de descanso montada pela Ferrari
dentro do autódromo e notou que o tapete era o
mesmo que havia sido utilizado no Grande Prêmio da
Malásia, prova que Massa não conseguiu terminar. O
piloto pediu para a escuderia mudar o tapete o mais
rápido possível. Pedido atendido.

 

4. A doce vida dos astros das escuderias

Há dezesseis anos, o chefão da Fórmula 1, Bernie
Ecclestone, se hospeda na mesma suíte Itamaraty
de 138 metros quadrados e diária de 4 526 reais do
Hotel Transamérica. Já o lar brasileiro do manda-
chuva da McLaren, Ron Dennis, é a suíte presidencial
do Hilton (foto). Ao custo de 15 000 reais por dia,
Dennis tem a seu dispor 360 metros quadrados.
Hospeda-se ali desde 2002.

 

5. Comboio de 120 caminhões

Vindos do último GP da China, seis Boeings 747
aterrissaram na semana passada no Aeroporto de
Viracopos, em Campinas, carregando 600 toneladas
de equipamento. Pneus, motores, caixas de câmbio,
computadores, aparelhos eletrônicos e milhares
de peças são acondicionados em caixas e estojos
protegidos. Os carros viajam em boxes separados.
Para transportar toda a carga até o Autódromo de
Interlagos, são necessários cerca de 120 caminhões,
350 funcionários e a escolta armada de veículos
particulares e da Polícia Militar.

 

6. Tudo por um lugarzinho na arquibancada

Os ingressos para o domingo se esgotaram em
maio. Para os paulistanos fanáticos e pouco
prevenidos, uma alternativa foi adquirir entradas
atreladas a pacotes. Resultado: houve gente
comprando ingresso casado com hotel, traslados
e festas oferecidos pelas nove agências de viagem
cadastradas pela prefeitura. Os preços do bilhete
com a festa chegavam a 1 900 reais por pessoa.

 

7. “Só não aceito sogra e cachorro”

Ao final do Grande Prêmio do ano passado, 25 instituições de caridade foram beneficiadas com
as sobras de alimentos (cerca de 1 tonelada
de verduras, frutas e massas) dos diversos
banquetes oferecidos em espaços vips e boxes
das equipes. A responsável por fazer o meio-
de-campo entre doadores e entidades é Claudia
Troncoso, coordenadora da Associação Brasileira de
Redistribuição de Excedentes. “Recebemos também
fogões, microondas, guardanapos, copos e talheres”,
conta. “Só não aceito sogra e cachorro.”

 

8. Em busca do melhor ângulo

Cerca de 350 jornalistas de todo o mundo estão
credenciados para a cobertura do GP Brasil em
Interlagos. Dos setenta fotógrafos, doze são
daqui. “O final da reta é o ponto mais disputado”,
diz Miguel Costa Junior, que fotografou todos os GPs
Brasil nos últimos 27 anos. “Mas é a organização
que decide onde cada um vai ficar. Sempre prioriza
as agências internacionais.” Mesmo antes de
carregar a bolsa com 15 quilos de equipamentos
(só de lentes, são 6), Costa Junior já freqüentava
o autódromo. “Assisti a todas as etapas de São
Paulo desde 1972 e fotografei Barrichello, Massa e
Nelsinho quando eram crianças, no kart.”

 

9. Dois quilos a menos 7 voltas depois

Entre os dezoito circuitos da temporada, o de
Interlagos é o mais desgastante, segundo o
preparador físico de Felipe Massa, Vanderlei Pereira.
O trecho da Curva do Sol, por exemplo, chega a
exercer uma pressão de cerca de 50 quilos sobre
o pescoço dos pilotos. “Se o dia estiver quente,
perdem-se até 2 quilos e 1 500 calorias numa
corrida”, diz Pereira, que usa um aparelho que
simula as condições da pista no treinamento de seus
pupilos.

 

10. O dia em que Barrichello queimou o
bumbum

Os médicos de pista fazem 200 atendimentos
no fim de semana da corrida, remediando desde
contusões até simples dores de cabeça. “Há uns
dez anos Rubens Barrichello chegou com o bumbum
queimado de combustível”, lembra o cirurgião Dino
Altmann. “Sorte que não foi nada grave.”

