COMO TODOS OS GRANDES VIAJANTES, EU TENHO VISTO MAIS DO QUE ME LEMBRO, E ME LEMBRO MAIS DO QUE TENHO VISTO.

 

Essper George, personagem de Benjamin Disraeli no romance Vivian Grey (1826)

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O blog do Same Same traz relatos dos bastidores das reportagens reproduzidas neste site portfolio. São pequenas histórias que não foram contadas nas revistas em que foram publicadas.
 
domingo, 16 novembro 2014

Essa eu preciso compartilhar no calor da emoção. Tive sexta-feira, 14 de novembro, uma das experiências mais espetaculares nesses 10 dias de viagem-surpresa à Nova Zelândia: cheguei à boca da cratera do Whakaari, vulcão mais ativo do país, em White Island. Vai ser difícil, mas vou tentar descrever em palavras.

 

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Foi assim: estava em Rotorua, no centro da ilha norte do país, conhecida como a capital da fascinante cultura maori. Isolada no Pacífico a meia hora de vôo desde o heliponto onde embarquei, no Solitaire Lodge (o hotel que me hospedeu, integrante da rede Small Luxury Hotels of the World), a “Ilha Branca” foi assim batizada pelo navegador britânico James Cook, em 1769.

 

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O nome surgiu por causa da fumaça branca que não para de ser jogada dessa montanha verde, cheia de pássaros brancos nas rochas à beira do azulão do Pacífico. Para quem já tinha se sentido privilegiado por ter sobrevoado o vulcão Bardarbunga, da Islândia, em setembro, ter a chance de sobrevoar um vulcão de novo já tinha soado como sorte demais pra uma pessoa só. E não é que a experiência foi ainda mais fascinante?

Calma, Islândia, te amo e pra sempre vou te amar.

Mas na Nova Zelândia o acesso ao vulcão foi de helicóptero (e não de teco-teco, que tem limitações de manobras, como lá no Atlântico Norte). E, além de ver apenas do alto a vida brotando fumegante, eu pude pousar e caminhar na cratera. É ou não é pra se apaixonar?

 

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Aprendi com os maori da Nova Zelândia que a poligamia não tem nada de errado, e por isso assumo a Nova Zelândia como um novo amor – sem desmerecer os anteriores. Com motivos: em White Island, basta o helicóptero pousar para que a pessoa comece a andar em um solo por vezes fofo e que mistura cores como o amarelo do enxofre (dizem que derrete solas de tênis e prejudica lentes de câmeras), o cinza das pedras pomo, o preto da areia vulcânica da praia e um degradê do laranja ao branco que passa, acreditem, pelo verde de dentro da cratera.

 

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Sim, diferente do Bardarbunga islandês, que cuspia sua lava vermelha nas alturas do glaciar branco sem fim, o primo kiwi borbulhava uma mistura de água verde da chuva, lama cinza e solo pedregoso em meio a muita fumaça mal-cheirosa. Tivemos de usar máscaras para amenizar o desconforto do odor de enxofre – além de capacete para a eventualidade de o Sr. Whakaari cuspir alguma pedregulho na gente com a raiva que os maori dançam sua temida haka (quem já viu a performance do time de rugby neozelandês All Blacks sabe do que estou falando).

 

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Segundo o Jason, piloto da Volcanic Air e nosso guia, o magma está debaixo daquele lago assustador e só vai ser jorrado pra fora em uma eventual erupção. Enquanto isso não acontece, o Whakaari fica ali, dando show, e com fama de ser talvez o mais acessível vulcão ativo do planeta.

 

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Ficamos ali uma horinha, tocando em lindos pedaços de pedra amarela brilhante, deslumbrados com a beleza surreal do planeta, vendo os restos da mineradora que tentou extrair enxofre dali em 1914, há exatos 100 anos. E, pela segunda vez em dois meses, me comovi com a vida na Terra nascendo quente e visceral justamente ali, bem debaixo dos meus pés.

 

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Código de ética Same Same: viajei a convite do Turismo da Nova Zelândia.

Tanto as passagens aéreas quantos os hotéis, passeios e restaurantes foram patrocinados por eles.

 
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