Gente demais, sujeira demais, barulho demais, assédio demais, informação demais. Se você tem o desejo de conhecer a Índia mas tem receio de se incomodar com essa dura realidade do país, comece por Kerala.

 

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Meu segundo, terceiro e quarto dias estreando nesta tripa de terra que se alonga pelo sudoeste indiano chamada Kerala foram suficientes para eu ter uma primeira impressão radicalmente diferente daquele que experimentei dez anos atrás. Aqui a Índia te recebe sorrindo. O clima de praia deixa todo mundo zen. As pessoas te cumprimentam simpaticamente nas ruas sem querer nada em troca. O excesso de informação visual está aqui como em todo o resto do país – são muitos templos, tuc-tucs, pessoas de testa pintada vestindo roupas coloridas –, mas sem aquela sensação de overdose comum especialmente nas metrópoles do centro e do norte.

 

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Em 2004, Nova Dehli me recebeu com o trânsito mais assustadoramente caótico e barulhento da minha vida (eu ainda não tinha conhecido o Cairo). As ruas eram abarrotadas de lixo, turistas com cara de gringo como eu eram objeto de todo tipo de assédio. Ao final de quase dois meses explorando o Norte (Agra, Varanasi e cidades do Rajastão), terminei a trip em Mumbai (depois de dar um pulo em Goa e no Nepal) incomodado com os mendigos que puxavam meu braço pedindo esmola e os travestis implorando por comida porque são párias excluídos da sociedade.

 

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O lixo e as buzinas também existem nos lugares onde passei até agora, as cidades de Trivandrum, Kovalam, Varkala, Kollam e Kumarakon. Mas a beleza do cenário e o ambiente relaxado fazem o estrangeiro se acostumar com isso rapidamente. Há boas razões para eles serem tão agradáveis. Estamos no estado mais bem-educado do país: 93% dos habitantes sabem ler e escrever. O fato de ter se desenvolvido em meio a mercadores de especiarias e de marfim vindos de toda parte – chineses, árabes, romanos, portugueses… – há mais de 3.000 anos a deixou cosmopolita, acostumada com as diferenças, e pacífica. “No norte, o histórico deixou as pessoas mais duras”, me explicou o sábio Anil Kumar, gerente do Coconot Lagoon, um  rústico (e delicioso) hotel quatro estrelas à beira do rios de Kumarakon. O jantar com ele ontem foi uma aula de história e cultura indianas. E o hotel tem encantadores bangalôs de madeira (com banheiro ao ar livre, sem teto!) diante do lindo lago Vembanad.

 

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Ontem passamos a tarde passeando de barco pelos canais de Kumarakon, vendo a singela vida dos ribeirinhos e conhecendo lindas experiências de turismo comunitário que sustentam 7000 pessoas no estado. Daqui a pouco sigo para mais uma massagem ayurvédica – não vejo a hora – e passaremos a próxima noite embarcados em um dos luxuosos “boat houses” pelas backhouses.

Se eu fosse vocês, não perderia o próximo post.

 

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Código de Ética SS:

Viajei a convite do Kerala Tourism após ficar em 23o lugar entre os bloggers de viagem mais votados do mundo (entre 600 inscritos) no concurso Kerala Blog Express. Os destinos, hotéis e restaurantes ofereceram seus serviços de graça.

Esta viagem não teria acontecido sem o patrocínio da Ethiopian Airlines (www.ethiopianairlines.com), recém-chegada ao Brasil, e que bancou as passagens aéreas entre São Paulo e Mumbai, via Addis Ababa, na Etiópia.

 
Publicado em:
Same Same


Data:
15.3.2014

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