 

11. Caipirinha, o combustível dos mecânicos

Durante a semana do GP, hotéis como o Hilton e
o Transamérica vendem o triplo de caipirinhas (a
tradicional, de pinga e limão, é a preferida). “Boa
parte dos hóspedes começa a beber já no café-
da-manhã”, afirma Vania Aibara, gerente-geral de
vendas do Transamérica. “À noite, eles repetem o
ritual.” Ou melhor, a dose.

 

12. Louco por picanha malpassada

O piloto inglês Lewis Hamilton adora uma
churrascaria. Na última terça (28), como registrado
na foto abaixo, ele se esbaldou com picanha
malpassada fatiada e batatas fritas. Onze pessoas
participaram do rega-bofe no rodízio Fogo de Chão
da Avenida dos Bandeirantes. Outra unidade da
rede, em Santo Amaro, foi palco de uma cena
inusitada no ano passado. Após perder a corrida final
para Kimi Raikkonen, da Ferrari, Hamilton encontrou
o time rival na mesa vizinha. Cumprimentou a todos,
um a um, e ainda autografou a roupa de alguns
mecânicos da Ferrari.

 

13.  A gorjeta de 500 dólares de Ron Dennis

Ainda na Fogo de Chão. O inglês Ron Dennis, o
todo-poderoso da McLaren, sabe como conseguir
um atendimento diferenciado na churrascaria. “Ele
chega, coloca 500 dólares na mesa e pede o de
sempre”, diz Jandir Dalberto, diretor de operações
da rede. O de sempre é um peito de peru recheado
com bacon, acompanhado de molho à base de
pimenta. “No fim, além de deixar o dinheiro ali,
ainda paga 15% pelo serviço.”

 

14. Havaianas, paixão mundial

A franquia das Havaianas em Moema vende 150
pares por dia durante a semana do GP, 30% mais
que o movimento normal. A loja tem funcionários
bilíngües para atender a leva de estrangeiros, boa
parte deles membros das equipes. O modelo mais
procurado é aquele tradicional, com a bandeirinha
do Brasil (foto), que custa 19,90 reais. Os chinelos
personalizados com cristais Swarovski também saem
bastante. Nesse caso, por 260 reais.

 

15. 2.000 homens para organizar o trânsito

Para ninguém perder a largada do GP, a prefeitura
organizou uma operação que mobilizará 2 000
agentes (praticamente todo o seu efetivo) e 300
veículos. A coordenação ficará a cargo de uma
central de operações montada dentro do autódromo.
Nas ruas em torno do circuito serão reservados
espaços para estacionamento de 25 000 carros
de passeio. Já para quem pretende deixar o carro
em casa, a SPTrans vai colocar à disposição 240
ônibus articulados partindo de cinco miniterminais
e estimular o uso do trem, com uma estação a 600
metros da pista. Essa estrutura custará 1,3 milhão
de reais aos cofres municipais.

 

16. A vira-lata de Schumacher

Autografado por nomes como Damon Hill e
Michael Schumacher, o livro de hóspedes do Hotel
Transamérica tem também a marca de uma das
patas da cadela Floh (pulga, em alemão). Em 1996,
o piloto alemão encontrou a vira-lata dando sopa
no Autódromo de Interlagos e a levou para casa. Na época, a cachorra foi tratada a pão-de-ló, com
direito a pratos preparados por chefs de cozinha e
massagens num pet shop cuja diária custava 190
reais.

 

17. O troféu reciclável de Niemeyer

Quem terminar a prova deste ano nas três primeiras
posições vai levar um troféu desenhado por Oscar
Niemeyer. O arquiteto se baseou nas curvas do
Palácio da Alvorada, em Brasília, e usou material
de origem vegetal, conhecido como plástico verde.
A vantagem desse produto é ele ser totalmente
renovável. Resta saber que campeão vai querer
reciclar o seu troféu…

A Daslu se transforma em filial de Interlagos na
sexta e no sábado que antecedem a corrida. “São
os dias mais cheios do ano. Só perdem para o
Natal”, diz a proprietária, Eliana Tranchesi. Michael
Schumacher já passou por lá em 2006 e Nelsinho
Piquet é cliente cativo. “Nessas ocasiões, tem gente
que gasta até 70 000 reais”, conta. Pilotos são fãs
das camisas pólo da marca e as mulheres costumam
abastecer o guarda-roupa de bolsas Chanel.

 

19. Esquadrão de carros brancos

As empresas de táxi da cidade destinaram 1 500
veículos para atender aos bolsões de estacionamento
do Autódromo de Interlagos. Para 3 000 dos 34 000
taxistas de São Paulo que trabalharão na semana do
GP, este é o momento melhor para fazer um pé-de-
meia. “Nesta época, a gente trabalha o dobro para
compensar o baixo movimento de janeiro e fevereiro
do ano seguinte”, diz o taxista Wellington Lima de
Araújo, a bordo de um Fiat Doblò. Na semana do
GP, ele roda cerca de 200 quilômetros e ganha 200
reais por dia. Gorjetas em euro, dólar e iene são
comuns. “No ano passado, um turista me deixou 50
dólares (cerca de 100 reais) para pagar uma corrida
que custou 40 reais”, lembra.

 

20. A homenagem do chefão da Williams

Quando vem ao GP Brasil, Frank Williams, chefe da
escuderia de mesmo nome, visita o túmulo de Ayrton
Senna, que morreu num dos carros da equipe,
em 1994. O manda-chuva também é fiel a outras
tradições: hospeda-se sempre no Transamérica e
detesta ser visto. Só sai da suíte pelo elevador de
serviço, que dá acesso direto à garagem do hotel.

 

21. Cinquenta médicos de 12 especialidades

Esporte de alto risco, a Fórmula 1 exige um suporte
médico impressionante. A equipe de 120 pessoas
do Hospital São Luiz, há oito anos responsável
pelo atendimento médico de emergência, inclui cinqüenta profissionais de doze especialidades, de
cirurgia plástica a ortopedia. Com UTI e sala especial
para queimados, o centro médico de Interlagos, no
interior do circuito, ganhou neste ano uma estrutura
fixa de hospital. Os acidentados serão transportados
para ali em um dos dezesseis veículos de resgate, e
as vítimas mais graves, transferidas para a unidade
hospitalar do Morumbi em um dos dois helicópteros
de plantão.

 

22. As garotas do grid

Em um ambiente tipicamente masculino como o da
Fórmula 1, são as beldades que chamam atenção.
No grid, serão 22 modelos posicionadas ao lado dos
pilotos para segurar um guarda-sol. A ordem em que
ficarão só será definida minutos antes da largada,
mas elas já têm os preferidos. “Se pudesse escolher,
pediria para ficar ao lado do Fernando Alonso”, diz
Denise Bertelli, de 24 anos. Mas, enquanto a prova
não começa, elas têm de levar na esportiva os
comentários dos mecânicos que param o trabalho
para vê-las passar. “Eles falam algumas gracinhas
para a gente, mas o jeito é tapar os ouvidos para
essas provocações”, afirma Nathalia Melandre, de 22
anos. Porém, se o gracejo for feito com delicadeza,
elas garantem não reclamar. “Faz bem para o ego”,
admite Roma Santa, de 23 anos.

 

23. Festão antes do bye-bye

No circuito desde 1994, o piloto escocês David
Coulthard, da Red Bull, fará sua última corrida em
Interlagos. E marcou a despedida com um jantar
fechado para 100 íntimos na casa noturna Museum,
no Brooklin. Ele, aliás, já teve laços na cidade.
O piloto manteve um relacionamento duradouro,
digamos, com uma brasileira. Conheceu sua ex-
noiva, a arquiteta e ex-modelo Simone Abdelnur,
em uma festa promovida por Ana Paula Junqueira na
semana do GP de 2001. Os dois ficaram juntos por
cinco anos.

 

24. Reforço no Café Photo

A semana da Fórmula 1 é a mais aguardada pelas
casas de diversão masculinas da cidade. O Café
Photo, por exemplo, quadruplicou o número de
garotas. Seiscentas moças se preparam para dar
conta do aumento no número de clientes. Em dias
normais, 150 trabalham no local.

 

25. Acelera, Galvão!

Em 34 anos de Fórmula 1, o locutor Galvão Bueno
coleciona histórias. A mais marcante para ele tem
como protagonista o piloto Ayrton Senna. Em 1991,
com problemas no câmbio, ele venceu a prova
de maneira dramática em Interlagos. Exausto, o
piloto teve dificuldade até para subir ao pódio. A
caminho do heliponto, acompanhado de Galvão e de seu filho Cacá (hoje piloto da Stock Car), o
tricampeão mundial deu a taça ao garoto para que
ele a carregasse até a aeronave. “Cacá tinha 14
anos e era kartista. Ele não sabia nem o que fazer
quando recebeu um troféu de Fórmula 1 das mãos
de Senna”, lembra. Neste ano, Galvão estará a
postos para mais uma transmissão pela Rede Globo.
A estrutura montada conta com 22 câmeras e 400
profissionais.

 

26. Ele foi a todos os últimos doze GPs!

O administrador de empresas Augusto Roque, 28
anos, nasceu durante a vitória de Rene Arnoux, da
Renault, no GP Brasil de 1980. “Meu pai deixou o
autódromo e foi direto para o hospital acompanhar o
parto de minha mãe”, diz ele, que acabou herdando
o mesmo fanatismo pelos motores. Desde 1996
não falha em uma única corrida. “Para garantir o
ingresso, compro no primeiro dia de abertura das
bilheterias”, afirma. No ano passado, achou na pista
uma parte do carro do finlandês Heikki Kovalainen,
da McLaren. Voltou para casa todo contente,
enquadrou o troféu e o pendurou na sala.

 

27. Os bambambãs de Interlagos

Os pilotos que mais venceram no autódromo
paulistano

Quatro vezes: Michael Schumacher – 1994, 1995, 2000 e 2002

Duas vezes: Juan Pablo Montoya – 2004 e 2005

 

28. Depois do pódio, a gandaia

Pelo quarto ano consecutivo, a escuderia Red Bull
prepara uma balada de encerramento para 2 500
convidados na cidade. Tradicionalmente realizada
em lugares descolados, a festa será no auditório do
Memorial da América Latina. O público também deve
ser diferente. Em vez das celebridades de sempre,
esperam-se muitas modelos desconhecidas e vários
marmanjos das equipes.

 

29. Pintor de capacetes fica de plantão

Uma das personalidades do automobilismo nacional
que ficam em alerta no fim de semana do GP
do Brasil é Cloacyr Sidney Mosca, o Sid Mosca.
Com mais de 35 anos de experiência na pintura
personalizada de capacetes, ele já precisou retocar a imagem de cascos e até de carros em corridas
passadas. “Em 2005, passei a noite de sexta para
sábado redesenhando o capacete de Giancarlo
Fisichella, da Renault, pois uma asa tinha sido
removida”, lembra Mosca, que normalmente leva
uma semana para fazer uma pintura completa.
Neste ano, ele pintou o novo capacete que Rubens
Barrichello estreará em homenagem ao piloto
paulistano Ingo Hoffmann. O da foto, também criado
por ele, Barrichello usou na sua corrida de número
257, em maio, na Turquia.

 

30. Uma Fittipaldi na torre de controle

Oito em cada dez pessoas que trabalham no
staff do GP Brasil são mulheres. Fica na torre de
controle, com a cúpula da Federação Internacional
de Automobilismo, uma das mais experientes:
Susy Fittipaldi, mãe de Christian, ex-mulher de
Wilsinho e cunhada de Emerson. “Eu queria estar
por perto da família, mas ficava aflita ao assistir
às corridas, então passei a trabalhar com isso”,
conta Susy, que fala sete idiomas. Inicialmente fazia
cronometragem, depois foi para a sala de imprensa
e hoje é secretária dos comissários da prova. É
ela quem comunica, por exemplo, as punições às
equipes.

 

31. Eles não vivem sem massa

Além das toneladas de equipamentos, a escuderia
da Ferrari carrega para todas as corridas uma carga
indispensável à equipe: 100 quilos de macarrão
grano duro. Esse é o combustível do time italiano
nas 600 refeições servidas de quinta a domingo.

 

32. Identidade secreta

O concierge do Hilton, Alessandro Cordeiro, costuma
fazer reservas para os pilotos em restaurantes como
o D.O.M. e o Figueira Rubaiyat com nomes fictícios
dois meses antes do GP. “Como sei que sempre
querem ir de última hora, já me antecipo”, diz ele,
que revela a verdadeira identidade dos craques
apenas no dia do jantar.

 

33. Assim na terra como no céu

Além de provocar filas quilométricas nas ruas, o
GP causa trânsito intenso no céu. No sábado e no
domingo da corrida, uma revoada de cinqüenta
helicópteros deve transportar 1 800 pessoas e
realizar 600 pousos e decolagens. Para fugirem
dos congestionamentos, pilotos, celebridades e
profissionais da corrida costumam desembolsar 1
500 reais por viagem. “No mercado de táxi aéreo,
esse é o maior evento em toda a América Latina”,
diz Luís Roberto Coutinho Nogueira, presidente
da LRC Eventos, responsável pelo serviço no
autódromo. Segundo ele, o transporte aéreo em
competições de Fórmula 1 é invenção brasileira. Nasceu em 1990 como alternativa para driblar
o trânsito. Hoje, o tráfego de helicópteros em
Interlagos está entre os mais intensos de todos
os GPs. “Equivale ao de Silverstone e ganha do de
Monza”, afirma Nogueira.

