Na Índia ninguém diz bom dia, por favor e obrigado

Em cada um dos, sei lá, vinte e tantos hotéis que nós, os 27 travelwriters do #KeralaBlogExpress, visitamos em 17 dias, fomos recebidos como marajás. Lindas indianas vestidas com sáris reluzentes vinham até o ônibus colocar colares de flores cheirosas nos nossos pescoços e pintar nossas testas – ou nossos “terceiros olhos” – com um pingo de pasta de cores vistosas como vermelho e amarelo (como é comum em vários templos hindus). Em meio ao aroma de incenso, toalhinhas umedecidas e refrigeradas chegavam na bandeja seguinte, em uma simpática iniciativa para amenizar o bafo quente da vida real sem ar-condicionado do mês de março no Sul da Índia.

Em cada um dos, sei lá, vinte e tantos hotéis que nós, os 27 travelwriters do #KeralaBlogExpress, visitamos em 17 dias,  fomos recebidos como marajás.

 

P1250011

 

Lindas indianas vestidas com sáris reluzentes vinham até o ônibus colocar colares de flores cheirosas nos nossos pescoços e pintar nossas testas – ou nossos “terceiros olhos” – com um pingo de pasta de cores vistosas como vermelho e amarelo (como é comum em vários templos hindus).

 

P1250055

 

Em meio ao aroma de incenso, toalhinhas umedecidas e refrigeradas chegavam na bandeja seguinte, em uma simpática iniciativa para amenizar o bafo quente da vida real sem ar-condicionado do mês de março no Sul da Índia.

 

P1250041

 

Nesses desembarques nos hotéis sempre rolava um suco de fruta, um coquetel sem álcool, uma água de côco (ainda que nunca ‘estupidamente’ gelada como gostamos de tomar no Brasil).

 

P1240935

 

O comprimento oficial de boa parte da Ásia, com as mãos em prece e uma ligeira curvada do corpo para a frente, em sinal de deferência ao visitante, em Kerala vem sempre acompanhado de um lindo “Namaskaram!”, algo como o “Deus que habita em mim saúda o Deus que está em ti”.

 

P1250021

 

Em Kerala aprendi que, nesse país onde 1,3 bilhão de pessoas falam centenas de línguas e dialetos, o mesmo gestual de saudação pode vir também junto com um “Namasté” ou um “Namaskar”, variando conforme a tradição do estado em que a pessoa está. Em Kerala, usa-se Namaskaram.

 

Nelson, Justin eu e Shawn  treinando o Namaskaran com nossas camisas novas
Nelson, Justin eu e Shawn treinando o Namaskaran com nossas camisas novas

 

Foi só nesta minha segunda incursão à terra de Brahma, Vishnu e Shiva que entendi a etiqueta dos cumprimentos. Eu achava estranho que, fora do ambiente internacional dos hotéis, as pessoas não costumassem dar bom dia, pedir licença quando sentam para compartilhar a mesa com você ou pedir desculpa se pisam no seu pé.

 

P1240913

 

Foi o Manoj, um dos melhores guias que conheci nesses 25 anos viajando, quem explicou: na Índia, não existe essa estória de por favor ou obrigado. Em vez dessa etiqueta frequente no mundo ocidental – que, convenhamos, muitas vezes é apenas uma máscara social fria, superficial e automática –, aqui eles fazem essa comunicação rápida usando olhares simpáticos, sorrisos e as indefectíveis “head shakes”, aquelas mexidinhas de cabeça que eu não conseguia entender se queriam dizer “sim” ou “não”.

 

P1240758

 

“Este é nosso jeito de dizer ‘sim’, explicou Manoj. “Mas também pode ser apenas um ‘oi’”. De fato, especialmente nas vezes em que circulei sozinho pelos vilarejos de Kerala, fui saudado com head shakes. A exceção acontecia com as crianças.

 

Correndo com Anita em Kappad Beach
Correndo com Anita em Kappad Beach

 

Notei isso especialmente quando fui correr na beira-mar de Kappad Beach (onde fica o agradável Vasco da Gama Beach Resort) com a Anita, indiana de Bangalore que virou minha nova amiga. Ao longo de 1 horas, fomos saudados com vários “hi”, “hello”, “how are you?” e “which country?”. Era o jeito de a molecada treinar o inglês deles.

 

P1250028

 

E, claro, quando eu respondia que era do Brasil” ouvia de volta “ football”, “world cup” e desatualizadíssimos “Ronaldo” e “Rivaldo”.Também escutei uns “Kákas” (e não “Kakás”) e até um ousado “I like Argentina”.

Aí, não teve como: repeti o estilo indiano de se comunicar com olhos, boca e cabeça. Olhei feio, fechei a cara e fiz um claro head shake ocidental querendo dizer que ‘não’. Argentina não…

 

Código de Ética SS:

Viajei a convite do Kerala Tourism após ficar em 23o lugar entre os bloggers de viagem mais votados do mundo (entre 600 inscritos) no concurso Kerala Blog Express. Os destinos, hotéis e restaurantes ofereceram seus serviços de graça.

Esta viagem não teria acontecido sem o patrocínio da Ethiopian Airlines (www.ethiopianairlines.com), recém-chegada ao Brasil, e que bancou as passagens aéreas entre São Paulo e Mumbai, via Addis Ababa, na Etiópia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *