Diante de mim existem dezenas de barquinhos com velas descendo lentamente o rio que passa sob a ponte onde estou. Anoitece aqui na charmosa cidade colonial de Hoi An, no Vietnã, que é toda decorada por lanternas coloridas. É uma cena linda, singela e romântica que todo mundo tem que ver uma vez na vida.

 

Boletim da série Tailândia e Vietnã para o programa Repórter Viageiro, da Rádio Vozes

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O blog do Same Same traz relatos dos bastidores das reportagens reproduzidas neste site portfolio. São pequenas histórias que não foram contadas nas revistas em que foram publicadas.
 
sexta-feira, 30 janeiro 2015

Depois de passar o pré-Natal curtindo o frio e o charme de Berlim e Viena, alterei radicalmente a bússola e o termômetro e fui passar Natal e réveillon no calor dos trópicos – mais exatamente sob a Linha do Equador. Minha primeira vez no país que dá nome à linha imaginária que divide o planeta ao meio acabou virando uma sensacional viagem de 26 dias, sendo a primeira semana dedicada a explorar o continente equatoriano e os últimos 19 dias só em Galápagos. Eu ainda vou falar bastante aqui sobre minha imersão na natureza galapagueña. Mas antes eu preciso contar como é legal curtir as festividades de fim de ano por lá – especialmente para alguém fascinado por diferença cultural como eu. Me refiro às procissões de rua chamadas Pases del Niño, no período natalino, e, no dia 31 de dezembro, à queima dos bonecos de Ano Velho e ao choro dos homens travestidos de viúvas – uma tradição curiosíssima e divertida que só existe no Equador.

Foi primeiro na estrada perto de Riobamba, e depois no Centro Histórico da charmosa Cuenca (agora minha cidade preferida do país), que assistimos, eu e Allan, meu companheiro de estrada, às procissões cristãs seguindo a estátua de Jesus criança.

 

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O Pase del Niño – ou a Passagem do Menino – leva dezenas de beatas às ruas daquela espécie de Ouro Preto equatoriana.

 

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As senhoras fazem questão de carregar nas mãos seu boneco do pequeno Cristo ou de levarem nos ombros a estátua principal. As passeatas acontecem em todo o país antes, durante e depois do Natal.

 

Atrás das procissões seguem pessoas cantando e dançando (foto samesamephoto)

Atrás das procissões seguem pessoas cantando e dançando (foto samesamephoto)

 

O mais divertido é que, atrás do personagem principal, desfilam pessoas vestidas de tudo.

 

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Há desde crianças disfarçadas como anjos e reis magos – o que tem a ver com a data – até gente de todas as idades usando roupas nada-a-ver, como de homem-aranha, de bailarina de flamenco e de Chaves.

 

Além das fantasias inspiradas na Bíblia, há outras que nada tem a ver com o Natal (foto samesamephoto)

Além das fantasias inspiradas na Bíblia, há outras que nada tem a ver com o Natal (foto samesamephoto)

 

Fez até lembrar nosso Carnaval. Same same but different. ;-)

 

Crianças fantasiadas para o Pase del Niño de Cuenca (foto samesamephoto)

Crianças fantasiadas para o Pase del Niño de Cuenca (foto samesamephoto)

 

El Chavo, como é conhecido na América Latina o personagem do Chapolim Colorado, foi também a personalidade mais vista nas celebrações de ano novo, quando já estávamos em São Cristóvão, uma das únicas quatro ilhas habitadas de Galápagos. Em função de 2014 ter sido o ano em que morreu o ator mexicano Roberto Bolaños, Chaves foi um dos principais “bonecos de ano velho”.

 

Entre os bonecos a serem queimados na virada do ano no Equador, o de Chaves era o mais comum (foto samesamephoto)

Entre os bonecos a serem queimados na virada do ano no Equador, o de Chaves era o mais comum (foto samesamephoto)

 

Segundo a tradição, à meia-noite do 31/12, as pessoas devem queimar imagens de personalidades recém-falecidas ou parentes que precisam de boas vibrações para o ano novo. Mas as pessoas acabam queimando também outros bonecos divertidos da cultura pop.

 

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Na recepção do hotel Algarrobos, bonecos de Año Viejo esperam sua vez de serem queimados em 31 de dezembro – um deles homenageia o presidente Rafael Correa (foto samesamephoto)

 

Algumas famílias que conheci passaram a tarde do dia 31 comendo, bebendo e criando bonecos com mensagens divertidas – normalmente, o “testamento” do boneco a ser cremado.

 

 

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Eles se parecem com aqueles das malhações de Judas no período da Páscoa no Brasil: muitos são feitos com pano, forrados com mato seco, jornal e todo tipo de material reciclado. Uma vez prontos, ficam expostos nas ruas (alguns são vendidos para turistas) enquanto esperam a hora da fogueira da morte.

 

Família de Galápagos escreve os "testamentos" de cada boneco que será queimado à meia-noite. Cada um representa uma pessoa do clã (foto samesamephoto)

Família de Galápagos escreve os “testamentos” de cada boneco que será queimado à meia-noite. Cada um representa uma pessoa do clã (foto samesamephoto)

 

Antes da virada, vários meninos circulam vestidos de meninas. São “as viúvas do Ano Velho”, que simulam choros escandalosos nas ruas e saem pedindo trocados aos passantes.

 

Três adolescentes se divertem vestidos como viúvas do Ano Velho para pedir trocados pelas ruas da Ilha de São Cristóvão, Galápagos (foto samesamephoto)

Três adolescentes se divertem vestidos como viúvas do Ano Velho para pedir trocados pelas ruas da Ilha de São Cristóvão, Galápagos (foto samesamephoto)

 

Qualquer dez centavos já costuma satisfazê-los. Supostamente aquelas são as mulheres do ano que vai morrer, e que portanto precisam de dinheiro para sobreviver.

 

Rapaz travestido como viúva do Ano Velho pede trocados para sua nova vida sem marido, que começa a zero hora do dia 1 de janeiro (foto samesamephoto)

Rapaz travestido como viúva do Ano Velho pede trocados para sua nova vida sem marido, que começa a zero hora do dia 1 de janeiro (foto samesamephoto)

 

Mas é claro que a rapaziada gasta o dinheiro bebendo na festa da virada, que teve shows musicais na praça principal. O som é claro, só começa depois das muitas fogueiras espalhadas pelas ruas queimarem los muñecos de ano viejo”.

 

Boneco do Homem-Aranha queima em fogueira de ano novo na Ilha de São Cristóvão, em Galápagos (foto samesamephoto)

Boneco do Homem-Aranha queima em fogueira de ano novo na Ilha de São Cristóvão, em Galápagos (foto samesamephoto)

 

Código de ética Same Same: viajei por conta própria para o Equador, pagando todas as despesas com excessão do tour de duas noites entre Quito e Cuenca, gentilmente cedido pela Metropolitan (www.metropolitan-touring.com), e de uma noite no hotel Casa Gangotena (www.casagangotena.com), em Quito.

 
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