 

34. O médico piloto

Apaixonado por automobilismo desde criança, o
cirurgião Dino Altmann começou a trabalhar como
médico do GP Brasil em 1990 para ficar próximo
dos motores. “É ótimo poder juntar o automobilismo
e o atendimento de emergência”, diz o atual
diretor médico da prova, que correu de kart por
quinze temporadas e chegou a vencer uma corrida
de fórmulas em Donington Park, na Inglaterra,
em 1997. “Nos últimos sete anos, só fiz corridas
esporádicas”, diz. Nas doze etapas nacionais da
Stock Car, Altmann acumula a função de diretor
médico com a de piloto do carro médico, o primeiro
a se aproximar de um competidor acidentado.
Se ele gostaria de fazer o mesmo na Fórmula 1?
”Até gostaria de pilotar”, afirma. “Mas a Federação
Internacional de Automobilismo já tem outro médico
piloto, o francês Jacques Tropenat.” Por enquanto,
pilotar o carro médico da Fórmula 1 é apenas um
sonho.

 

35. Um batalhão de voluntários

Os 600 voluntários que trabalham nas atividades
de pista têm uma rotina desgastante. Encontram-
se às 5 horas da manhã, trabalham de sol a sol e
ganham em troca lanchinhos, uniforme emprestado
e satisfação. “Estou aqui por amor ao esporte”, diz o
consultor de segurança Flavio Perillo, que passou os
últimos trinta anos, dos seus 50, prestando serviços
gratuitos ao GP. Antes de conseguir essa boquinha,
ele entrava na pista escondido nos caminhões das
equipes. Outro hobby era colecionar partes de
carros quebrados. “Guardei um bico da Brabham
e um aerofólio do Copersucar”, conta. Hoje em dia
Perillo abriu mão da coleção. “O regulamento pede
que todas as partes dos carros sejam devolvidas às
equipes.”

 

36. O mais solicitado

Apesar de ser o segundo colocado no ranking
do campeonato, Felipe Massa é líder em pedidos
de entrevistas: até o último dia 29 foram trinta,
embora só tenha concedido dez. Por isso, desde
que aterrissou por aqui no último dia 21, quase
não ficou em seu apartamento no Panamby.
Compareceu a oito compromissos e teve de negar
outros dois. Ainda arrumou tempo para ciceronear
seu empresário e padrinho de casamento, Nicolas
Todt – filho do ex-diretor da Ferrari Jean Todt – , que
está hospedado em sua casa. Dono de um Porsche
Cayenne e de uma Ferrari, ele tem circulado por aí com um Fiat Linea, carro com o qual deve ir a
Interlagos no domingo.

 

37. Para evitar gafes na bandeirada

A cantora Fafá de Belém cantará o Hino Nacional no
domingo. Já a bandeirada final não ficará a cargo
de ninguém famoso. Até segunda ordem, o próprio
diretor de provas, o arquiteto Carlos Montagner,
balançará a bandeira quadriculada sobre os carros
dos primeiros colocados. “A experiência com o Pelé
não deu certo”, diz Montagner, lembrando a prova
de 2002, quando o vencedor, Michael Schumacher,
passou tão rápido que o rei do futebol nem
conseguiu mexer a bandeira. Em 2004, a modelo
Gisele Bündchen cumpriu a função direitinho.

 

Reportagem feita para a Revista Veja São Paulo e finalista do Prêmio Abril de Jornalismo

Apurada e escrita por Daniel Nunes Gonçalves, Fernando
Cassaro e Maria Paola de Salvo

 

 
[VEJASP - 1]  VEJASP/REVISTA/PAGINAS ... 05/11/08
Publicado em:
Revista Veja São Paulo

Edição:
2085

Data:
05/11/2008

Compartilhar
 

DISCLAIMER: Conteúdo protegido por leis de direito autoral. São proibidas quaisquer formas de reprodução, total ou parcial, do conteúdo disponível no website. Criado por Daniel Nunes Gonçalves e Danilo Braga. © Todos os direitos reservados.