COMO TODOS OS GRANDES VIAJANTES, EU TENHO VISTO MAIS DO QUE ME LEMBRO, E ME LEMBRO MAIS DO QUE TENHO VISTO.

 

Essper George, personagem de Benjamin Disraeli no romance Vivian Grey (1826)

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O blog do Same Same traz relatos dos bastidores das reportagens reproduzidas neste site portfolio. São pequenas histórias que não foram contadas nas revistas em que foram publicadas.
 
terça-feira, 3 dezembro 2013

Esqueça aquela idéia estereotipada que temos no Brasil sobre a massagem tailandesa. Você não será recepcionado por uma bela oriental de seios avantajados louca para se esfregar no seu corpinho. Pelo contrário. Como vai perceber quem ler a reportagem sobre os templos do bem-estar de Bangcoc, que escrevi para a revista Veja Luxo que chega as bancas nessa primeira semana de dezembro, massagem, na Tailândia, é coisa séria. Os profissionais, homens e mulheres, estudam ao menos 200 horas em uma espécie de universidade de medicina tradicional para entrar nesse mercado supercompetitivo. A clientela é farta, tanto de nativos como de estrangeiros (receber massagem é a atividade mais obrigatória que um turista deve fazer ali). Nos 10 dias que passei em Bangcoc com  a fotógrafa Andréa D’Amato, fizemos praticamente uma massagem a cada dia. Também, pudera: dá para receber uma hora de terapia por apenas 15 dólares. Normalmente, o cliente escolhe se prefere mãos de mulher ou de homem. Escolheu mulher? Como cantaria a tal Aline, prepara! Aquelas aparentemente inofensivas mãozinhas das moças tailandesas são de uma potência surpreendente.

 

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Refresquei minha memória na semana passada, a última de novembro, quando fui experimentar a massagem da Lucy, uma das cinco tailandesas que atendem no Elements Spa by Banyan Tree, que funciona no Tivoli Hotel, de São Paulo. (Eles têm também uma massagista chinesa e outra da Indonésia, para quem quiser comparar diferentes escolas de massagem).

 

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Fileira de massagistas atendendo mochileiros na Khaosan Road

 

Magra, baixa, doce e sorridente, Lucy me recebeu com chazinho de capim-limão e escalda-pés num ambiente super-relaxante, todo feito de fibras naturais. Quando deitei de bruços na maca, com a rosto encaixado num buraco, ela mostrou suas pequenas mãos sob a cama e pediu – sempre em inglês – que eu conferisse o aroma do óleo escolhido. Inspirei fundo e, confesso, subestimei suas mãozinhas. Bastou a moça subir sobre o meu corpo e começar a alongar minhas pernas para o alto ou pressionar seu joelho nas minhas costas, usando óleos e toalhas quentes aqui e ali, pra eu começar a sentir aquela mistura de dor e prazer da autêntica massagem tailandesa.

 

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Massagem no Elements Spa by Banyan Tree do Tivoli Hotel de São Paulo

 

Quando estávamos em Bangcoc, não foi diferente. Acontece que lá a oferta é tanta que há filas de massagistas alinhadas cutucando os pés dos mochileiros da Khaosan Road, uma rua bem turística repleta de albergues da juventude. O curioso é que, na rua, você fica observando a vida passar enquanto tem alguém ali, acariciando seu pezinho como se você fosse o rei Bhumibol Adulyadej, reverenciado com placas em todo canto da cidade, dos açougues aos tuc-tucs que servem como táxi.

 

A imagem do rei está espalhada por toda a cidade

A imagem do rei está espalhada por toda a cidade

 

Experiência parecida é a que a gente teve na escola Watpo Thai Traditional Medical School, que fica no templo do famoso Buda deitado, o Wat Pho. Você ouve os gemidos e grunhidos dos coleguinhas da cama ao lado – já que todo mundo está sob o teto do mesmo galpão, sendo atendido por alguns dos 60 estudantes de medicina.

 

Massagem da escola Watpo

Massagem da escola Watpo

 

Mas as mais sofisticadas das experiências são mesmo as dos spas dos grandes hotéis, como o Rarinjinda Wellness Spa, do Grande Centre Point Hotel, e o The Oriental Spa, no Mandarim Oriental. Ali o rei – digo, o cliente – fica em silêncio, sendo atendido em salas privadas e com todo o conforto do mundo. Há no máximo alguma música zen ou uma aguinha escorrendo num canto da sala, um banheiro privado e um roupão de seda à disposição. E, o melhor: o efeito é um relaxamento e um êxtase mais sublimes do que qualquer sessão fake de massagem sexualizada poderia proporcionar.

 

Excelente! Parabéns pela matéria!!

Comentário by Demetrios Kolovos — 3 de dezembro de 2013

 
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